24 de fevereiro de 2008

Meus Filmes Preferidos: FONTE DA VIDA (2006)

24 fevereiro Escrito por Eliude Santos 16 comentários

Sempre me encantei com produções cuidadosas que me tocassem de algum modo, e certamente Fonte da Vida (The Fountain, 2006) é o filme que mais fortemente me arrebatou em todos os sentidos. Com um enredo que consegue resumir conceitos de filosofia, psicologia, religião e ciência para abordar um tema que é a única verdade incontestável e absoluta da humanidade ─ que todos um dia morreremos ─ ele é essencialmente uma história de amor e obsessão, contada com maestria por um dos mais talentosos diretores dessa geração.
O filme se passa em três períodos distintos: o primeiro segmento acontece há 500 anos e conta a história de Tomaz, um corsário espanhol que, a pedido de Isabel, rainha da Espanha, veio à América em busca da árvore da vida, como única maneira de salvar seu reino da ruína, devido a conflitos religiosos que lhe ameaçavam a vida.
A história de Tomaz é contada no livro de Izzi, esposa de Thomas Creo, um neurocirurgião que trabalha para uma indústria farmacêutica que tenta encontrar a cura para o câncer. E assim somos apresentados ao segundo segmento da história, que se passa no tempo presente. O interesse de Tom em achar a cura, deve-se ao fato de sua esposa estar morrendo desse mal. Em contra partida, vendo-se no estágio final da doença, ela já aceitou a idéia da morte e está escrevendo o tal livro, em parte para ajudar seu esposo a convencer-se do mesmo. Ela lhe pede que leia o manuscrito e termine-o pois conduziu a história de um modo que a morte do conquistador espanhol fosse inevitável. Mas Tom está tão concentrado em salvar a vida da esposa que não aceita a mensagem do livro que ela escreveu, nem o destino daquela personagem. Os esforços de Tom se revelam eficazes quando ele descobre o princípio ativo de uma planta encontrada na América Central [Guatemala] para onde sua esposa recentemente fez uma viagem.
500 anos no futuro, somos levados ao terceiro segmento da história, quando Tom, ainda vivo, está levando uma árvore para uma estrela que está morrendo, onde os Maias acreditavam haver um lugar chamado Xibalba, que representaria a renovação da vida. No caminho, é visitado pelas lembranças do passado e o fantasma de sua esposa que lhe pede que termine o livro que ela começou a escrever.
Darren Aronofsky, diretor do longa, disse:
"O desejo de viver eternamente está profundamente arraigado em nossa cultura. Todos os dias, pessoas estão procurando um modo de prolongar a vida ou sentir-se mais jovens. (...) As pessoas clamam por juventude e esquecem que a morte faz parte da vida. (...) Estamos nos tornando tão preocupados com a manutenção do corpo físico que geralmente nos esquecemos de nutrir o espírito. E este é um dos temas centrais que quis abordar nesse filme: A morte nos torna humanos? Então, se pudéssemos viver eternamente, perderíamos nossa humanidade?"
Darren Aronofsky é um diretor e roteirista muito meticuloso. Seus outros trabalhos (Pi, Requiem para um Sonho) são exemplos de seu zelo pelos detalhes. Como ele mesmo explicou, o texto de Fonte da Vida é como um cubo de Rubik (aquele famoso cubo de faces coloridas). Depois de embaralhado, por mais voltas que você dê com o cubo, há de fato somente um caminho e um modo de reunir todas as cores. E, por mais que você diga, "Não tem como encaixar todos os detalhes desse roteiro numa história linear", com um pouco de esforço, e pensando de uma maneira lógica (como é a mente de Darren), desembaralhamos o puzzle e montamos o cubo.

