29 de julho de 2009

Caridade e Fé

29 julho Escrito por Eliude Santos , 4 comentários
O certo seria dizer “fazer caridade” ou “ter caridade”? E o que quer dizer “ter fé”?

Sempre que ouço a frase “fazer caridade”, imagino que o emissor não compreenda plenamente a natureza dessa virtude, conforme definida por revelação aos antigos cristãos. Afinal, caridade é "o puro amor de Cristo", e sendo “amor” é, portanto, uma virtude que se sente ao agir e não a ação em si. De modo que ações benevolentes podem ser motivadas por algum sentimento menos nobre que a caridade e, sendo assim, tais ações não têm valor algum aos olhos de Deus.

Assim como o sexo pode ser feito com amor ou sem amor, o ato benevolente pode ter sido movido por um sentimento altruísta ou egoísta.

Caridade é o sentimento que acompanha a ação. Quando entendemos melhor este princípio, tudo fica muito mais claro.

Segundo os antigos, o amor pode ser classificado como romântico, fraternal e caridoso.

Feromônios são hormônios que funcionam como ímãs que fazem as pessoas sentirem-se atraídas eroticamente umas pelas outras. Quando esta sensação é associada a algum sentimento despertado após a primeira impressão, surge a paixão.

A palavra “paixão” significa “algo que passa”. Se as sensações de atração intensificam este sentimento mais em um do que no outro, o primeiro, motivado pelo medo da perda, age sem filtro algum de amor próprio, atirando-se de cabeça na fumaça desse proto-relacionamento.

A paixão é cega; e, por causa desta cegueira, idealizamos uma pessoa diferente daquela que está de fato ao nosso lado e isso resulta em sofrimento.

O sofrimento é gerado pelos poucos momentos de lucidez quando percebemos a pessoa real e nos decepcionamos com ela.

O tempo se encarrega de ir polindo este sentimento que pode vir a desenvolver-se num amor romântico, que é a capacidade de aceitar e conviver com as falhas, porque aprendemos a valorizar as qualidades do outro e tornamos o outro, parte de nós.

Este amor, ao contrário do que muitos pensam, não é cego. O amor romântico enxerga bem. E, por enxergar bem, conseguimos perceber as potencialidades do outro assim como seus defeitos. É um sentimento mais maduro e consciente.

Algumas pessoas confundem o amor romântico com paixão ou comodismo. Paixão é o sentimento que vem antes, comodismo é o sentimento que pode vir depois. Pois o amor romântico, se não for nutrido, pode transformar-se em amizade, que é o amor fraternal.

O comodismo amortece o amor, além de gerar infelicidade. Ele acontece quando percebemos mais as falhas que as qualidades do outro de modo que nosso olhar vai perdendo o brilho; mas, por estarmos já tão acostumados com sua companhia, não conseguimos imaginar-nos sem ela.

Um casal que percebe a chegada do comodismo pode criar circunstâncias que reacendam a paixão e façam voltar o amor romântico.

O amor fraternal por sua vez é aquele que desenvolvemos pelas pessoas que nos cercam. Ele está mais diretamente relacionado ao sentimento que nutrimos pelos membros da família, mas, quando nossa mente se alarga, e percebemos que somos todos uma grande família, estendemos esse amor a todos que nos cercam. Há quem sinta esse tipo de amor até mesmo por plantas e animais.

O amor fraternal amplia a capacidade de ouvir e favorece a empatia. Compreendemos os outros e percebemos que estamos todos de certo modo ligados. O amor é a verdadeira religião. Ele dá importância às ações daqueles que nos cercam e nos incita a querer direcioná-los para o bem.

O amor caridoso por sua vez é uma extensão desse amor fraternal, mas não está necessariamente relacionado ao nosso trato com os outros. Ele é o sentimento que nos motiva a agir. Podemos também chamá-lo de verdadeira intenção.

Quando aprendemos com os antigos cristãos que o "amor caridoso" ou "caridade" é "o puro amor de Cristo", devemos entender que tal caridade se refere ao sentimento que moveu cada uma de suas ações. Assim, observando todas as citações à caridade ou amor presentes nas escrituras, entenderemos que a caridade não é algo que fazemos, mas sim a intenção que nutrimos ao fazer. Pois mesmo que façamos tudo certo, se nossa intenção não é verdadeira, de nada nos adianta.

Caridade é a boa vontade que move nosso coração ao fazermos algo, portanto, é algo que “temos dentro de nós” e não algo que fazemos.

Mas como os antigos chamavam a “ação” propriamente dita? A ação, que é o verbo de nossas vidas, é chamada de “fé”.

“Ter fé” é que significa “fazer algo, construir ou agir na esperança de um resultado”. Portanto, ao contrário do que acabou virando senso comum, a palavra “fé” não é nem nunca foi usada como um sinônimo de “crença” em lugar algum das escrituras.

