17 de dezembro de 2012

O Fim da Eternidade

17 dezembro Escrito por Eliude Santos 6 comentários
Um número é uma medida: 1km, 1kg, 1giga, um ano, uma eternidade. Medidas indicam o quanto algo ocupa no universo de sua existência. Também usamos os números como referências para determinar os limites de ocupação entre uma medida e outra: entre o número 1 e o número 2, existe uma quantidade infinita de possibilidades numéricas, como a metade entre eles (1,5), ou a metade dessa metade entre eles (1,25), ou um sexto dessa meia metade entre eles (1,04166666666666667). De modo que sempre podemos citar um novo número maior que outro, ou um novo número menor que todos os já citados, pois quando observamos as medidas de perto, descobrimos que podemos continuamente quebrá-las em unidades menores e menores.

No final do século XIX acreditava-se que o átomo era o limite da divisão da matéria, até que os prótons e elétrons foram descobertos, e posteriormente os nêutrons e outras partículas subatômicas (quarks, léptons, mésons e bárions) — como se existisse um universo dentro do que já se pensou ser a menor partícula existente. 

Esta é uma verdade universal: onde quer que exista uma unidade pensante de existência haverá uma outra maior do que ela. E o mesmo acontece na ordem inversa. 

Há, no entanto, um limite para essa progressão eterna, assim como os números 1 e 2 são o limite para todas as possibilidades numéricas entre eles.

Uma eternidade, portanto, é uma referência com infinitas possibilidades dentro dela, mas, como qualquer referência, tem começo e fim.

Quando vemos números em livros sagrados, nem sempre eles significam literalmente a medida que representam. Por exemplo, no livro de Gênesis, na Bíblia, quando se diz que a terra foi criada em "sete dias", não podemos esperar que a palavra "dia" represente um período de vinte e quatro horas como a entendemos hoje, pois na própria narração da criação, foi somente no "quarto dia" que a engrenagem celeste que controla as estações e o tempo terrestre foram sincronizadas com a Terra, portanto, antes disso, não existiam "dias de vinte e quatro horas" nesta Terra pois ela ainda nem havia sido colocada em sua órbita. 

A definição de "dia e noite" nos primeiros "dias da criação" era apenas uma distinção entre a matéria que seria usada (luz) e a matéria que não seria usada (trevas) no processo de organização do novo planeta. 

E para entender isso, vamos voltar novamente aos conceitos do átomo: o núcleo representa sua massa (matéria real) e os elétrons representam seu tamanho (matéria abstrata - energia). Os elétrons (luz) giram ao redor do núcleo num espaço (universo) "escuro" (trevas), de modo que há "dia" e "noite" separando o que é matéria física (luz) e o que é vácuo (trevas) em toda a criação divina, como se o núcleo fosse uma laranja no centro de um estádio de futebol, e os elétrons fossem pequenos grãos de poeira girando ao redor dessa laranja em raios que ultrapassariam os limites do próprio estádio e todo espaço do estádio fosse apenas a força gravitacional (pressão) entre essas partículas de energia que mantém tudo em órbita (vácuo) — pequenos sistemas solares se combinando entre si para dar origem à matéria física palpável (rochas), volátil (água) ou invisível (ar) dando forma ao novo mundo. 

Para a ciência, o vácuo perfeito seria a ausência de matéria; mas não existe tal coisa no universo — o que existe é a matéria física ou divina (luz), que obedece leis de inter-relação que permitem nela a existência de vida, e a matéria caótica (trevas), que é a base de toda a matéria física ou divina e o alicerce da criação, e que se alimenta de morte. 

Esta matéria caótica (trevas), ou vácuo, foi separada da matéria física (luz) no primeiro "dia" da criação, o que certamente não durou somente 24 horas para ser feito.

Assim, interpretar os números divinos exige um conhecimento profundo do Cosmos, pois há sempre um simbolismo por trás das quantidades que esses números representam. 

A cabala hebraica estuda a relação entre números e palavras na Torá (já que as letras do alfabeto hebraico são usadas para representar números e esses números têm uma relação de conceitos muito significativa entre si). 

A letra zayin [ז]é o sete no alfabeto hebraico e é representada por uma espada invertida. A espada é o símbolo da perfeição, do progresso, do movimento. O mundo foi criado em sete dias pois foi criado em perfeição, num processo progressivo, que se mantém em constante transformação (movimento). 

A história humana foi dividida em sete dispensações da verdade para que se atinja a perfeição através de um processo progressivo e de transformação. 

Desde Pitágoras, em 529 a.C., os números eram considerados a força que mantém a permanência eterna do Cosmos pois, segundo ele, tudo que existe é regido pelo número. 

Balzac, 20 séculos depois, afirmava que tudo existe exclusivamente pelo movimento e pelo número, sendo que o movimento é, de qualquer forma, o número em ação. 

Para Pitágoras, todas as coisas eram números e qualquer número é uma divindade em si mesmo e na sua interação com os demais. 

Entender essas noções cabalísticas nos ajuda a compreender a função simbólica dos números em certas passagens das escrituras. Mas não podemos esperar alcançar com isso uma interpretação absoluta quando tratamos de conceitos eternos.