::Comentário Cena a Cena::
Espero que este extenso comentário sirva a todos os que se propuserem a entender esse maravilhoso filme. (*) Entre parênteses, estão os tempos do filme: As imagens do Futuro são de fato o tempo real da história. Nesse tempo, Tom, 500 anos depois de encontrar a cura para a morte, leva uma árvore em uma nave bolha para uma estrela; As imagens do Presente são lembranças de sua busca pela cura do câncer, há 500 anos (nossa época), para tentar evitar a morte de sua esposa; e as imagens do Passado são lembranças de Tom de sua leitura do livro que Izzi escreveu para tentar mostrar-lhe a importância da aceitação da morte.
Cena 1: Citação da Bíblia (presente) Izzi escreve em seu livro uma citação da Bíblia usando a pena que posteriormente entregará a Tom. A citação diz: “Eis que o Senhor Deus baniu Adão e Eva do Jardim do Éden e colocou ali uma espada flamejante para proteger a árvore da vida”. Enquanto a câmera se aproxima, (futuro) uma imagem de Xibalba se mistura com (passado) a dos cabelos de Isabel no coração da cruz do conquistador Thomas Creo.
Cena 2: Lembrança ou Delírio de Tom (passado) O conquistador espanhol Thommas Creo ajoelha-se diante da cruz e cheira o invólucro de couro contendo o anel que Isabel, rainha da Espanha, lhe entregou dizendo que quando achasse a Árvore da Vida deveria usá-lo. Ele abre o invólucro e pensa em usá-lo, já que agora sabe onde está o templo maia que guarda a tal árvore, mas percebe que ainda não é a hora. Fecha o invólucro. (presente) A capa do livro de Izzi é mostrada em alusão ao fato de que a história do conquistador é apenas uma ficção. Izzi escreveu esta história para mostrar a Tom, seu esposo, que ele precisava aceitar a morte dela e aproveitar o tempo que tinham juntos. (passado) O conquistador e seus homens encontram o templo maia e são atacados por nativos. Thomas demonstra bravura e disposição ao sacrifício, por isso é poupado por eles. Seus homens são mortos devido à sua fraqueza e covardia. Ele sobe as escadarias e encontra o guardião da árvore que a protege usando uma espada flamejante, conforme a citação da Bíblia. Vindo em sua direção, o guardião diz: “Nosso primeiro pai se sacrificou pela árvore da vida. Entre e junte-se ao destino dele. A morte é o caminho para o sublime.” E fere Tom.
Cena 3: Tom Acorda (futuro) Tom acorda da lembrança ou delírio com as últimas cenas do livro de Izzi. Tão real pareciam as lembranças ou delírios, que ele olha ao redor para certificar-se de que está mesmo na nave. Ao certificar-se, olha pra cima e percebe que está quase chegando em Xibalba. Desce e caminha até a árvore. A árvore está morrendo e ele promete que vai conseguir chegar com ela a tempo em Xibalba e não a deixará morrer.
Cena 4: Tom Alimenta-se da Árvore (futuro) Tom é assombrado pela lembrança de Izzi que lhe pede para terminar o livro que ela começou a escrever 500 anos atrás. Ele a ignora e alimenta-se da casca da árvore que vem lhe servindo de alimento no caminho para a estrela. A lembrança ou espírito de Izzi aparece novamente e lhe convida para dar um passeio com ela. (presente) Izzi vai ao escritório de Tommy e convida-o para ir ver a neve, mas ele está muito ocupado tentando achar a cura que pode salvá-la do câncer. Nesta cena a aparência de Tom mostra-nos que também o tempo que identificamos como o presente são apenas lembranças dele no futuro. Então, o tempo real do filme é o futuro e todos os outros tempos são somente lembranças ou delírios. (futuro) Ele percebe que não está no escritório e se desculpa por não ter saído com ela. Ele diz que a verá novamente à noite. Uma frase que ele teria dito a Izzi quando recusou-se a ir com ela ver a neve; mas também uma evidência de que as aparições de Izzi (espírito, lembrança, delírio) são freqüentes.
* Como o filme trata de conceitos abstratos, as identificações delírio, lembrança, espírito, visão são somente interpretações de diferentes pontos de vista do mesmo fato. O fato é que, na nave, ele estava tendo lembranças vívidas das coisas que viveu no passado.
Cena 5: Equilíbrio (futuro) Tom aparece praticando movimentos de Tai-Chi-Chuan, este estilo de arte marcial é reconhecido também como uma forma de meditação em movimento. Uma forma de escapar da tortura de suas lembranças e encontrar equilíbrio para sua alma atormentada.
Cena 6: Tatuagem (futuro) Tom esquenta a pena que ganhou de Izzi, prepara a tinta e tenta terminar a tatuagem de mais um dos 500 anéis que já tatuou em seus braços, cada um representando um ano sem sua amada. Ele olha e vê (presente) o corpo de Izzi numa cama de hospital. Tenta ignorar, mas a lembrança de Izzi volta a atormentá-lo, pedindo que termine o livro. Ele já está desesperado e pede que ela o deixe porque ele não sabe como terminar o livro. (futuro) Ele olha para a tatuagem do anel em seu dedo e lembra (presente) de Izzi correndo feliz com longos cabelos antes do câncer. (futuro) Então, ele diz: “Tudo bem, confio em você. Leve-me. Mostre-me.” Ele decide aceitar o convite de Izzi para “ir ver a neve”, ou seja, para reviver suas lembranças das quais vem tentando fugir há tanto tempo.