No livro de Éter (um dos livros do Livro de Mórmon, uma espécie de Bíblia escrita pelos habitantes da América pré-colombiana), lemos uma citação do próprio autor que diz: "Portanto, quem crê em Deus pode com segurança esperar por um mundo melhor" (Éter 12:4) Neste ponto, ele apresenta o primeiro conceito: “crença” (e não fé) gera “esperança”.

E ele continua: "sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus; e tal esperança vem da fé". Agora ele apresenta um segundo conceito: “fé em Deus” (isto é, agir conforme Ele agiria) gera a “esperança de viver ao lado Dele”.

Éter continua, "[e essa esperança] torna-se uma âncora para a alma dos homens, tornando-os firmes e seguros, sempre abundantes em boas obras (e mais tarde ele explica que as 'boas obras' são chamadas nas escrituras de 'fé em Deus')".

Aqui está o terceiro conceito: nossas “obras” (quaisquer que sejam: boas ou más) são chamadas de “fé”; nossas “boas obras”, em contrapartida, são chamadas de “fé em Deus”.

Tudo o que fazemos é motivado por algum tipo de “esperança”. Essa esperança vem da “crença” (qualquer que seja ela; afinal, podemos acreditar em verdades ou mentiras, e agir de acordo com essa crença, achando que estamos certos).

Quando nossas ações (nossa fé) são movidas por amor e esperança real (e não falsas expectativas), ganhamos ainda mais força (esperança) para continuar agindo.

A confusão acerca deste terceiro conceito é antiga. Temendo que Éter não fosse bem compreendido, Morôni (o historiador que fazia o resumo dos ensinamentos do antigo profeta) decidiu enfatizar essa distinção.

Lê-se mais adiante: "Quisera mostrar ao mundo que são coisas". Fé não é crença ou esperança. Fé são "coisas que se esperam", ou seja, coisas que fazemos por causa daquilo que esperamos receber em troca.

Como disse Tiago "A fé sem obras é morta em si mesma". Isso porque ela não é a crença em alguma coisa ou a esperança de que algo é real, mas a própria “ação”.

Quando não há ação, não há fé, já que a fé é a própria ação, de modo que só resta a crença. E no que a crença nos diferencia dos demônios se até eles mesmos creem em Deus? (ver Tiago 2:19)

A confusão entre conceitos e princípios também é antiga: o “conhecimento” é um conceito, a “crença” é um conceito, a “esperança” é um conceito; já a “fé” é um princípio, o “arrependimento” é um princípio.

Princípios são conceitos postos em prática.

É mais ou menos assim: Por observação, você tornou-se um pedreiro (ganhou conhecimento; o conhecimento é composto de verdades imutáveis). Você viu que a junção de tijolos com argamassa pode resultar numa casa (esta é sua crença; talvez, se você tentar explicá-la para outra pessoa ela ache isso um absurdo, afinal a crença pode sempre ser contra argumentada). Ao olhar para os materiais, você visualiza o resultado que pode ser alcançado e anima-se para o trabalho (esta é a esperança: a esperança é a visualização da recompensa; ela é sempre motivadora). Ao pegar o primeiro tijolo e enchê-lo de argamassa, você “começou a ter fé”, ou seja, você começou a “fazer” alguma coisa.

A fé é um princípio. É o que você faz baseado naquilo que você ainda não vê pronto, mas espera conseguir; ou seja: fé é ação motivada pela esperança.

"Pois não recebereis testemunho, senão depois da prova de vossa fé." (Éter 12:6)

O testemunho é o resultado do trabalho, a prova da fé. No exemplo dado, seu testemunho será a casa pronta.

Se substituirmos a palavra "fé" pelas palavras "trabalho", "obra", ou "ação", e se substituirmos a expressão "ter fé" pela expressão "fazer algo" ou pelo verbo “agir”, teremos uma compreensão bem maior do que de fato falam as escrituras sobre este princípio.

Ex. "O trabalho é a substância das coisas que se esperam, a evidência das coisas não vistas" (Hebreus 11:1)

"E Ele disse à mulher, tuas ações te salvaram" (Lucas 7:50)

"No que concerne ao trabalho, para fazer algo não é necessário ter um perfeito conhecimento das coisas, portanto se agis é porque esperais por coisas que não são vistas, mas que são verdadeiras" (Alma 32:21)

Sendo a fé a própria ação, e sendo toda ação um processo: nossa fé em algo termina quando cessa a ação para se atingir esse resultado.

Assim, um homem só tem fé em Deus enquanto está obedecendo seus mandamentos. A fé cessa por falta de perseverança (desistência) ou ao alcançar-se o resultado (no caso, voltar a viver com Ele).

