16 de julho de 2011

O Mundo Espiritual

16 julho Escrito por Eliude Santos 8 comentários
A vida após a morte é uma realidade para a grande maioria das religiões espalhadas pelo mundo. Embora cada uma tenha sua visão particular do que se passa além do véu (da desencarnação), muitas concordam nos aspectos mais básicos.

Depois de desencarnarem, os espíritos dos homens são julgados de acordo com sua própria consciência e seguem seu progresso aqui mesmo na crosta da Terra.

Há várias dimensões espirituais. No entanto, os espíritos menos evoluídos preferem ficar nos ambientes onde viveram quando encarnados. 

Outros conseguem se desligar e são conduzidos ou atraídos para regiões espirituais compatíveis com sua evolução e merecimento.

Esses espíritos que ficaram presos a prazeres carnais e/ou a situações mal resolvidas em vida não conseguem evoluir para dimensões mais elevadas por causa de suas culpas e/ou omissões durante a vida. Vivem então num estado de prisão espiritual, ou seja, zonas espirituais de sofrimento, desequilíbrio e aflições. Espíritas chamam essas zonas de umbrais; católicos, de purgatório; evangélicos, de inferno; e mórmons referem-se a elas como prisão espiritual. Mas, em essência, são diferentes pontos de vista sobre a mesma realidade: um período de adaptação à nova condição.

Mas a permanência desses espíritos nas regiões de sofrimento não é eterna. Sempre que algum deles muda de atitude e pede ajuda divina, acaba sendo socorrido por falanges de espíritos benfeitores que trabalham naquelas zonas de purgação. 

Esses espíritos mais elevados podem ter níveis diferentes de entendimento a depender de sua religião e experiências pós-morte.

Enquanto nossa vida na mortalidade será mais fácil ou mais difícil a depender de nossa classe social e do modo como lidamos com as oportunidades que nos são apresentadas; no mundo espiritual, tais classes são determinadas pelo grau de evolução de cada espírito, de modo que há ambientes de imensa beleza, paz e harmonia, assim como ambientes de escuridão e tristeza que refletem o estado de espírito de quem ali habita.

Mas tais lugares não devem ser confundidos com aquele céu etéreo e inferno flamejante que é ensinado pela maioria das religiões.

É muito difícil, enquanto nos manifestamos através do cérebro físico, aceitar a ideia de um mundo espiritual invisível e intangível aos nossos sentidos, onde são desenvolvidas inúmeras atividades, onde há instituições como escolas, igrejas das mais diferentes crenças, hospitais, postos de socorro, residências, governadorias, etc.

Talvez essa dificuldade seja ainda maior porque não nos acostumamos a questionar. 

As religiões nos falam em céu e inferno, em Deus, em anjos, arcanjos e outros seres que não vemos e cuja presença não percebemos. 

Se eles existem, mas são invisíveis e intangíveis a nós, por que não podem existir outras tantas coisas e seres que não vemos, nem percebemos?

Centenas de espíritos têm contado, através de psicografia ou revelação direta, as suas experiências no mundo espiritual. Eles dizem que, para eles, seus corpos e também os novos ambientes lhes parecem tão consistentes e tangíveis quanto os que experimentamos aqui na Terra, embora se sintam bem mais leves.

Também as pessoas que se desdobram, ou fazem “viagens astrais”, falam sobre os ambientes que encontram no mundo espiritual, nas faixas mais próximas de nós. Elas dizem que esses ambientes são bastante semelhantes aos nossos, tanto que, por vezes ficam em dúvida se estão na Terra ou na dimensão espiritual.

Toda a nossa existência é regida por leis muito sábias, perfeitas e justas, que sempre nos levam a colher exatamente aquilo que semeamos. (Se não nesta existência mortal, mais adiante nos estágios por vir). 

Foi por isso que Jesus afirmou: “A cada um será dado de acordo com suas obras”. 

Essas leis geram os mecanismos de causa e efeito pelos quais toda ação provoca uma reação semelhante. 

Assim, ao desencarnarmos, vamos encontrar na dimensão espiritual condições boas ou más, de acordo com o uso que fizemos dos bens que a vida nos concedeu, com as ações que praticamos e também com as nossas indevidas omissões, tudo isso, em harmonia com o nosso próprio padrão de justiça.