Cena 7: Escritório (presente) Tommy pergunta o que Izzi está fazendo lá e ela diz que quer que ele dê uma volta com ela. Ele diz que tem muito trabalho. Ela insiste, e ele se irrita, porque sabe que seu trabalho no laboratório é muito importante para salvá-la. Ela se entristece e ele lamenta e diz que encontra com ela à noite. No início da cena a aparência de Tom é a do futuro, para enfatizar o fato de que aquilo é somente uma lembrança, o começo do passeio que Izzi (espírito, lembrança, ou delírio) vinha propondo a ele.
Cena 8: Cirurgia (presente) Tom tenta alcançar Izzi, mas é impedido por Manny, que o avisa que Donovan está pronto para a cirurgia. (presente) Enquanto lava as mãos, Tom tira o anel e deixa-o sobre a base da torneira. Enquanto isso pede a Manny que ache Antonio para que ele traga os resultados dos últimos exames in-vitro. Ele checa as condições preparatórias para a cirurgia de Donovan, que já está com o cérebro aberto há mais de 50 minutos e pede a Manny que traga Antonio. Antonio finalmente aparece e diz que não houve diminuição do tumor porque o composto não dava adesão. A equipe pensa em fechar a sutura ou sacrificar o macaco devido ao tamanho do tumor. Tom fica nervoso e sai da sala de cirurgia. Sob a clarabóia do teto, ele olha e vê na neve desfazendo-se um padrão que lembra o padrão da lâmina dos compostos de uma árvore da América Central que usaram um ano antes. Ele percebe que os compostos da árvore têm estrutura semelhante ao do composto que estavam para testar e que não tinha adesão. Ele explica aos membros de sua equipe que o composto da árvore dará adesão ao composto com que estão trabalhando. Antonio entende o motivo: eles se completam! Betty o alerta quanto ao risco de criarem um novo composto sem testes prévios, mas ele revida dizendo que se não fizerem algo rápido, o macaco não sobreviverá. (presente) É mostrada a imagem da lâmina do composto, semelhante à imagem do gelo sobre a clarabóia, semelhante à imagem de Xibalba (esta comparação foi mostrada antes, quando Tom observava a clarabóia). Note que Tom pode fazer essa comparação agora, porque isso são lembranças que ele está tendo no futuro a caminho de Xibalba. (presente) Tom e Antonio comprovam a adesão do composto. A cirurgia é feita.
Cena 9: A Perda do Anel (presente) Tom sai da cirurgia e nota que perdeu o anel. Ele fica desesperado. Lillian aparece e chama-o para conversar. Ela está preocupada com ele, porque ele está se arriscando e colocando seu laboratório em perigo. Ela sugere que ele passe mais tempo com Izzi. Mas ele explica que está fazendo tudo isso por ela.
Cena 10: Apartamento (passado) Uma imagem de um tempo maia e o som dos pássaros do paraíso são ouvidos. Um pássaro voa. A imagem afasta-se (presente) e vemos um quadro no apartamento de Tom. Ele entra e coloca o pássaro de volta no puleiro. Ele procura Izzi, fica preocupado porque ela não responde. Encontra-a do lado de fora. Ela está com os pés descalços na neve, observando as estrelas. (presente) Ela diz que quer que ele veja algo. Ela mostra uma nebulosa envolvendo uma estrela que está morrendo. Ela explica que os maias a chamavam Xibalba. Era o mundo dos mortos onde as almas iam para ressuscitarem. Ele pergunta do que ela está falando e ela explica que é sobre seu livro. Ele diz que achava que o livro dela se passava na Espanha. E ela diz que começa na Espanha, mas termina em Xibalba. Ele pergunta se ela já terminou e ela diz ainda não. Ela volta a olhar para a estrela e fala que algum dia ela irá explodir, morrer e dar vida a novas estrelas e se admira que os maias tenham escolhido uma estrela que está morrendo para representar o seu mundo dos espíritos (céu). (presente) Tom percebe que ela está sem sapatos e leva-a pra dentro.
Cena 11: Banheira (futuro) Uma imagem da nave subindo em direção a Xibalba lembra-nos que toda a história do presente são somente lembranças de Tom no futuro. Ele passa a mão sobre as curvas da ávore (presente) que se confunde com a pele de Izzi. Enquanto ele a ensaboa, ela percebe que ele está sem a aliança e faz uma brincadeira, perguntado quem é a pessoa com quem ele está saindo. Ele se irrita e sai do banheiro. Quando ele está saindo ela pede que ele volte e aqueça a esponja. Ele percebe que ela já não sente calor ou frio, e percebe que ela já está na fase terminal do câncer. Ele fica desesperado. Ela diz que está se sentindo de modo diferente, mas ainda tem medo da morte. Ela beija-o para acalmá-lo.
Cena 12: O Livro (presente) Tom liga para Alan Lipper, o médico, pra marcar uma consulta para o dia seguinte. Izzi diz a Tommy que é hora de ele ler o livro. Ele diz que marcou a consulta, mas ela não está preocupada com isso. Ela quer que ele comece a ler o livro e diga a ela o que acha. O telefone toca e ela pede que ele não atenda. Ele atende. É Antônio. Ele fala animado dos resultados com Donovan e pede a tom que venha ao laboratório.
