4 de abril de 2015

E a Lua Seguia Meus Passos

04 abril Escrito por Eliude Santos , Comente aqui
Não tenho muitas memórias de nossa vida em Várzea Nova. Sei que havia o bar do Lelinho, onde meu pai e minha mãe iam com frequência. As ruas eram de barro, e finalmente minha mãe e minha avó tinham algo em comum do que reclamar. Quando chegamos na cidade, eu já sabia falar e meus pais gostavam de exibir o filho precoce me mandando pelado com um trocado na mão ir comprar qualquer coisa na venda da esquina.

Mas a lembrança que permaneceu, uma recordação simples dessa época que até hoje me acompanha e me traz à mente a idéia de constância em meio a toda a volubilidade que me circundava, foi a imagem da Lua seguindo meus passos.

Lembro-me de uma noite em que, ao correr para casa, olhei para cima e vi a Lua cheia e brilhante. Naquela época, a Lua despontava no céu gigante e amarelada. E a multidão de estrelas fazia da cena um espetáculo grandioso. Todos apontavam as manchas na Lua e contavam a história de São Jorge e o Dragão e eu ficava tentando reconhecer naquelas manchas disformes a forma de um homem em um cavalo branco cravando sua lança no monstro impiedoso. Mas naquela noite, o que mais me impressionou é que a Lua não parecia um corpo estático e indiferente no espaço. Ela parecia se mexer. Parecia estar me acompanhando. Não importava que direção eu tomasse ou quão rápido eu corresse, ao olhar para cima, lá estava ela, observando meus passos e seguindo de perto.

Eu corri para dizer aos meus pais que a lua estava me seguindo e eles riram. Meu irmão olhou pra cima e começou a andar, viu que a Lua também o acompanhava, ele achou que eu estava mentindo quando dizia que a Lua me seguia, pois a Lua estava seguindo a ele naquele momento.

Eu já roubava a atenção e o carinho de todos e agora queria lhe roubar a Lua!

Eu não dei muita importância, pois sabia que a Lua seguia a mim e era isso que importava.

Toda noite, quando olhava para o céu e via a Lua sobre mim, sentia algo nobre, como se ela estivesse esperando por mim para se mostrar em seu esplendor. Era como se ela me seguisse porque se importava comigo.

Talvez eu fosse novo demais para entender, mas suficientemente maduro para perceber o sentimento de segurança que encheu minha alma desde então.


http://eli-ude.blogspot.com.br/p/ego.html


LEIA O PRÓXIMO CAPÍTULO

0 pessoas comentaram:

Postar um comentário

Compartilhe esse artigo em suas redes sociais e aproveite este espaço para registrar seus pensamentos sobre esta postagem.