Há um velho e sábio ditado que diz: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”. Esta é uma verdade cósmica. Portanto, quando passarmos para o mundo espiritual através da morte, vamos colher exatamente o resultado de tudo que aqui plantamos. 

De nada valerão os “pistolões” espirituais, tais como missas, orações, novenas, remissões e outros atos semelhantes, porque toda pessoa responde por suas próprias ações e não há como burlar essa lei; não há como enganar a Deus.

A morte, na verdade, conduz cada espírito para a situação ou faixa vibratória apropriada e merecida.

A vida é um processo de descobertas, de percepção, de crescimento. Se essa evolução não acontece nessa esfera mortal, acontecerá na espiritual. Apegar-se à mortalidade gera sofrimento e é prejudicial à evolução. 

O espírito liberto da carne deve libertar-se também de todas as condições materiais e reiniciar suas experiências, atividades e aprendizados no mundo espiritual, visando sempre seu crescimento, sua evolução como ser cósmico que é.

Os espíritos que não conseguem afastar-se dos bens terrenos (casa, móveis, trabalho, amizades e curtições) geralmente permanecem imantados aos ambientes onde viveram. 

As mazelas, problemas e doenças que os perturbaram antes de sua desencarnação permanecem vivos em suas mentes, projetando-se em seus corpos espirituais. 

Com isso, eles continuam sentindo as mesmas dores e angústias de seus últimos tempos na Terra, e seus sofrimentos repercutem também nas pessoas sensíveis das quais se aproximam.

A matéria astral é muito plástica e os ambientes espirituais refletem a beleza ou feiura do que vai no íntimo dos seus habitantes. 

Há muitos relatos dos espíritos sobre essas regiões vibratórias mais elevadas. Não se trata apenas dos aspectos de beleza, mas da elevada vibração que ali é uma constante. 

Muitas pessoas de grande sensibilidade percebem a presença de espíritos mais evoluídos com tanta intensidade e numa forma tão divinal que não conseguem reter as lágrimas. 

São presenças maravilhosas, irradiando tanto amor, júbilo e paz, que as palavras não conseguem registrar.

Mas não se pense que nas zonas superiores se desfruta de repouso. Conforme informações dos espíritos, quanto mais evoluídos, mais eles trabalham e nesse trabalho está o seu prazer, a sua realização.

Nos relatos de espíritos que narram sua ida ao mundo espiritual, há sempre o componente do trabalho. 

Logo que tenham se recuperado dos traumas da desencarnação, começam a sentir necessidade de atividades. 

Muitos voltam a estudar, porque lá também há escolas, universidades, etc. Outros pedem trabalho que lhes é fornecido de acordo com suas capacidades e aptidões. Mas por lá também há lazer, dependendo também dos gostos e projetos evolutivos dos habitantes.

Na verdade, o espírito também é matéria (Uma matéria energética ainda mais refinada que a complexa rede de neurônios que forma nosso sistema nervoso central e periférico). 

A relação entre a matéria física e a matéria espiritual é muito próxima, de modo que é o espírito que comanda toda a ação cerebral; assim como, tudo o que altera as funções naturais do cérebro, também altera o equilíbrio de nosso próprio espírito. 

Esse espírito é um ser material tão tangível quanto o corpo físico que o circunda e preenche, mas invisível ao nosso olho natural.

Todos os espíritos desencarnados que tiveram vícios ou cometeram erros que de algum modo deixaram sua mente perturbada aqui na Terra e não conseguiram administrar estes sentimentos de um modo positivo durante sua vida mortal, levam essa perturbação para o mundo espiritual. 

Lá eles terão oportunidades de expiar seus próprios erros (e essa purificação só será possível se eles se submeterem ao sofrimento exigido pela justiça cósmica); ou eles encontrarão algum meio de satisfazerem seus desejos (ou substituindo-o por outros vícios mais abstratos, ou conectando-se a seres mortais que lhes permitam gozar do que esses espíritos não têm acesso em sua esfera de existência).