Cena 13: No Laboratório (presente) Uma imagem infinita do carro de Tom indo para o laboratório mostra a busca que parecia nunca ter fim. Tom chega ao laboratório. Todos estão comemorando. Donovan apresentou uma recuperação impressionante, mas o tumor não apresenta melhoras. No entanto, Donovan parece ter aumentado a capacidade cerebral, e os resultados apontam para uma reversão do envelhecimento. Todos estão animados e Betty sugere avisarem Lillian, mas Tom decide continuar com o experimento e pede a Antonio que prepare um novo coquetel usando a mesma substância.
Cena 14: No Quarto (presente) Tom lembra de Izzi antes do câncer enquanto olha pra ela deitada na cama. Ela pergunta se tudo está bem, ele diz que sim, mas vira pra o outro lado e levanta e saia para o quarto do lado para chorar. Lá encontra o livro e começa a lê-lo.
Cena 15: Na Espanha (passado) O Inquisidor se auto-flagela quando um frei o interrompe para avisar que os hereges confessaram e cederam suas terras aos cuidados da Igreja. O Inquisidor se alegra por ter conquistado mais uma porção das terras da rainha. Espalha sangue para demarcar as terras que já tomou da rainha e diz que logo ela também confessará e também morrerá. (O livro de Izzi é uma analogia à tudo o que ela está vivendo: o inquisidor representa o tumor que está dominando o seu cérebro.)
Cena 16: Inquisição (passado) Thomas ajoelha-se diante de uma cruz (a mesma que levará consigo para a América, entretanto, ele trocará o coração da cruz que agora é uma pedra que representa o reino da Espanha por uma mecha de cabelos de Isabel). Ele fica sabendo dos avanços do inquisidor e decide destruí-lo. (passado) Uma imagem infinita do conquistador indo ao castelo do Inquisidor. Uma representação da busca inútil de Thomas para tentar salvar Isabel. (passado) O Inquisidor explica para os hereges que a morte é a libertação do espírito. Diz também que a rainha tem buscado a imortalidade na terra e um falso paraíso (o El-dorado) onde as pessoas não dependeriam mais das bênçãos da Igreja. E conclui que isso é heresia. [Com este capítulo do livro, Izzi tenta mostrar a Tom as coisas que aprendeu com o câncer: a importância da espiritualidade, a aceitação da morte, etc.] Thomas tenta matar o inquisidor, mas é impedido porque a rainha requer sua presença.
Cena 17: Isabel (passado) Thomas caminha na direção de Isabel. Os lustres que iluminam o palácio são semelhantes às estrelas no espaço ao redor de Xibalba. Thomas ajoelha-se desconsolado diante da rainha. Ela diz que ele não deve preocupar-se porque por mais difícil que a situação pareça, “toda sombra é ameaçada pela luz da manhã” [Novamente Izzi mostra a Tom que ele estava nutrindo um sentimento de pena por ela, quando na verdade, ela estava crescendo com a experiência, um crescimento espiritual]. Ela diz que é loucura matar o Inquisidor pois a Europa iria querer sua cabeça [Se de fato ele curasse ela, a fama da descoberta acabaria se colocando entre eles]. E diz também que ainda não está pronta para morrer, e pergunta sobre ele e ele diz que morreria pela Espanha e ela lhe explica que é isso que irá salvá-los [Izzi sabe que somente se Tom perceber a importância da aceitação de sua morte tudo ficará bem entre eles]. Mas que ela tem um plano. E chama o Padre Avila para explicar-lhe o que encontraram nas terras da Nova Espanha (América Central).
Cena 18: O Plano (passado) Isabel e o padre Avila explicam que há um ano e meio, encontraram indicações de onde estaria a Árvore da Vida. E que isso poderia libertá-los da tirania da Igreja. E por isso o Inquisidor tem-lhe perseguido tão ferozmente. Sua pista é a adaga de um sacerdote maia que contém um mapa para uma pirâmide escondida, construída no lugar onde a terra teve sua origem [Éden], onde encontrariam a tal árvore cuja seiva faria a pessoa viver para sempre. (passado) Thomas irrita-se ao perceber que o plano está baseado em crenças pagãs, mas a rainha mostra que suas próprias crenças confirmam a existência dessa árvore. (futuro) Uma imagem de Xibalba é projetada no lugar onde estaria a pirâmide. Novamente, Tom, no futuro, percebe a mensagem de Izzi em seu livro. (passado) Isabel entrega um anel ao conquistador e pede que ele o use quando livrar a Espanha da servidão. E promete que será sua Eva e viverá junto dele para sempre.
Cena 19: Tom Acorda (presente) Tom acorda e deixa cair o livro em que estava lendo aquela história. Procura por Izzi. Ela deixou um bilhete dizendo que tinha ido ao Museu das Palavras Divinas. (presente) Tom vai ao museu para encontrá-la. Ele está preocupado, porque havia marcado a consulta para aquela tarde. Mas ela está empolgada com o livro maia que encontrou. Ele explica o mito sobre o qual Tom acabara de ler. O mito da criação. Ela mostra uma gravura do Primeiro Pai (Adão, ou o primeiro homem na terra). É mostrada a imagem de um deitado gritando com uma árvore nascendo de seu estômago. Tom pergunta se ele está morto. e Izzi explica que ele se sacrificou para criar a terra. Ela diz que seu corpo tornou-se as raízes da árvore e que elas se espalharam e formaram a terra. Sua alma virou os ramos da copa da árvore que subiram e formaram o céu. E tudo o que sobrou foi a cabeça do Primeiro Pai. E seus filhos penduram-na no céu, criando assim Xibalba. E ela pergunta o que ele acha da idéia da morte como um ato de criação, mas ele ainda não entende este conceito.

