10 de abril de 2015

Duas Caras

10 abril Escrito por Eliude Santos , 4 comentários
Quando o circo chegou na cidade, todos ficamos encantados com os animais, os trapezistas. Ganhamos entradas para sentar na primeira fileira. Eu vibrava a cada número, mas o que mais me agradou foi uma tragi-comédia encenada pelos palhaços no fim da sessão. Era o mais próximo que eu tinha chegado do teatro até então.

Renata, uma de minhas "irmãs" por "adoção" começou a ensaiar para uma apresentação de Morte e Vida Severina em sua escola. Enquanto eu lhe ajudava a decorar as falas, tive meu segundo contato com o teatro.

Foi então que vi uma peça de verdade, e me apaixonei. Sabia que era aquilo que eu queria fazer de minha vida. Queria participar daquele mundo mágico.

Quando Dona Nazaré disse na biblioteca que alguns jovens estavam iniciando um grupo teatral na cidade, não pensei duas vezes... Naquela época, eu era exageradamente introvertido, mas não me acanhei diante da oportunidade.

Havia um anúncio de uma primeira reunião do grupo no prédio do antigo cinema de Hamilton e eu fui lá no dia da reunião. Nilza, a produtora da peça nos apresentou o roteiro e fez uma primeira leitura. Era uma comédia regionalista, na qual fiz um papel bem pequeno, mas suficientemente marcante em suas aparições.

Ensaiávamos no velho e empoeirado prédio do cinema, que já não funcionava havia alguns anos. Entretanto, devido à precariedade do lugar, não poderíamos apresentar-nos ali.

Conseguimos um outro lugar para a apresentação, o figurino, os objetos de cena. E, na estréia, havia muita gente de pé na platéia. Os risos e aplausos eram o sinal de que todo o nosso esforço fora um sucesso! Lotamos a casa em todas as apresentações e começamos a viajar com a peça.

Escolhemos uma nova peça e começamos os ensaios. Novos integrantes se juntaram ao grupo. Mas precisávamos que o dinheiro acumulado nas apresentações feitas até então fosse duplicado para atender às exigências da nova produção.

Esperançosos de que tivéssemos nos negócios o mesmo sucesso que havíamos alcançado no palco, investimos nosso lucro numa barraca de bebidas no pavilhão da festa do padroeiro, um dos maiores eventos da cidade na época.

A barraca foi um sucesso! Ao fim de três dias, tínhamos triplicado o nosso montante. No entanto, ao abrirmos o cofre onde supostamente estaria o dinheiro, encontramos somente a quantia exata para pagarmos o investimento que havíamos feito.

Fomos roubados! E pela quantia deixada no cofre, tinha que ter sido alguém muito próximo, alguém que participasse do grupo.

Um clima de desconfiança e desarmonia cresceu em nosso meio. Nosso ânimo, nossos sonhos, nosso empenho e suor foram malogrados por alguém que julgávamos gozar das mesmas aspirações.

Ainda tentamos ensaiar a segunda peça, mas a lembrança triste dos sonhos frustados cortou-nos as asas.

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4 comentários:

  1. Puxa! Fiquei arrasada!
    Adoro teatro... pena que na minha cidade essa expressão ainda não é muito bem cultuada. Mas será!
    Quando eu tinha 16 anos, participei de uma peça, coisa pequena... Aconselharam minha mãe e disseram que isso me ajudaria. Eu era tímida demais!
    deu certo, hoje sou a pessoa mais cara-de-pau de conheço!

    Viva o teatro!
    Pena que esse múndo mágico tem sua magia muito limitada... Afinal, os atores são homens, e homens erram.
    Adeus dinheiro. Olá frustração.

    :(

    :)

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  2. Teatro é uma de minhas paixões. Felizmente, mais à frente em futuras postagens, o ele volta a fazer parte de minha história.

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