Dois dos inúmeros filhos de Adão, Caim e Abel, eram sumo-sacerdotes da ordem de Melquisedeque. Ambos, Caim e Abel, viviam no Vale de Adão, e serviam junto aos seus pais em favor de seus irmãos no altar de pedras erguido por seu pai quando fora expulso do Éden. Ali eles foram instruídos sobre a natureza sagrada das ordenanças que realizariam em favor de seu povo (ordenanças são cerimônias sagradas realizadas entre homens que compartilham das mesmas expectativas de progresso divino). As tais ordenanças remetiam à expiação que aconteceria no Meridiano dos Tempos (época em que Cristo veio à Terra) e exigia que cada detalhe dos rituais fosse observado em acordo com a lei de sacrifícios que eles haviam recebido por revelação de seu pai. No entanto, Caim descumpriu o ritual, e ficou muito irritado quando a oferta do seu irmão foi aceita e a dele não. O orgulho ferido alimentou sua ira e ele acabou cometendo o primeiro assassinato da história humana. Como consequência, ele foi expulso dos domínios de Adão e rumou para o leste, onde, com sua esposa (uma das netas de Adão), fundou sua própria cidade. Uma maldição eterna que resultou numa mutação genética fez com que ele e seus descendentes fossem diferenciados dos descendentes de Adão, surgindo assim as primeiras raças. Ele fundou organizações secretas com o intuito de alcançar lucro e riqueza e rebelou-se contra o sacerdócio adâmico. 

Há quem acredite que Caim tenha sobrevivido ao dilúvio e que ainda esteja vivo em nossa época. Esta crença advém de uma interpretação (se correta ou errada, não nos cabe julgar) da natureza de um castigo eterno, pois o número sete havia sido mencionado na maldição. Quando Caim, um representante divino entre seu povo, cometeu um crime contra seu irmão, foi amaldiçoado com uma maldição eterna, ou em outras palavras, uma maldição progressiva, que é algo que inverte o processo de desenvolvimento da alma do homem. Tal maldição foi associada ao pecado de derramar sangue inocente (isto é, alterar o balanço cósmico da justiça divina). Com uma expiação individual, pode-se recuperar parte das bênçãos perdidas pela maldição, ou até mesmo sua integralidade, mas nem todos se sujeitariam a esse sofrimento.

Um castigo multiplicado por sete (como o de Caim) não quer necessariamente dizer que haverá uma multiplicação real e o número sete não deve ser encarado de maneira real. É apenas um simbolismo para um castigo eterno (sendo o sete um número que simboliza a perfeição ou progresso). 

Do mesmo modo, um castigo eterno não significa um castigo que não terá fim, pois, há uma imensidão de eternidades e todas elas são finitas. 

Assim, alguém que recebe um castigo eterno, precisa passar por uma expiação eterna, pois não terá direito à expiação feita por Cristo para que ele consiga retomar seu ciclo de progresso eterno. E isso é o que acontece com os que derramam sangue inocente. 

Os que não conseguem cumprir tal expiação podem inverter a ordem de seu progresso voltando à condição que tinham no princípio de tudo (tornando-se parte do vácuo ou trevas de onde toda a matéria divina surgiu — a matéria caótica que preenche os universos).

Uma eternidade é uma medida finita, uma medida divina. Uma vida eterna é uma vida de progresso, e a natureza desse progresso muda com o passar das eternidades, mas não significa uma vida infinita, pois tudo tem fim, até mesmo os deuses. Mas um fim não extermina a matéria, apenas aponta uma reorganização para um novo começo.

O tempo, como conhecemos agora terá um fim quando este universo físico em que habitamos ganhar uma nova dimensão, ou porque sua estrutura foi alterada, ou porque nossa estrutura foi alterada. 

O fim indicará um novo início, no qual a eternidade nos parecerá infinita pois nossa mente será expandida. 

Assim que começarmos a compreender os cálculos eternos, entenderemos o fim da eternidade e deixaremos de nos preocupar com o tempo.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo texto Eliude, estou aqui esperando por essa eternidade. Fica na paz de Deus! Bjoss

    ResponderExcluir
  2. "...Nada começa ...Nada termina... Tudo se Trasforma!" ...Fecho os olhos.. Esculto e Vejo meu pai falando isso... ...Quando pequena acreditava que o nosso universo era uma celula de um ser maior... e que em cada celula nossa era um universo para outros seres... e ficava tentando imaginar como eles seriam... desenhava... rs ...e refletia... que sou o Deus de meu corpo, cuido de cada universo que habita nele... como tenho que cuidar do lugar que habito... ...Nesse dia 21, para os otimistas que fique a esperança da transformação para uma vida melhor... e pra outros tenho certeza que será o "fim" rsrs .... Adorei lê seu poste...Obrigada! bjssssssssssssss até!!!
    Maíra Lacerda

    ResponderExcluir
  3. interessante a linha de raciocínio.

    ResponderExcluir

Compartilhe esse artigo em suas redes sociais e aproveite este espaço para registrar seus pensamentos sobre esta postagem.