Cena 20: Izzi desmaia (presente) Tom diz que vai pegar o carro, Izzi olha para a luz sobre ela e desmaia. Ela entendeu tudo o que precisava e agora está pronta para a morte. Tom corre para ampará-la. (futuro) A nave segue em direção a Xibalba. Tom segue com suas lembranças do passado. (presente) Tom está desesperado na sala de espera. O médico o leva ao quarto. Ela diz que agora está perto de morrer. O médico confirma. Mas Tom não aceita. Ele diz que conseguiu avanços no laboratório e que com um pouco mais de tempo ele conseguirá achar a cura. Ela explica que agora está pronta pra morrer. Ela não tem mais medo. E que quando caiu, sentiu-se completa e amparada. Mas Tom ainda não está pronto para entender isso.
Cena 21: Silêncio (presente) Adoro essa cena! Tom anda por uma avenida muito movimentada e barulhenta a caminho do laboratório, mas tudo está em silêncio. Sua mente está vazia. Não consegue perceber nada ao seu redor. E é quase atropelado por um carro. A cena é uma representação perfeita do modo como nos sentimos quando estamos atordoados por uma notícia que nos tira o chão.
Cena 22: Mais Avanços no Laboratório (presente) Tom chega ao laboratório. Todos estão animados com o resultado das experiências e é comprovado que eles encontraram a cura para o envelhecimento. O cérebro de Donovan rejuvenesceu 2/3 de sua idade. Mas Tommy só está preocupado com o tumor, que ainda não sofreu alterações e pede que todos saiam. Ele repete a cirurgia, com mudanças nos componentes para tentar novos resultados. Durante a cirurgia ele fica sabendo que Izzi teve uma melhora e que vai sair da UTI. Ele avisa sua equipe que quer fazer uma nova experiência em outra cobaia. Betty se incomoda com sua obsessão. (presente) A cirurgia termina e Lillian vem falar com Tom, ela está irritada por que ele não seguiu os testes para confirmar os resultados da descoberta da cura para o envelhecimento, mas ele diz que se perder tempo com isso, Izzi poderá morrer antes que ele encontre a cura. Ele diz que Izzi teve um ataque e que está sozinha. E novamente eles discutem sobre o fato de Tom não estar ao lado de sua esposa. Tom percebe sua mão sem a aliança e se irrita profundamente [A ausência da aliança simboliza a ausência da esposa e Tom não consegue suportar essa idéia].
Cena 23: Izzi pede a Tom que Termine Seu Livro (presente) Tom vai ao hospital. Ele vê Izzi e Lillian conversando. Lillian cede sua fazenda para que Izzi seja enterrada lá e Izzi agradece. Lillian está impressionada com a força espiritual de Izzi. Tom pede que ela volte ao laboratório e veja os resultados das últimas experiências. (presente) Tom leva o manuscrito para Izzi. Ele se desculpa por ainda não ter encontrado a cura, mas diz que tem tido progressos. Ela ri de sua persistência. Ele tenta falar dos progressos mas ela o interrompe e lhe dá um presente, que certamente pediu a Lillian que trouxesse pra ela. Na caixa há uma pena e nanquim. Ela explica que quer que ele termine o seu livro. (presente) Um close na pena para que saibamos que é a mesma pena usada por Tom 500 anos no futuro para tatuar seu braço. (presente) Ela explica que só falta o último capítulo. Ele diz que não sabe como termina. Ela diz: “Você sabe, saberá.” Como o livro é uma analogia à sua vida juntos, Izzi insinua que Tom, embora não aceite, já sabe que destino os aguarda: ambos haverão de morrer. E ele precisará aceitar esse fato.
Cena 24: Moses Morales (presente) Ela lhe lembra de Moses Morales, o guia maia de sua viagem à América Central quando pesquisava sobre o livro, ela diz que na última noite que estava com ele, ele lhe falou de seu pai que faleceu. Ele lhe disse que se eles somente enterrassem seu pai, ele deixaria de existir. Então, eles plantaram uma semente sobre seu túmulo. A semente tornou-se uma árvore e o pai de Moses tornou-se parte daquela árvore que cresceu no seio do bosque, e quando um pardal comeu de seu fruto e voou, seu pai voou com os pássaros. Ele disse que a morte foi o caminho de seu pai à exaltação. Mas Tom continua não querendo entender o que Izzi quer lhe dizer. Então ela pede que ele fique com ela. E ele fica [Note que se ele tivesse ido ao laboratório ou pra casa, ele teria descoberto a cura à tempo].
Cena 25: Conversa Com a Árvore (futuro) A nave continua subindo a Xibalba. Tom está na nave ao lado do leito de Izzi. Mas uma indicação de que a história do presente é somente uma lembrança ou delírio. Tom vai até a árvore e a lembrança some. Ele verifica se a árvore ainda está viva. Ela está fraca. Mas ele diz que ela não se preocupe pois vai ficar tudo bem. Ele explica à arvore que quando chegarem a Xibalba e a estrela explodir, a árvore renascerá e florescerá e ele viverá. Embora tenha vivido mais de 500 anos, Tom acha que só viveria ao lado de Izzi e espera que Xibalba lhe proporcione isso.
Cena 26: De Volta às Lembranças (presente) Tom acorda e começa a ler o livro de Izzi. (passado) O franciscano encontra a pirâmide maia. A tropa de Thomas está preparando um motim contra ele. Eles não acreditam que encontrarão a tal pirâmide e acham que estão perdendo tempo [à semelhança da equipe de Tom no laboratório]. O franciscano aparece com a notícia, mas é morto pelo soldado rebelde. Tom luta contra seus homens e sobram somente dois que o seguem à pirâmide. (passado) O conquistador ajoelha-se diante da cruz e lembra de Isabel prometendo-lhe que viverá com ele pra sempre quando ele libertar a Espanha da servidão. (presente) Um bip. (futuro) Tom acorda assustado na nave. (presente) Tom percebe que os aparelhos apontam para um novo ataque de Izzi. Ele tenta reanimá-la. Os médicos chegam e tiram-no da sala.
