4 de abril de 2015

A Gênese dos Êxodos

04 abril Escrito por Eliude Santos , 2 comentários
Quando nasci, morávamos numa cidadezinha do agreste paraibano chamada Nova Floresta. A cidade havia sido recentemente fundada e meu tio avô tinha acabado de exercer seu mandato como prefeito do lugarejo. Era época da ditadura e minha família participava ativamente da vida política e econômica da cidade e gozava de um certo grau de honra e respeito nas redondezas, além do apoio dos militares.

Houve uma seca muito severa na região e como os negócios do meu avô envolviam pecuária e agricultura, e na época o sucesso ou fracasso de tais negócios contava exclusivamente com a providência divina, ele começou a sentir os efeitos da falta de chuva no bolso e no desequilíbrio emocional causado em parte pela crise econômica e em parte pelo machismo exacerbado que começava a ser confrontado por esposas que reclamavam direitos que antes eles nem se questionavam se elas teriam.

Minha avó sabia que ele tinha outra esposa. Os filhos da outra família do meu avô frequentavam a nossa casa e eram bem próximos de meu pai e meus tios. Mas aquela situação incomodava muito minha avó e ela começou a exigir uma atitude de seu esposo.

Minha mãe também não estava satisfeita com a situação. Morar na casa da sogra nunca esteve em seus planos. Quando casaram-se ela havia deixado aquilo bem claro, mas o marido estava numa situação confortável e não pretendia deixar sua mãe desamparada, já que seu pai tornava-se cada vez mais ausente.

Depois de muita confusão, minha mãe acabou convencendo meu pai a mudar-se com ela para a Bahia. No entanto, os sonhos de construir uma vida longe da família de seu esposo foram malogrados quando minha avó disse que não ficaria sozinha em Nova Floresta, talvez já temendo a iminente separação. Ela convenceu meu avô que a familia deveria permanecer unida e não permitiria que seu filho fosse para longe dela. No entanto, seus sonhos de construir uma vida longe da outra família do meu avô foram malogrados quando ele não somente os levou junto, mas alugou uma casa na mesma rua para sua outra esposa e filhos morarem.

Numa troca no bom estilo de "seis por meia dúzia", mudaram-se de Nova Floresta para Várzea Nova, onde todos conheceram a força destruidora do orgulho e luxuria. Minha família foi envolvida numa rede de mexericos e desavenças que resultou na sua total dispersão.


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