8 de dezembro de 2012

A Homossexualidade Vista Como Pecado

08 dezembro Escrito por Eliude Santos , 3 comentários
"Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita (homem que se deita com outro homem) dentre os filhos de Israel." (Deuteronômio 3:17)

De acordo com as religiões de raiz judaico-cristã, todos nós experimentamos pecados. E qualquer tipo de pecado tem como salário a morte. Por isso, todos somos mortais.

Antes que alguém clame que estou agindo com discriminação por associar a homossexualidade ao conceito judaico-cristão do "pecado", quero primeiramente esclarecer o significado da palavra "discriminação": discriminar é separar, isolar. E, como eu disse acima, segundo tais crenças, TODOS somos pecadores. O pecado é, portanto, o que nos torna humanos e mortais, é o que nos iguala a TODOS. De modo que não há nada mais inclusivo que o pecado. Inclusão é o oposto de discriminação.

Tal visão, compartilhada por Cristo ao defender a mulher adúltera prestes a ser apedrejada mostra que o pecado é uma característica intrínseca à natureza humana e não torna a pessoa boa ou má, melhor ou pior. 

Essa visão maniqueísta de que o pecado torna o pecador uma pessoa ruim destoa totalmente do padrão de julgamento divino.

Mas o que é pecado, afinal? 

As escrituras estabelecem um padrão celestial de existência. Deus diz: "Para morar comigo, vocês precisam ser como Eu sou". E então diz tudo o que devemos fazer para ser como Ele é. Só que Ele nos conhece e sabe que nem tudo o que nos pede conseguiremos fazer; e, se fizermos, nem sempre será de livre e espontânea vontade. E quando Ele percebe que estamos agindo contra nossa verdadeira vontade ou índole, considerará como se não tivéssemos coisa alguma, mesmo que a ação tenha sido realizada.

Por esse padrão, todos estariam condenados a viver longe Dele, pois para viver ao Seu lado, precisariam agir como Ele age. O padrão de leis que Ele vive é o tipo de comportamento que nos torna menos humanos e mais divinos. No entanto, só funciona quando promove felicidade. 

Aí entra a condescendência divina. Ele criou outros céus com níveis diferentes de glória (felicidade) para que aqueles que não se adequam ao Seu padrão divino possam viver em felicidade num ambiente (céu) em que não precisem ser quem eles não são de fato. 

Pecado é, portanto, o que define nosso padrão pessoal de felicidade sempre que esse padrão pessoal destoa do padrão divino. 

No entanto, alguns pecados são considerados tão graves, que se tornam crimes, pois invadem a liberdade e impedem a felicidade de outros ainda aqui na Terra. 

Qualquer tipo de preconceito é pecado, mas a expressão agressiva desse preconceito é crime, seja de um lado ou de outro dessa guerra: ou do religioso que agride o homossexual por achar que ele é uma abominação aos olhos de Deus (por falta de habilidade interpretativa ou simplesmente por má índole do agressor); ou do homossexual que acha que tudo é homofobia e acaba ferindo o direto do religioso de expressar seus pontos de vista.

Quanto mais compreendermos os conceitos divinos e nos fizermos claros sobre eles, mais teremos e promoveremos felicidade, pois a verdade, de fato, liberta.

Pecado é algo que define as diferenças de comportamento em níveis de glória distintos. Existem leis celestiais, terrestriais e telestiais para céus celestiais, terrestriais e telestiais (aprende-se mais detalhadamente sobre isso nos templos mórmons). 

As leis que regem um mundo celestial (que é o tipo de mundo onde Deus vive) são chamadas de leis divinas. Qualquer comportamento que não seja vivido nesse reino de glória será considerado "pecado" dentro dos limites dessa lei. O que não significa que tal comportamento não seja aceito num reino de glória diferente. 

Há certas coisas que são pecados na lei celestial e que não são na lei de um reino de glória terrestrial, do mesmo modo que outras ações são consideradas pecado nos reinos de glória terrestrial e não são nos de glória telestial.

"Pois, mudando-se o sacerdócio, obrigatoriamente, ocorre também mudança de lei." (Hebreus 7:12)

É como nos Estados Unidos em que o país tem uma Constituição, mas cada estado tem uma Jurisdição com suas próprias leis. As leis maiores regem todos os Céus, e estas foram declaradas por Cristo como se fossem uma Constituição cósmica: “Amar a todos e agir de modo que este amor seja percebido em nossas ações tanto na Terra como no Céu, abstendo-se de julgar o outro e reconhecendo nossas próprias fraquezas a fim de nos tornarmos as melhores pessoas que conseguimos ser.” Cada jurisdição nos diferentes Céus entenderá o amor e essas melhorias de um modo diferente e será regida por leis específicas que promoverão harmonia em cada Estado. Assim, uma pessoa que não se sente plenamente feliz na obediência às leis de um Céu, terá outros Céus que se adequarão à sua visão de felicidade.

É por isso que lemos em alguns lugares na Bíblia que um homem deve ter somente uma esposa, e em outros lugares os próprios profetas tinham centenas de esposas, como Davi ou seu filho Salomão, ou ainda que homens fizeram sexo com suas próprias filhas e ainda assim foram justificados pela lei, como Ló. 