Cena 27: A Descoberta da Cura (presente) Tom sai do quarto e vê um velho morrendo. Ele tem uma aliança no dedo. Novamente o medo de perder Izzi para sempre o assombra. (presente) Lillian entra animada para dizer-lhe que ele encontrou a cura para o câncer em seus últimos experimentos. Ele corre para avisar a Izzi, mas ela está morta. Ele tenta reanimá-la, os médicos tentam impedi-lo, mas ele não desiste. Sai fumaça de sua boca. (futuro) Ele vira e há fumaça em sua boca. Ele percebe que a árvore está morrendo. E corre desesperado até ela. A nave passa a cortina da nebulosa. Caem flocos de neve na nave. [São as lembranças de Tom voltando] Ele olha para o chão e vê (presente) um campo de neve.
Cena 28: O Funeral de Izzi (presente) Lillian discursa no funeral. Ela diz que poucas pessoas conseguem crescer espiritualmente de uma maneira tão completa quanto Izzi. Tom está inconformado e deixa a cena. Ela tenta impedi-lo, mas ele diz que não vai descansar. Ele percebeu que a morte é uma doença e que vai encontrar a cura para ela.
Cena 29: A Tatuagem (passado) O guardião ataca o conquistador. (presente) Tom termina de ler o manuscrito de Izzi e a última frase diz: “Tudo o que ele via era a morte.” Ele está desconsolado. Ele vê a pena e o nanquim sobre a mesinha de cabeceira. Ele decide tatuar o anel que perdeu em seu dedo. [Também amo esta cena! Um show de interpretação do Hugh Jackman!] (futuro) Tom olha para a sua tatuagem no dedo e depois sobe a mão por todas as outras. Ele diz: “Por todos esses anos, todas essas lembranças, lá estava você. Você me puxou pelo tempo.” [A legenda em português para esta frase está errada no dvd!]
Cena 30: A Cura Para a Morte (presente) Tom entra no laboratório decidido a encontra a cura para a morte. Ele estuda os componentes da árvore anciã. Ele pede aos membros de sua equipe para conseguirem toda informação que eles tem sobre aquela árvore. Sua equipe não está assustada, mas no fim, eles acabam cooperando. Ele olha para o dedo tatuado. [Embora não seja mostrado no filme. Tom encontrou a cura para a morte e está 500 anos no futuro e cada um dos 500 anéis tatuados em seus braços representa um ano sem Izzi. E tudo isso que ele fez, foi motivado pelo desejo de encontrá-la novamente.]
Cena 31: A Nave Chega a Xibalba (presente) No laboratório Tom vê uma luz e olha pra cima. (futuro) Tom percebe que chegou a Xibalba. [Lembrando que o presente era somente uma lembrança] Ele abraça a árvore e lamenta por não terem conseguido chegar à tempo. A lembrança de Izzi volta. Ele não quer continuar. Ele não sabe o que ela quer lhe mostrar. E se ajoelha com medo. (passado) A rainha condescendente acaricia sua cabeça. Ele lembra das frases do livro. Mas não sabe como ele pode terminá-lo. Ela diz: “Você sabe, saberá”. Com essas palavras, ela mostra que Tom sempre soube que ela morreria, ele só não aceitava o fato. E essa era a mensagem que ela queria que ele entendesse com aquele livro.
Cena 32: “Eu Vou Morrer” (futuro) Tom lembra-se de (presente) Izzi saudável, dela morta, de que ela lhe disse que não tinha mais medo da morte. (futuro) Ele entende que precisa morrer. A lembrança de Izzi alegra-se, porque finalmente ele entendeu a mensagem. Presente, passado e futuro prometem que viverão juntos pra sempre. A lembrança de Izzi pede-lhe que termine o livro. E Tom finalmente concorda.
Cena 33: Final do Livro (futuro) Tom retoma suas lembranças, mas agora ele sabe o final para o livro de Izzi e para sua própria vida ao seu lado. (presente) Izzi convida Tom para ver a primeira neve e como em suas lembranças, ele diz que não. Mas agora ele percebe que estar ao lado de Izzi é mais importante. E vai ao encontro dela, reescrevendo suas memórias. (futuro) Ele corre em direção à arvore e atira-se para fora da nave, em direção a Xibalba na posição de Lótus [representando a consciência]. E em sua mente, escreve o final para o livro. (passado) Após Thomas ser ferido, e pela natureza de seu sacrifício, o guardião o reconhece como o Primeiro Pai, ou Senhor da Xibalba. O guardião oferece-se em sacrifício. Thomas o mata e entra no campo infinito onde está a Árvore da Vida. Ele enfia a adaga na árvore e vê que a seiva torna-se uma planta ao cair no solo. Ele passa a seiva em sua ferida e a ferida é curada. Ele então se enche de ambição e bebe a seiva gulosamente. (futuro) Ele tem uma visão de Xibalba e percebe que é hora de por o anel que lhe foi ofertado por Isabel, mas antes de colocá-lo, cai por terra, nascem-lhe ramos da árvore do estômago, conforme a antiga lenda maia. (futuro) Na bolha, Tom pega o anel [que deve ter encontrado depois da morte de Izzi] e o coloca no dedo. Xibalba morre e explode. Tom morre e seu sacrifício faz a árvore renascer.
Cena 34: “E Eu Serei Sua Eva” (presente) Izzi tira um fruto da árvore da vida. Ela o entrega para Tom quando ele foi ao seu encontro para ver a primeira neve. Esta cena não aconteceu de fato, porque Tom não foi ao encontro de Izzi para ver a primeira neve. Isso foi como ele reescreveu suas próprias lembranças fazendo uma analogia à história de Adão e Eva. Pois Isabel prometera tornar-se sua Eva quando ele chegasse àquele ponto. Na Bíblia, Eva presenteia Adão com o fruto proibido depois de provar dele. O fruto proibido representa a morte. Tom finalmente entendeu que só poderia estar ao lado de Izzi se também morresse, assim como Adão só poderia ficar ao lado de Eva se comesse do fruto proibido e se tornasse mortal.
Cena 35: “Juntos Viveremos Pra Sempre” (presente) Tom está na fazenda de Lillian, diante do túmulo de Izzi. Ajoelha-se e planta a semente já seca. [Tom deve ter conseguido a semente porque pediu aos seus companheiros de equipe para descobrirem tudo o que sabiam sobre aquela árvore da América Central. A semente da árvore cresceu e segundo a história de Moses Morales, o espírito de Izzi passou a viver nela, e 500 anos no futuro, Tom estava levando a árvore para Xibalba.] Tom despede-se de Izzi. (presente) Ele sussurra aos ouvidos de Izzi que terminou o livro e que agora tudo está bem. [Simbolizando o fato de que Tom e Izzi ficaram finalmente juntos, após a Morte]
Abaixo está a cena final do filme: uma das mais belas sequências que já tive o prazer de assistir!