Se minha esperança é conseguir comprar uma casa, minha fé será todo o trabalho que eu fizer para conseguir o dinheiro suficiente para comprá-la. Ao pagar o último centavo, ela será meu testemunho (prova) de que tive fé (ou seja, de que paguei o preço exigido para tê-la em meu nome).

Se minha esperança é ser saudável, minha fé será a prática de exercícios físicos e a ingestão de refeições balanceadas.

A fé é, portanto, o processo ou princípio pelo qual conseguimos qualquer coisa. E manifesta-se em todas as esferas da ação, sejam elas, físicas, materiais ou espirituais.

Quando encaramos a fé somente como algo espiritual, descartamos parte importante de seu significado e abrangência.

A fé necessária para a nossa salvação é a fé em Deus. As “ações” necessárias para nossa salvação são, portanto, as “obras” que, de boa vontade (ou seja, com “amor”) fazemos e nos aproximam mais do modo como Ele agiria em tais situações, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Ele.

A fé para vencer desafios ou alcançar objetivos que não estão relacionados à nossa salvação requer ações diferenciadas que nem sempre estão em acordo com aquelas exigidas por Deus. Ainda assim: havendo ação, haverá recompensa.

E isso explica porque certas pessoas progridem mais do que outras, ainda que não sejam exatamente justas. O resultado que alcançam está na fé que exercitam, ainda que não seja "fé em Deus" (ou seja, um homem pode tornar-se rico sendo desonesto. Sua fé não é baseada em Deus, mas na riqueza que acumulará em decorrência de suas ações mal-intencionadas). Onde houver ação, haverá recompensa.

Assim, "fé em Deus" não significa “confiança ou crença em Deus”; mas "ações motivadas pela esperança de tornar-se como Ele"; ou ações motivadas pela esperança de gozar de benefícios associados a esses atos, conforme explicados pelo próprio Deus nas escrituras. Ter fé em Deus é agir como Ele.

Desse modo, uma pessoa pode acreditar em Deus, e ainda assim não ter fé Nele (ou seja, não fazer as coisas que Ele faria).

Nesse contexto, um ateu cujas obras fazem dele um bom homem, mesmo negando a existência da divindade, tem mais fé em Deus que um cristão fervoroso que, embora estude regularmente as escrituras, não consegue viver à altura dos padrões que ele mesmo prega.

Quando nossa fé e a fé daqueles que nos cercam não é suficiente (isto é, quando já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e os outros nos ajudaram em tudo o que estava ao seu alcance para atingirmos algum objetivo aparentemente inalcançável, como curar-se de uma doença ou conseguir um emprego em época de crise) podemos solicitar a ajuda divina. E, desse modo, a fé precede o milagre.

Se a fé é a ação do homem, o milagre é a ação de Deus em nosso benefício. E Ele não agirá até perceber que se esgotaram todas as chances que tínhamos para sozinhos alcançarmos nossos objetivos.

Segue-se o processo:

1. CONHECIMENTO. Diante do conhecimento que nos é apresentado, que pode ser verdadeiro ou falso, escolhemos acreditar ou não. O conhecimento permite a crença ou descrença. E toda crença ou descrença é uma escolha.

2. ESPERANÇA. Quando escolhemos acreditar em algo é porque esperamos que aquilo seja de fato verdadeiro. A esperança gera uma nova escolha: a de ser ativo ou passivo diante dos desafios que o conhecimento nos apresenta.

3. FÉ. Se escolhermos ser ativos, faremos algo a respeito dos desafios que enfrentamos. Esta ação, motivada pela esperança naquilo em que acreditamos, é nossa fé. A ação pode ser feita com amor (verdadeiro intento) ou por algum outro motivo menos nobre.

4. MILAGRE. Quando nossas forças falham, se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e aquilo que buscamos é de fato importante para o desenrolar de nossa vida, a ação divina compensará o que não conseguimos fazer sozinhos. Um milagre não é uma coincidência ou algo que cai do céu. O milagre é uma intervenção.

5. TESTEMUNHO. A prova de nossa fé é o resultado de nosso trabalho.

Consequentemente, fé não é o que acreditamos; fé é o que fazemos.

No entanto, quando as pessoas dizem, "Tenho fé em Deus que tal coisa vai acontecer" elas pensam na palavra fé como sinônimo de “confiança”. Muitas ficam passivas esperando que aquilo que necessitam caia do Céu. E quando não cai, confortam-se dizendo, “Foi melhor assim. Se Deus quiser, as coisas mudam.”

As coisas não vão mudar se você não fizer nada a respeito.

Muitas pessoas creem em muitas coisas, mas isso não é fé. Isso é apenas crença, ou esperança. De modo que, até começarem a fazer alguma coisa a respeito, não existe fé.