O fato é que os danos espirituais de vícios de qualquer sorte são ainda mais perigosos que os danos carnais. De modo que, livrar-se de tais vícios nesta vida, embora doloroso, é ainda o melhor caminho.

Assim como alguns espíritos podem vencer obstáculos que impedem seu crescimento no mundo espiritual, há também a possibilidade de que espíritos de luz sejam confundidos pelas trevas e decaiam de sua posição elevada. Infelizmente nem sempre essa queda é reversível. 

No mundo pré-mortal, Lúcifer era um exemplo de um ser de luz semelhante a Jeová (nome pré-mortal de Jesus Cristo) que tomou exatamente o caminho oposto do segundo. 

Na mortalidade, Davi foi um profeta que, por amor a uma mulher casada, cometeu assassinato e amargou sua queda em centenas de salmos de arrependimento. 

O mesmo se dá na vida pós-mortal.

Quando alguém que amamos muito sofre tal queda, isso nos causa uma dor imensurável. Nos sentimos com as mãos atadas. Mas com perseverança, muitas quedas são reversíveis, e essa é a magia do arrependimento, da misericórdia e do perdão. Então, podemos sempre esperar pelo melhor.

Como este mundo espiritual fica situado aqui na Terra numa dimensão de matéria distinta da nossa, pessoas mais sensíveis podem abrir caminho para a comunicação entre essas duas dimensões. 

Vemos que a influência dos espíritos é muito presente na vida daqueles que se abrem para ela. Não somente entre os espíritas e espiritualistas, mas entre os pentecostais e evangélicos, e agora entre os católicos pós movimento carismático — a presença de espíritos que influenciam suas decisões é cada vez mais frequente.

Há muitos espíritos que seguiram a Lúcifer e alguns deles agem como líderes de espíritos desencarnados, dando-lhes orientação dentro do nível de verdade que abraçaram. Alguns desses espíritos podem influenciar os encarnados, utilizando-se de sua mediunidade. 

Há muitos desencarnados que se utilizam desses meios para sentirem-se úteis, ou para satisfazerem seus apetites carnais, de acordo com o nível de evolução espiritual que eles tenham.

No entanto, o tipo de relação que eles têm com os vivos é bem restrito. 

Há muitas leis que envolvem esse tipo de comunicação. Na história de Lázaro e o homem rico, aquele que está na prisão pede para ir comunicar-se com sua família, mas é-lhe proibido fazer tal contato. Ele obedece, pois percebeu o estado de miséria em que se encontra e iniciou seu processo de expiação. Foi-lhe respondido que sua família já tinha os "profetas", e por isso ele não precisava ir falar com eles.

No entanto, outros espíritos que seguem diretrizes diferentes acabam não acatando as leis que controlam esse tipo de comunicação, simplesmente porque elas não lhes são passadas. Até porque, os líderes que eles buscarão ali terão uma visão diferente em decorrência de sua condição espiritual e do propósito de sua existência.

Assim, quanto mais amplo é o nosso conhecimento da verdade universal, maiores chances de crescimento espiritual teremos ao deixarmos nossa vida mortal. 

Devemos questionar dogmas e conhecer as leis e decidir por nós mesmos quais delas aplicam-se a nós, compreender os padrões de felicidade que orientam nossas decisões para ganhar segurança de quem somos e do que é esperado de nós. 

Quanto mais conceituais nós formos, mais ajudaremos a criar um panorama da verdade. 

O evangelho é uma colcha de retalhos gigante. E pequenos retalhos podem fazer uma grande diferença na visão inteira dessa colcha.

8 comentários:

  1. Sempre questionei muito as coisas, me lembro de levar uma bronca aos cinco anos de idade por estar convencendo meus colegas de jardim a não acreditar em Deus, porque náo podíamos vê-lo nem sentí-lo. Tudo era obra do Big Bang (meu pai o havia me mostrado em um livro).

    Me considero atualmente ATEU, mas creio que possa existir sim um mundo espiritual, só que não como a maioria das pessoas acredita. Acho que pode ser algo totalmente explicável cientificamente algum dia.