::Ficha Técnica::
The Fountain, USA, 2006
»Diretor e Roteirista: Darren Aronofsky
»Gêneros: Ficção Científica, Drama, Romance, Aventura
»Duração: 96 minutos
»Trilha Sonora: Clint Mansell
»Fotografia: Matthew Libatique
»Direção de Arte: Isabelle Guay, Michele Laliberte, Nicolas Lepage e Jean-Pierre Paquet
»Figurino: Renée April
»Edição: Jay Rabinowitz
»Elenco: Hugh Jackman (Tomas Creo), Rachel Weisz (Izzi), Marcello Bezina (Conquistador), Alexander Bisping (Del Toro), Ellen Burstyn (Lillian), Mark Margolis (Padre Avila), Cliff Curtis, Sean Gullette, Donna Murphy, Ethan Suplee, Sean Patrick Thomas

16 comentários:

  1. de fato, uma obra-prima... pena ser relativamente "alternativo", conhecendo poucos adeptos. Mas é um dos meus filmes de cabeceira. Parabéns pelo bom gosto e pela belíssima resenha.

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  2. liu, estou esperando esse filme
    e o labirinto do fauno (eh isso?)
    achei interessante, qro ver logo, pra poder saber se realmente eh td isso que vc escreveu..hehe
    esperando os DVDs, bjooooooks!
    ps:o blog tah mt legal!

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  3. Rpz prefiro nem ler seus comentários por enquanto.. Vou ver o filme, pois é desse tipo.. inteligente.. quwe gosto.

    Abçs,



    Texto de hoje: CéRebRo...

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  4. Eu ainda não assisti,mas me interessei após esta ótima critica.

    O Layout novo ficou muito bom,ta cade vez mais agradavél visitar aqui.

    abraço.

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  5. Gosto de ler impressões artísticas deste nível.

    Em se tratando de um ponto de vista muito pessoal e peculiar sobre o filme, o mesmo foi feito de forma direta e precisa.

    Evitou-se expressões do tipo "eu acho", "talvez fosse", ou a odiosa "sabe né".

    Graças à este texto é que tentarei ver este filme.

    Ótimo trabalho! Parabéns!

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  6. Ah, gostei. É o tipo de filme que gosto, mas confesso que nunca tinha ouvido falar. Obrigada pela indicação.

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  7. Ainda não assisti este filme, mas Darren Arronofsky é um diretor com idéias inovadoras. Recomendo assistitem "PI" e "Requiém Para um Sonho". O primeiro uma grande viagem sobre matemática e religião e o segundo um drama fortíssimo sobre drogas.
    Abraço.

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  8. Obrigada pela dica...fiquei curiosa pra assistir ao filme...
    Adorei teu blog.
    Bjosss
    Fernanda Miranda
    http://cotidianoativobyfer.blogspot.com/

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  9. Eu assisti esse filme, mas não gostei tanto assim. Realmente é belo, com assuntos maravilhosos e faz nós pensar um pouco. Mas, faltou algo que não sei explicar. Como não sei explicar, continuo falando que o filme é muito bom e recomendo.

    Abs

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  10. Realmente é intrigante esse filme.Ficou melhor qdo li suas explicações. Admiro sua inteligência. ^^

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  11. Ontem revi o filme pela, sei lá, 10º vez. Só depois de tantas vezes sinto que estou compreendendo o filme totalmente. E espero que o motivo seja a complexidade da obra e não a burrice do espectador.

    Esse blog morreu, foi?! Cadê o ego do nosso escritor?

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  12. hehehehehe... o blog não morreu... só tenho tido bem pouco tempo para atualizar... mas prometo que ele terá bem mais atividade em um futuro próximo!!!

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  13. E à propósito, o filme merece ser visto tantas vezes sim... e vc é e sempre foi muito inteligente, mas de fato o filme é complexo e abre parâmetro pra muitas divagações de significado que podem embotar a compreensão da linha narrativa... e, além de tudo, eu não conheceria esse filme se não fosse você!

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  14. A Interpretação Final de The Fountain?

    (Parte1) Conversando com o amigo Eliude, autor do texto dessa página, cheguei ao que pode ser realmente a mensagem do filme. Digo "pode ser" pois falar que realmente montei o quebra-cabeça seria no mínimo prepotente da minha parte, se tratando dessa magnífica obra da sétima arte.

    É uma história religiosa, científica ou apenas abstrata? Se trata de reencarnação, evolução ou meditação? Bem, todas as teorias podem estar certas, porque The Fountain não tem um roteiro CONCRETO, PÁ! É isso e pronto! Não... Aronofsky (o diretor e roteirista) foi realmente um gênio em deixá-la ter várias interpretações criando algo não literal, como uma figura dentro de um prisma transparente, em cada ângulo ela parecerá diferente, mas ainda é a mesma figura.