A verdadeira fé das pessoas (ou seja, o conjunto de ações que fizeram durante sua vida) é o que gera seu testemunho (ou seja, o conjunto de coisas que conseguiram até agora).

Mas as pessoas que creem não gostam de pensar que não têm fé. Então, é muito mais cômodo para elas achar que andar com as escrituras debaixo do braço apontando os erros dos outros vai contribuir de algum modo para a sua salvação.

Claro que, como o próprio Morôni explicou, enquanto concluía o resumo dos ensinamentos de Éter, se não for de verdadeiro intento, a ação não tem força alguma e nem permanece.

Este verdadeiro intento a que ele se refere é a caridade, o amor por trás da ação, o amor que move a ação.

Pessoas sem amor até agem sob algum tipo de estímulo externo; mas quando a ação depende exclusivamente delas, a fé cessa. Falta-lhes a motivação verdadeira, o sentimento altruísta que impulsiona sua ação, a boa intenção em fazer. Falta-lhes caridade.

Então, se alguém achar que deve corrigir a forma como enxerga e se expressa sobre esses princípios, a melhor maneira de fazê-lo seria dizer que "exercemos nossa fé com caridade", e quando afirmamos isso estamos dizendo que "fazemos o bem com verdadeira intenção".


4 comentários:

  1. A melhor explicacao que eu vi ate agora sobre o que significa Fe, vem de voce. Suas palavras ja eram quase perfeitas, mas ficaram ainda melhores.

    Eu aprendi, e vi o verdadeiro significado de um e outro, do Ter e do Fazer, o que significa verdadeiramente a Fe, e que Obras sao seu sinonimo, atraves da sua capacidade nata de sintetizar as ideias. Eu, de certa forma, ja esperava que colocasse algo aqui, pois foi uma das mais geniais (dentre tantas) explicacoes e entendimento que li, estudei, vi e senti a respeito.

    Como voce diz e por experiencia propria, eh claro que ninguém edificará sua fé no coração, sem associar-se, com toda alma, ao trabalho, naquilo que o trabalho oferece de belo e de superior dentro da vida.

    Para alcançar a divina construção, não nos bastam os primores intelectuais, a eloquencia preciosa, o extase contemplativo ou a desenvoltura dos cálculos no campo da inteligência, que muitos de nos possuimos mas raramente as colocamos em pratica.

    Grandes genios do raciocínio são, por vezes, demônios da tirania e da morte. Admiraveis doutrinadores, em muitas ocasiões, são vitrinas de palavras brilhantes e vazias. O que nao acontece com voce certamente. E eu so tenho a agradecer por estar fazendo esse mundo melhor de toda e qualquer forma que pode, com suas escolhas e sensibilidade, e poder de escrita.

    Sobre a Fe e Caridade, muitos religiosos, freqüentemente, mergulham-se na preguiça a pretexto de cultuar a glória celeste e vomitar palavras de fe, justificando-se e julgando ao seu proximo. Famosos matemáticos tambem, não raro, são símbolos de sagacidade e exploração inferior.

    Mas o trabalho, fruto do labor que a eterna sabedoria nos confere, onde nos situamos, afeiçoando-nos à sua execução sempre mais nobre, cada dia, nos faz premiados pela grande compreensão, matriz abençoada de toda a confiança, de toda a serenidade e de todo o engrandecimento do espírito.

    A fe eh o trabalho, pois nasce do trabalho. Ninguem tem fe, se nao a faz antes.

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  2. eu adiel a segundo paragrafo do texto por que nao tem nada a ver com caridade

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  3. Anônimo, o segundo parágrafo está em perfeita harmonia com todo o conteúdo do texto. Apenas fiz uma ponte de comparação entre dois tipos diferentes de amor (o romântico e o caridoso). O que eu disse lá é que "fazer sexo com amor" é algo puro, que completa os dois indivíduos, pois envolve um sentimento de apreço profundo e mútuo; "fazer sexo sem amor" é apenas uma satisfação de instintos, é bom na hora, mas depois deixa uma sensação de vazio, não completa.

    Do mesmo modo, "ajudar com caridade" é desenvolver empatia pela necessidade do outro a ponto de ajudá-lo sinceramente. Os sentimentos envolvidos em tal ação fazem com que ambos se sintam felizes e realizados. "Ajudar sem caridade" é uma ação fria, feita geralmente para se ter reconhecimento público, não traz sentimento de plenitude nem pra quem dá nem pra quem recebe.

    Usei essa analogia para explicar que caridade não é algo que se faz, mas algo que se sente, pois caridade é amor, e amor é sentimento. E, quando nossas ações estão cheias desse sentimento, elas nos completam, nos tornam melhores.

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  4. Não podemos confundir as semânticas das palavras.
    Sei que eu preciso aprender mais sobre.
    Obrigado por esclarecer o termo "caridade". abçs

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