24 de janeiro de 2009

Meus Filmes Preferidos: DONNIE DARKO (2001)

24 janeiro Escrito por Eliude Santos 10 comentários
Donnie Darko
Donnie é um adolescente de 17 anos com sérios problemas emocionais. Por causa de seus distúrbios psicológicos não muito distantes da esquizofrenia, vive grande parte de sua vida sob o efeito de forte medicação psicotrópica. Num de seus delírios, é visitado por Frank, um rapaz numa bizarra fantasia de coelho que lhe diz a data exata do fim do mundo. Ao retornar para casa, Donnie descobre que uma misteriosa turbina de avião caiu sobre o seu quarto. A partir daí o filme segue os passos de Donnie em busca de um sentido pra sua existência nos 28 dias que antecederiam o suposto fim do mundo, predito por Frank. E acompanhamos seu relacionamento com a família, colegas de escola, professores e uma recente namorada.
Sem revelar muito do filme, para não estragar a experiência de quem ainda não viu, posso dizer que Donnie Darko é uma jornada de expansão da mente.
Desde as cenas iniciais que mostram o bairro de classe média onde ele vive às satíricas tomadas sobre as Escolas de Ensino Médio americanas, o filme é incrivelmente envolvente em todos os aspectos. De fato, cada imagem se comunica conosco de um modo mais profundo do que a maioria dos filmes consegue fazer. Em parte, isso se dá por causa das impecáveis interpretações de todo o elenco. Jake Gyllenhaal, um desconhecido na época, interpreta Donnie de maneira sutil mas com um peso emocional arrasador. Drew Barrymore também está excelente como a professora liberal que é cerceada e rejeitada por um sistema educacional vergonhosamente conservador. Enquanto Patrick Swayze satiriza um perturbador guru de auto-ajuda.
O filme desenvolve-se de maneira tão própria que classificá-lo em qualquer gênero que seja seria quase um insulto. Richard Kelly não deixa seu filme afundar nos clichês de um drama juvenil. Ao invés disso, faz um retrato realista da classe média norte-americana intercalado com flashes de uma surrealidade sci-fi.
Embora mostre projeções aquosas que saltam do peito das personagens e um coelho macabro que direciona os passos do personagem-título, se avaliado num nível emocional, o filme é extremamente humano. Mais drama que suspense, Donnie Darko rende surprendentes estudos de caráter e personalidade. Somos levados a nos perguntar se as visões de Donnie são conseqüência de uma mente paranóica poluída pela forte medicação que ingere ou se está de fato vivendo tudo aquilo. Sua gradativa percepção de que não há esperança e que deve seguir sozinho o seu caminho rumo a eternidade é belamente apresentada, do mesmo modo que o senso de paz e compleição interior que ele alcança a medida que sua jornada de 28 dias se aproxima do fim é uma mensagem definitivamente inspiradora. É um filme que transcende emocionalmente as convenções do cinema contemporâneo.
Num nível científico, os conceitos abordados em Donnie Darko têm rendido e renderão debates por anos e anos.
Se ainda não viu o filme, aconselho que pare a leitura por aqui.
Nos últimos minutos, quando uma versão cantanda por Gary Jules da música "Mad World" do Tears for Fears é seguida da imagem de vários personagens desabando emocionalmente ou contemplando suas ações, ouvimos a letra "Acho meio engraçado e meio triste que os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que eu já tive" e percebemos que ela retrata perfeitamente o estado de espírito de Donnie minutos antes. Além disso, as últimas falas do filme, sem nos dizer o que são, são profundamente significativas nos mais diferentes níveis e marcam o fim de um filme alicerçado na emoção, surrealismo e sutil beleza.
Acusado de ser pretencioso, Donnie Darko tem sido rejeitado por muitos pelos mais diferentes motivos. No entanto, isso não diminui a relevância temática, profundidade, e o caráter humano desse filme. Mas, a despeito de suas qualidades, muitos têm reclamado de não terem compreendido plenamente o argumento e os simbolismos apresentados.
No filme, Donnie recebe um livro de seu professor de Física escrito por Roberta Sparrow, uma curiosa figura de sua cidade que reclusa num mosteiro passou vários anos estudando sobre a Filosofia da Viagem no Tempo. Seguem trechos do livro que explicam grande parte dos estranhos acontecimentos acompanhados na narrativa:
Apêndice B - ilustração do livro de Roberta Sparrow
A Filosofia da Viagem no Tempo por Roberta Sparrow (Vovó Morte)
No capítulo inicial do seu livro, Roberta Sparrow explica que não sabe se seu livro é somente uma obra de ficção e pede ao leitor que experimentar qualquer coisa das descritas no livro, que entre em contato com ela (por isso ela sempre ia até a caixa de correio, esperando que o viajante do tempo viesse a qualquer momento contar as maravilhas de sua viagem).
O primeiro capítulo explica que há um universo primário, onde situações ruins prevalecem e uma quarta dimensão do tempo, onde tudo é estável. Quando essa quarta dimensão pode ser penetrada, o universo tangente dura apenas algumas semanas até destruir-se por completo. (o universo primário é a vida de Donnie onde tudo acontece normalmente; o universo paralelo é toda a narrativa do filme, onde várias coisas ruins acontecem e que deixa de existir com a morte de Donnie; a quarta dimensão é a história que se segue após a morte de Donnie, onde esperançosamente todas as coisas seguirão um rumo melhor do que tiveram).
No capítulo seguinte ela explica que água (tempestade que atinge o avião) e metal (a turbina) são os elementos que permitem a viagem no tempo, abrindo um portal entre as dimensões.
Quando um Artefato aparece (a turbina caindo no quarto de Donnie no início do filme) é um sinal de que um universo tangencial foi criado (por isso o coelho aparece dizendo quantos dias faltam para o fim daquele mundo ou universo que Donnie conhece).
O Receptor Vivo (Donnie) ganha um poder mental elevado e passa a ser atormentado por visões e alucinações.
Os Manipulados Vivos são as pessoas que ficarão vivas no universo tangente. Essas pessoas teriam uma relação de medo ou incompreensão em relação ao Receptor Vivo.
Os Manipulados Mortos são os que morrem no universo tangente (Frank, que é o namorado da irmã de Darko; e Gretchen, namorada de Donnie). Eles tem o poder de manipular o Receptor Vivo de modo a fazê-lo conduzir o Artifato ao Universo Primário, destruindo o Universo tangente.
No último capítulo de seu livro, Roberta Sparrow explica que os Manipulados devolvidos ao Universo Primário após sua jornada pelo Universo Tangente sonharão com sua experiência e alguns deles acordarão com uma viva lembrança (os que acordam chorando ou chocados) ou não lembrarão de nada de seus sonhos (como a Gretchen, que nem lembrará que conheceu Donnie) e seguirão suas vidas, modificados pelo efeito de seus sonhos.
O livro da Dr. Sparrow está nos extras do DVD (edição de colecionador).
Este é sem dúvida um de meus filmes preferidos e espero que essas informações despertem seu interesse para vê-lo; ou revê-lo com outros olhos, se já o viu sem permitir que a história se comunicasse de maneira mais profunda com sua alma.
::Ficha Técnica::
Donnie Darko, USA, 2001
»Diretor e Roteirista: Richard Kelly
»Gêneros: Drama, Suspense, Ficção Científica
»Duração: 80 minutos
»Trilha Sonora: Michael Andrews
»Fotografia: Steven B. Poster
»Edição: Sam Bauer e Eric Strand
»Efeitos Especiais: Amalgamated Pixels »Elenco: Jake Gyllenhaal (Donnie Darko), Holmes Osborne (Eddie Darko), Maggie Gyllenhaal (Elizabeth Darko), Daveigh Chase (Samantha Darko), Mary McDonnell (Rose Darko), James Duval (Frank), Arthur Taxier (Dr. Fisher), Patrick Swayze (Jim Cunningham), David St. James (Bob Garland), Jazzie Mahannah (Joanie James), Jolene Purdy (Cherita Chen), Stuart Stone (Ronald Fisher), Jena Malone (Gretchen Ross), David Moreland (Diretor Cole), Noah Wyle (Prof. Kenneth Monnitoff), Drew Barrymore (Karen Pomeroy), Katharine Ross (Dra. Lilian Thurman)

