3 de outubro de 2008

Orgulho versus Humildade

03 outubro Escrito por Eliude Santos , 3 comentários

É tão importante entender os limites do próprio ego quanto mensurar o alcance de nossa influência sobre os outros.

Sendo simples e sinceros e sempre procurando ter muito cuidado no uso das palavras, acabamos conquistando a atenção dos que nos rodeiam e o elogio de terceiros.

No entanto, mais importante que ceder ao impulso de sempre externar nossa visão de mundo como se fosse um olhar definitivo sobre a verdade, precisamos aprender a ouvir.

Ouvir o outro acaba sendo uma ferramenta importantíssima para impedir que nosso orgulho infle ao ponto de cegar-nos para o que realmente importa.

Neste contexto, o jargão de João Batista torna-se um lema inevitável: "Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas." (Marcos 1:7)

Em alguma esfera de nossas relações sociais, seja como pai, como filho, como amigo, como cônjuge, como chefe, como empregado, sempre encontramos alguma oportunidade de iluminar o outro de alguma forma. De modo que somos todos professores.

O papel de um professor não é engrandecer-se, mas tornar os alunos grandes.

Do mesmo modo que somos mestres em alguns círculos de nossas relações interpessoais, somos discípulos em outros. Às vezes, nos mesmos círculos somos ambos.

Como aprendizes, precisamos ter consciência do processo de crescimento e, mais importante, aceitar este crescimento.

Muitas vezes, no esforço de parecer humildes, muitos se curvam e são pisados pelos que lhes usam como degraus para subir a um patamar que não cabe a estes ocupar. Ou pior, boicotam-se achando que nada sabem e nada têm a oferecer, tornando-se carrascos do próprio crescimento.

Na verdade, ser humilde é sempre bom, no sentido real desta virtude, que nunca foi sinônimo de fraqueza. O que talvez aconteça muito frequentemente é a confusão de humildade com uma ignorância proposital (beirando a hipocrisia).

Alguém solta o elogio: "Nossa, você desenha muito bem!" E embora saiba que de fato desenha bem, querendo parecer humilde, você fala: "Que nada! Nem sou tão bom assim!".

Isto é fraqueza de caráter e não humildade.

O humilde sabe quem ele é, o quanto cresce, conhece suas habilidades e sabe usá-las de modo a iluminar outros para que cresçam de igual modo. Um humilde não quer ser melhor que os outros, mas sabe exatamente o quão bom consegue ser.

Uma boa resposta para aquele comentário seria então: "Obrigado! Se quiser te ensino. É fácil desenhar quando dedicamos nosso tempo a melhorar esta habilidade.”

O orgulho costuma colocar o orgulhoso num pedestal de modo que ele olha de cima para os outros, e avalia a si mesmo como se estivesse em um patamar superior em relação aos demais. Quando fala com os outros, o orgulhoso fala como se fosse maior do que eles. Os outros se sentem ofendidos e não lhes agrada ficar em sua presença.

Há ainda um outro tipo de orgulhoso que é aquele que não admite assumir uma posição hierárquica inferior e sempre critica aqueles que estão acima dele. Seu amargor e constantes reclamações ou sua ambição exagerada e mal direcionada faz com que os outros se sintam incomodados em sua presença.

É comum vermos pessoas orgulhosas passarem-se por humildes, tentando esconder seus talentos ou atribuir a outros o mérito de suas ações, mas torcendo por dentro para que alguém na plateia reconheça que o mérito é de fato todo seu.

Estes humildosos (falsos humildes) querem ser cultuados numa redoma de falsa perfeição. E, por causa de sua hipocrisia, criam parâmetros errados de conduta e ideologia para si mesmos, imputando-os aos que os seguem.

No entanto, uma pessoa realmente humilde entende que está num estado mais avançado, ou num degrau mais elevado que os outros; mas, ao comunicar-se com eles, coloca-se numa posição de igualdade. Sabe abrir os olhos do que está abaixo dele de um modo que sua grandeza seja percebida sem causar qualquer ofensa ou constrangimento. E não o faz para parecer grande, pois reconhece que seu papel é o de servir.

O humilde entende que a função de quem subiu um degrau a mais é a de fazer os que estão atrás dele subirem ao mesmo degrau. Ele nunca impõe sua ajuda, nem escarnece quem a rejeita. Apenas oferece. 

Clique aqui e leia um excelente artigo sobre "Orgulho"
publicado na revista
Ensign de Maio de 1989 por Ezra Taft Benson.

3 comentários:

  1. Acho que o humilde é cheio da paz e tranquilidade que dizem: Você não precisa impor, mostrar ou demonstrar isto ou aquilo, não será melhor pelo que parece ou deixa de parecer e ainda deve reconhecer que não importa o que aconteça sempre será necessário aprender.
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    Bom texto, ótimo blog, apenas um defeito: Excesso de marcadores para as postagens, tente ser mais pontual nas marcações.
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    www.preclusao.blogspot.com

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  2. Deixar-se pisar é ser conivente com o erro do outro. E quando somos coniventes, erramos junto.

    Ser humilde não significa ser fraco, sem opinião ou atitude.

    Ser humilde é não precisar esfregar quem você é na cara dos outros, pois eles já percebem quem você é por sua personalidade ser já tão definida e estável. Os verdadeiros humildes são fortes e enfrentam todas as situações com atitudes positivas.

    Dar a outra face só deve ser usado para ensinar o outro que o ato dele foi errado. Se não cumpre esse propósito, não é um ato de humildade, mas sim de fraqueza.

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  3. Na verdade, todos nós somos mais humildes em algumas situações e menos humildes em outras. O que não podemos é confundir humildade com fraqueza.

    O fraco vê uma situação difícil e desiste antes de tentar porque acha que não será bom o suficiente para alcançar êxito ao enfrentá-la.

    O orgulhoso vê uma situação difícil e se acha suficientemente forte para enfrentá-la. Geralmente consegue êxito e isso alimenta mais o seu orgulho.

    O humilde vê uma situação difícil e sabe que pode enfrentá-la, pois acredita que se não tiver forças para ser bem sucedido sozinho, não terá vergonha de procurar ajuda e aceitará apoio de outras fontes.

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