Diferenças na ordem sacerdotal fazem com que leis diferentes sejam dadas aos homens de tempos em tempos, e o conceito de pecado entre os homens muda. Mas o fato é que o que é pecado na lei celestial, sempre será pecado num reino celestial, pois o sacerdócio que rege aquele reino sempre será um sacerdócio celestial. Do mesmo modo, o que é pecado na lei terrestrial sempre será pecado num céu de ordem terrestrial, pois o sacerdócio que rege aquele céu sempre será o mesmo; e por fim, em céus telestiais há diferentes ordens sacerdotais e portanto, leis diferentes o que implica em conceitos diferentes do que não é permitido para se conseguir viver em felicidade ali.

Há níveis diferentes de glória (felicidade). E o que é pecado num céu (reino de glória, lugar onde se pode ser feliz), pode não ser em outro. Desse modo, os nossos atos definem onde será nosso céu. Pois o que causa desconforto é o desencontro de princípios. 

Se uma pessoa vai de terno para uma praia tropical, será vista com espanto pelos frequentadores do ambiente, do mesmo modo que uma pessoa haveria de ser criticada se entrasse de sunga durante um serviço religioso em uma igreja qualquer. 

Não se pode forçar seu padrão de felicidade a um grupo que não comungue dele.

As leis que determinam a natureza de um ser de glória celestial foram, são e sempre serão as mesmas. A gente não precisa mudar as leis deles, a gente precisa encontrar o céu cujas leis se adequam aos nossos padrões de felicidade. 

Cada céu tem leis que se harmonizam com o papel que os seres que ali habitam exercem no Cosmos (sacerdócio). 

Há papeis diferentes, leis diferentes e glórias diferentes, todos associados a níveis de felicidade diferentes, intimamente ligados à busca de autoconhecimento de cada indivíduo.

O pecado determina onde nos encaixamos nessa engrenagem toda. O pecado é um desvio. Não é necessariamente bom ou ruim. 

Vamos dizer que eu queira chegar a Campinas mas tomei a estrada errada e fui parar em Jundiaí. O desvio me leva a uma situação de crise que me aponta quatro saídas:

Perceber que aquele não era o meu objetivo inicial e retomar o curso da viagem (arrependimento);

Perceber que aquele não era o meu objetivo inicial, mas enxergar as vantagens do novo destino (adaptação).

Não perceber onde aconteceu o desvio e sentir-me perdido (ignorância + culpa = depressão).

Não perceber onde aconteceu o desvio e achar que cheguei ao destino inicial mesmo havendo placas e sinais indicando o contrário (ignorância + orgulho = distorção da verdade).

Assim, o modo como reagimos a tais desvios demonstra o tipo de felicidade que buscamos, e portanto, em que reino de glória melhor nos encaixamos.

No íntimo, todos temos tendências que cultivamos em nossa vida pré-mortal em decorrência das escolhas que fizemos lá. Alguns têm maior tendência ao orgulho, outros à humildade; já há os que têm maior tendência à ingenuidade, outros à malícia. A homoafetividade é uma tendência, assim como a heteroafetividade é uma tendência. Tendências de qualquer tipo não são pecados. Um homem pode ter tendência à homossexualidade e ser aceito no reino celestial por ter vivido a lei celestial em sua plenitude e encontrado felicidade na vivência dessa lei. Outro pode ter tendência à heterossexualidade e ser qualificado para um outro céu por não ter se adequado às leis daquele reino. 

Para alguém que tem uma tendência, o oposto dessa tendência sempre lhe causa asco, apreensão ou pena, até que ele ganhe conhecimento (verdade) a respeito da tendência oposta à sua, e essa verdade lhe liberta do preconceito adquirido. 

Um homossexual "não" deve se sentir ofendido caso um hétero sinta asco por sua conduta, pois ele mesmo (o homossexual) se sentiria inadequado se fosse exposto a uma situação de contato sexual com alguém do sexo oposto. Somente um bissexual se adequaria às duas tendências de tal modo que tanto o exercício de uma quanto da outra lhe pareceriam prazerosos. 

Assim, se não somos bissexuais: ou desenvolveremos empatia ou preconceito.

A empatia é uma conduta divina. Um hétero ou gay empático é alguém que ganhou conhecimento suficiente sobre o assunto ao ponto de compreender a tendência do outro de tal modo que aquilo não lhe ofende, nem causa asco, pena ou choque. Ele não precisa praticar tal tendência para entender e respeitar a decisão de viver de acordo com ela.

Um homossexual sem empatia acha que todo hétero só é hétero porque nunca experimentou o ato homossexual. Um hétero sem empatia acha que a homossexualidade é resultado de experiências heterossexuais mal resolvidas ou por falta de vergonha mesmo. 

Em ambos os casos, o preconceito mascara a verdade sobre uma ou sobre a outra condição.

Nem todo mundo se adequará aos padrões divinos, e esta é uma verdade que não se pode negar. Então, que essas pessoas que não se adequam aos padrões divinos tenham liberdade para viver o padrão mais elevado que consigam viver e sejam felizes desse modo. Assumir sua verdade, entender-se e aceitar-se, desde que não seja um ato de comodismo, será a coisa mais acertada que alguém pode fazer.



3 comentários:

  1. "O preconceito mascara a verdade"
    Disse mto bem =]

    leo

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  2. Texto original de 16 de Julho de 2011, editado em 08 de Dezembro de 2012. Obrigado a todos que leram e comentaram a respeito tanto aqui no blog como nas redes sociais.

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