29 de julho de 2008

Filmes Que Recomendo: NÚMERO 9 (2007)

29 julho Escrito por Eliude Santos 13 comentários

Com Ryan Reynolds, Hope Davis, Melissa McCarthy, Elle Fanning, Dahlia Salem, David Denman e Octavia Spencer no elenco, o drama dirigido por John August é dividido em três atos. No primeiro, intilulado O Prisioneiro, Gary (Ryan) vive um ator em prisão domiciliar que imagina que a casa é assombrada e que pode estar sendo perseguido pelo número nove, e compartilha seus medos com a vizinha (Hope) e uma fã (Melissa) que está lhe ajudando a passar pela condicional. No segundo ato, intitulado Televisão Realidade, Gavin (Ryan) é um roteirista de tv que está tentando colocar seu programa no ar e que incentivado por sua agente executiva (Hope), precisa livrar-se da atriz que faz a personagem principal do show e que é sua melhor amiga (Melissa que, nesse papel, vive ela mesma, citando inclusive sua participação em Gilmore Girls). No último segmento Conhecimento, Ryan vive Gabriel, um afamado designer de vide-games que fica preso num parque com a esposa (Melissa) e a filha (Elle) e sai para procurar por ajuda e acaba encontrando-a em Sierra (Hope), uma estranha mulher que está caminhando na rodovia.
Com um argumento originalíssimo, "Número 9" amarra essas três histórias e cria uma nova mitologia metafísica que de fato me deixou impressionado com a capacidade desse talentoso roteirista, que também é o diretor desse drama de suspense excelente.
Somente para quem já viu o filme:
Muita gente pode ficar confusa ao assistir esse drama nem um pouco convencional, por isso, decidi explicar o argumento do filme para as pessoas que possam não ter entendido ou estejam simplesmente buscando uma confirmação de que não tenham de fato viajado na maionese:
    O filme utiliza-se de uma metáfora que remonta os mitos de antigos deuses, onde o personagem principal cria uma realidade no trançar das linhas de uma pulseira em suas mãos e, quando resolve destruir aquela realidade ele simplesmente arranca a pulseira e desfaz o trançado.
    Garry, Gavin e Gabriel são algumas das personalidades vividas por um dos "Noves", uma espécie de semi-deus responsável por criar realidades onde os humanos (que seriam os "Setes") possam viver. Por mais de 4000 anos ele foi criando universos para sua diversão. Essas realidades são criadas de pequenos cristais (cracks) e ele é viciado em fazer isso. Em cada universo esse semi-deus vive uma nova identidade, tentando fugir da própria. É como se tivesse de certo modo inveja de sua criação (os "Setes"), e passa a querer ser como eles. E sua habilidade como criador é tão grande que convence a si mesmo que é uma criatura, e precisa de outra deidade que o lembre de sua própria natureza. Então, outros três "Noves" como ele entram em sua realidade para tentar fazer com que perceba quem é (a loira, o policial e a prostituta). Eles estão tentando tirá-lo de seu vício para que ele retorne pra "casa", ou seja, volte a exercer seu papel de semi-deus criando realidades para os humanos sem tomar parte delas. Em todas as realidades, Melissa é a encarnação de seu vício em ser humano. É ela que o prende à sua condição pois desenvolveu amor por seu criador da mesma forma que ele desenvolveu pela criatura. Somente quando esse "Nove" entende que precisa desprender-se dela para assumir sua identidade superior ele se desprende do vício criando uma última realidade no melhor de todos os mundos possíveis para que sua amada criatura possa ainda ter existência longe dele.
    A última cena pode confundir algumas pessoas, que pensam que tudo não passou de imaginação da Melissa, que criara em sua cabeça todas aquelas realidades. Especialmente porque acham que a frase da executiva de tv para Gavin, dizendo que ele não é um "homem" está mais associada ao seu gênero (masculino>feminino) que à sua espécie (ser humano>semi-deus). E essa é uma visão muito simplista e limitada da história, inclusive porque não engloba muitos detalhes apresentados no filme e descarta a última frase da menina e o olhar de agradecimento da própria Melissa ao fazer o bolo com a filha e o novo marido. Assim, para quem interpreta o apalpar do rosto como uma constatação de personalidade (do tipo, "Eu sou mulher!"), eu diria que aquela cena na verdade é uma constatação de materialidade (algo mais do tipo, "Eu ainda existo!")
Confira o trailer do filme:
::Ficha Técnica::
The Nines, USA, 2007
»Diretor e Roteirista: John August
»Gêneros: Drama, Fantasia, Suspense, Ficção Científica
»Duração: 100 minutos
»Trilha Sonora: Alex Wurman
»Fotografia: Nancy Schreiber
»Edição: Douglas Crise
»Efeitos Especiais: LOOK! Effects
»Elenco: Ryan Reynolds (Gary, Gavin e Gabriel), Melissa McCarthy (Margaret, Melissa e Mary), Hope Davis (Sarah, Susan e Sierra), Elle Fanning (Noelle), David Denman (policial), Octavia Spencer (prostituta)