10 comentários:

  1. I'll never forget the day we watched it!!! It was the greates movie session ever!!! Great times... I miss them...
    Reading your post makes me want to watch the movie again!!
    Luv ya! =)

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  2. Maravilhoso esse filme. Tenho ele na minha coleção. Já perdi a conta de quantas vez olhei, mas toda vez que olho, eu penso o quanto é rara a vida e nós nunca estamos satisfeitos com algo.

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  3. Confesso que este filme "embolou os meus neurônios".

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  4. Donnie Darko é um filme incrível, vale a pena mesmo ver e rever ele.

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  5. Também já perdi a conta de quantas vezes eu vi esse filme, Rodrigo. É um filme incrível mesmo, e não me canso de ver...

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  6. O melhor filme que já vi... Quero essa edição do dvd.
    Já estou procurando aqui em alguns sites ;)

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  7. O melhor filme que já vi continua sendo The Fountain, mas Donnie é um filme incrível: roteiro, atuação, fotografia, direção, trilha sonora... tudo impecável!!!

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  8. Agora que prestei mais atenção aos fatos lendo esse texto, acho que Donnie entra pelo menos no meu TOP 25. Filmaço! :)

    Uma pena muita gente não ver por não gostar do ator principal, que na minha opinião não deixou absolutamente NADA a desejar.

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