    Energias desconhecidas e primitivas, nós, seres humanos limitados podemos estar longe ou talvez nunca as descobriremos, por isso que acho pura prepotência ou ignorância qualquer criatura no mundo afirmar uma coisa de pé no chão, tudo é relativo quando se tem ciência do próprio limite. Mas que estamos aqui por um motivo estamos, não sei se sendo estudados ou gerando energia para seres superiores de tecnologia avançada (haha tô vendo muito Matrix).

    Como alguém que adora questionar as coisas acho no mínimo desesperador e inquietante não saber o porquê de acordar de manhã, amarrar os cadarços e sair na rua sem nem saber porquê estou fazendo isso.

    No auge de minha adolescência, aos 16 anos, vivia pensando em suicídio. É, já que não existe nada, acho minha vida uma merda e não há a minima possibilidade receber uma punição porque eu não entro no carro do meu pai, ponho uma mangueira no escapamento e morro dormindo inalando CO2?! Vivia pesquisando na internet lugares que vendessem a tão sonhada morte tranquila chamada Cianureto de Potássio. Adolescentes...

    Ainda bem que o pouco juízo que tenho não me deixou ir à fundo nessa ideia tosca, já que desde então passei por muitas experiências que me fizeram pensar o quão idiota eu teria sido se tivesse me furtado a viver tais momentos.

    De qualquer maneira, existindo algo depois ou não, o que quer que tenha nos colocado aqui foi sábio em não nos revelar pelo quê exatamente vivemos. Assim aprendemos a dar mais valor a esse curtíssimo e raro período de tempo e aprendizado chamado vida. No fim, serão os mistérios entre o céu e a terra a imensa engrenagem central que nos move? Tá bom por hoje, agora vou me calar e aceitar de uma vez minha vã filosofia.

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  2. Também vivia questionando tudo quando era criança. Tive problemas nas classes de catecismo por colocar em xeque cada conceito que a professora ensinava. Li a Bíblia aos 8 anos só pra ter certeza de que ela de fato não fazia o menor sentido (depois, amadureci e descobri o sentido dela). Amava ler sobre as religiões antigas, sobre os mistérios de civilizações perdidas, sobre as teorias da ciência (a religião dos que dizem não acreditar em nada)... heheheheheh

    Acho que o fato de não ter barreiras ou estabelecer limites para o conhecimento me ajudou a desenvolver uma teia de verdades que se complementam e me ajudam a ter uma noção do que me trouxe aqui e do que me espera além.

    Numa visão pouco elaborada, minha essência (aquilo que me dá vida, que me faz pensar e decidr) sempre existiu (ou foi criado ou se criou há tanto tempo que SEMPRE é a palavra que mais se aproxima da definição de tempo pra isso que eu conheço); mas a matéria (aquilo que me dá forma e em que a minha essência se manifesta) é extremamente volátil, de modo que meu pai e minha mãe se alimentaram de animais, frutas, cereais e legumes que se dissolveram em proteínas que viraram óvulo e espermatozóide que se juntaram pra virar um zigoto, que usou os aminoácidos do ventre pra ganhar forma, que num berro pulou para o mundo mortal, onde o processo volátil de aquisição e perda de matéria se prolongou e se prolonga de modo que há partes que já foram minhas que voltaram pra terra de onde tudo isso surgiu para criar matéria que já está em outros corpos ao meu redor. Então, eu sou o mundo e o mundo está em mim, e essa essência continuará existindo quando todo o meu carbono, enxofre, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio for devolvido à Terra que forneceu tudo isso a essa força criadora que está dentro de mim, em constante evolução.

    E essa essência seguirá adiante com seu processo criador, por universos sem fim... e o intuito é um só: VIVER! Enquanto a chama dessa essência estiver acesa, serei Eliude (com ou sem esse nome, com ou sem as lembranças que tenho agora)... Essa personalidade é eterna!

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  3. Nossa gostei muito de seu texto!!Parabéns. =)

    Cintia.

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  4. Respostas
    1. Obrigado, Ricky!!! Depois quero saber o que achou dos outros também!!!

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  5. Simplesmente excelente! Esclarecedor aos leigos e também aos que entendem do assunto! Amei!

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    1. Obrigado por compartilhar o texto, Cris!!! Espero que outros possam ler, independe de acreditarem ou não.

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