13 comentários:

  1. Oi!
    não vi o filme ainda, mas já vi o trailer. Me pareceu ser muito bom, vou assistir quando tiver oportunidade ;)

    Prinipalmente por causa da Melissa McCarthy... Adoro gilmore Girls

    Beijos

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  2. Ela está excelente no filme... Quem já assistiu Gilmore Girls vai ter uma agradável surpresa vendo o filme.

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  3. Opa, tenho visitado bastante seu blog Eliude. Cheguei aqui através de seu orkut, que encontrei na comunidade dos ENTP, da qual também faço parte. Interessei-me pelo o que vc escreve apos ler sua interpretação do filme "fonte da vida", apos ver que muitas das minhas viagens insanas de interpretação coincidiam com as suas.
    Li quase todos seus artigos aqui e tenho baixado os filmes que vc indicou na lista.
    Mas vamos a esse artigo... Baixei esse filme hoje. O vi e... não gostei tanto.
    Em "O Prisioneiro":
    *O crack o faz ver ilusões de si mesmo em outras realidades... A interferência da prostituta é sutil e não poderia ter conferido esse poder ao crack, afinal, foi ele que o criou. Por que então ele criaria algo que o confundiria e atrapalharia seu passatempo de fingir ser humano?
    *A parte em que a vizinha vai a casa em que Ryan está e menospreza os acontecimentos e sentimentos mundanos criados por ele, incêndio, amor... é boa. Mas não entendi porque ela sai tão apressadamente quando o bebe começa a chorar. O bebe supostamente faz parte dos domínios de Ryan e possivelmente é o seu subconsciente trabalhando para impedir que ela o acorde e interrompa toda a ilusão. Por que então ela não resiste? Acho que ficaria bom se ela continuasse a beijar-lhe até que ele parasse e dissesse:- O bebê está chorando! Daí que ela faz uma cara de aflita, concorda e se levanta para ir embora dizendo que mais tarde conversariam.
    *Diversas vezes o número nove aparece, o que ele queria com isso? Lembrar a si mesmo sua origem semi-deusa? Ou os outros semi-deuses tinham um poder forte o bastante pra interferir tão drasticamente no mundo que ele criou?
    *”Tudo vem de graça” diz a Melissa... Ele pergunta o que ela quis dizer e ela diz responde receosa que não era nada, que ela tinha pensado que ele era...Ela não diz o que. O que ela pensou que ele fosse?
    Na sala, depois do Ryan se decidir que todos aqueles noves não eram normais, conversando com a Melissa, sua obra-prima e muitas vezes quem representa o seu subconsciente, que ainda quer se manter no jogo, ela simplesmente revela a origem de Ryan. Incoerente. Deveria ser ela a dizer que os preços normalmente são cheios de noves e tentar inventar desculpas.