    Assim é o filme, não importa se o livro escrito por Izzi é o passado distante deles ou apenas uma ficção que faz alusão à atual situação do casal para que depois de ela falecer (ou ascender), o marido aceite e, tentando terminar o livro, consiga encontrar A VERDADE e deixar de lado seu pensamento de que a morte era uma doença e tinha cura.

    Também não importa se as belíssimas cenas no espaço eram verdade e Tom tinha plantado uma semente em seu túmulo que o fez viver por mais de cinco séculos se alimentando da casca da árvore da vida com o espírito dela ou apenas fruto de sua subjetividade à todo vapor, tentando encontrar a LUZ no fim de túnel que o fizesse sair de todo sofrimento que passava.

    Ai você me pergunta: Como assim não importa meu?! TEM que ter uma interpretação certa véi! Então... acontece que como falei anteriormente, Darren escreveu a história já pensando nessas divergências na maneira de como cada pessoa veria o filme e tornou todas as formas CERTAS! Que mente brilhante, como você pode ver, no fim do filme todas as teorias se encontram e a mensagem se torna uma só:

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  15. (Parte2) Indiferentemente de ser um conquistador, médico ou astronauta, Tom era um homem que amava uma mulher e ao mesmo tempo confundia esse sentimento com POSSE. Mesmo sabendo da sua escolha em deixá-la ir ele tinha que achar a solução que era a melhor para ELE. E para evoluir desses pensamentos primários percorre uma longa e árdua jornada até alcançar a LUZ DA PLENA COMPREENSÃO SOBRE A IMORTALIDADE, que Izzi, sabendo que não teria tempo de mostrá-lo em vida, mostrou na morte, a partir do momento em que pediu-lhe para terminar o manuscrito.

    A história do livro mostra que o conquistador queria ser IMORTAL, mas ele não sabia o que era isso, portanto bebe sedento a seiva da árvore da vida, na esperança de viver para sempre na vida terrena com sua rainha, sem imaginar que a própria morte já era o próprio "viver para sempre"! Pois como Izzi diz a Tomas na cama do hospital: Quando o pai de Moses Morales morreu, uma árvore foi plantada em seu túmulo, quando um pardal comeu um fruto que nascia em seu galho, seu pai voou com os pássaros.

    Na hora pareceu ter sentido totalmente religioso, tanto que Tomas, cético, demonstrou repúdio a essas crenças. Mas até eu, sendo ateu, reconheço a sabedoria nessas palavras. Já que quando morrer, meus átomos transformar-se-ão em vida. É totalmente provável que tenhamos em nossa composição física fragmentos de milhares de outras pessoas ou animais.

    E foi isso o que o astronauta, num futuro muito distante (ou médico, no seu mundo interior durante os dias atuais), conseguiu compreender. Dizendo, feliz, em uma das cenas mais emocionantes que já vi na vida: I'm gonna die (Eu vou morrer). Em seguida escreve mentalmente o fim do livro, onde agora se entrega à fonte, ao invés de ser morto pelo guardião. Então na mais bela e destrutiva obra do universo, a supernova, ele morre junto com Xibalba e a árvore renasce, significando que o espírito ou matéria dos dois viverá para toda a eternidade, unidos. Talvez um dia, junto com os fragmentos no espaço também se tornem uma estrela.


    Se pararmos para pensar, a única pessoa que estava de fato doente alí era o Tomas! Cego pelo câncer chamado obsessão que lhe consumia pouco a pouco, fazendo-o deixar de aproveitar o pouco tempo que ainda restava à sua mulher. Outra ironia é que ele passa todo o filme tentando achar a cura para ela, mas no fim ele quem é curado.

    Por isso que eu realmente AMO The Fountain, um filme que mexe tanto com nossa connsiência não pode passar despercebido, quem for cinéfilo e conseguir entendê-lo, tenho certeza que não o deixará fora do seu Top 10 pelo menos.

    E se você não entendeu coisa alguma até ler essa resenha, saiba que não és menos inteligente que eu, já que demorei aproximadamente 9 meses para entendê-lo (acho eu) completamente. Como é um filme que, acredito, 0,01% da população mundial gostará, bem vindo ao seleto grupo de pessoas que gostam/amam tal fantástica criação do homem. É, por coisas como essa que ainda acredito que a humanidade, por mais fétida que atualmente pareça, tem salvação.

    Grato mais uma vez à você, Eliude. Se não fosse sua resenha eu nunca teria me forçado a escrever o que pra mim parece ser a mensagem definitiva do filme, que me deixou inquieto desde a primeira vez que o vi. Confesso, não entendi absolutamente NADA, mas já o tornei meu filme preferido pq, não sei se foi subconsciente, tinha certeza de que ele tinha a mensagem mais linda que já havia visto, só me faltava descobrir qual era.

    Herbert Câmara.

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  16. Amei cada letra de cada palavra, de cada frase de sua resenha... Difícil para um autor egocêntrico como eu admitir isso, mas eu não teria escrito algo mais claro ou melhor... E posso afirmar com certeza, foi o primeiro texto sobre The Fountain que eu li que de fato acertou na interpretação da história. E olha que eu já li muita coisa sobre o filme...

    Continuo achando que o enredo de The Fountain é definitivo (ele está de fato lutando com seus demônios interiores no futuro e demorou 500 anos pra compreender que somente morrendo poderia viver de verdade), mas, como vc disse, o filme foi elaborado de uma forma tão complexa (e simples), que permite que outras pessoas vejam algo completamente distinto qdo o observam de um ponto de vista diferente. (Amei a analogia da figura no prisma).

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