    Em "Televisão Realidade":
    Todas as interferências dos semi-deuses são sutis, a não ser a da Hope nessa parte. Ela entra de forma radical, interferindo diretamente no rumo da história. Mas, esse ainda não é o universo do Ryan? Não gostei disso. O autor poderia ter seguido a mesma linha de interferências elaborando algo sem que precisasse forçar a barra.

    Revi o filme inteiro enquanto escrevia isso. Procurei o “argumento originalíssimo”. Não achei.
    Resumidamente é a história de um semi-deus que cria diversos universos para viver e passar o tempo. Nesses universos alguns de seus personagens preferidos se repetem trocando papeis. Tudo corre bem e ele continua a se iludir até que, não se sabe porque, alguns de seus amigos, também semi-deuses, resolvem interferir na sua brincadeira e o acordar. Parte dele luta contra esses estímulos externos, impedindo-o de descobrir sua origem, mas este lado acaba fracassando. No fim ele cria uma realidade para seus personagens prediletos e se manda pra outra dimensão com seus amigos semi-deuses.

    Me diga onde está a mágica, por favor.

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  4. Rudy, amei seu comentário sobre o filme! Extremamente centrado e lógico!!! E concordo em grande parte com ele, especialmente na cena do bebê... sua edição dessa parte do roteiro deixaria a história ainda mais coerente.

    Eu amei "the nines", achei muito original a nova mitologia criada, ainda que não tão perfeitamente defendida, já que permite contra-argumentações tão concisas quanto as suas.

    Mas não acho que os pontos que vc citou interfiram na beleza de como a história é contada; no entanto, esses detalhes podem ter contribuído para que vc tivesse uma impressão negativa do filme.

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  5. Sei que parece um comentário meio "fora da época", visto que o post é antigo, mas eu só vi este filme agora, não o entendi e fui procurar por respostas plausíveis na internet.
    Realmente adorei ter lido suas informações e percebido que a minha noite de feriado em casa não foi em vão. ^^
    O filme é realmente muito bom, mas só pude ter esta concepção após vc ter me explicado!
    Muito obrigada e adorei o teu site.
    Amanda

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  6. Brigadão Amanda... Blogs giram em torno dos comentários dos leitores, por isso, comentários nunca são fora de época.... Você sempre será bem vinda por aqui!!!

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  7. Ola, tive q ver o filme de novo depois de ler seu comentarios, pq da primeira vez num entendi nada. Mas ainda num entendo algumas coisas , do tipo, pq as personagens dele (a gordinha e a criança) sabem quem são e quem ele é, e ele num sabe? o tempo todo elas sabiam... e a filmagem na camera da 3° parte, onde tem filmado as outras 2 versões dele, e a menina assiste, num entendi. E no começo do filme que ele bota fogo em uns ursinhos de pelucia na churrasqueira seria da menina? e na verdade a parte 1 é a do meio, e a parte 2 seria a primeira? ou tudo acontece ao mesmo tempo.... acho q vou ter q assistir denovo pra entender essas parte, mas se puder ajudar agradeço =]

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  8. Olá:) Acabei de assistir o filme, confesso que só entendi depois de encontrar seus comentários... foi muito legal, gosto mais do filme depois de tê-lo compreendido, e vou buscar outros filmes deste diretor/roteirista. Obrigada e parabéns pelo blog.

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  9. sem coerencia esse filme nada ver ,é muito confusoo , e muito oculto dificio de entender , vc fica perdio , não gostei muito

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    1. Dá uma lida no artigo e quem sabe clareia a sua visão do filme.

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    2. Adorei a explicação do filme!!! Vi hj pela terceira vez e como não entendia resolvi consultar o dr. Google. Obrigada. Giovanna

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    3. Fico feliz que tenha gostado, Giovanna. O filme é confuso mesmo, mas eu gosto, mesmo assim :)

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