5 de fevereiro de 2015

Eu-Criador, Eu-Criatura

05 fevereiro Escrito por Eliude Santos Comente aqui
Numa visão pouco elaborada, minha “essência”, aquilo que me dá vida e que me faz pensar e tomar decisões, sempre existiu. Quando uso a palavra sempre, não estou dizendo que essa essência não tenha tido um começo. O que quero dizer é que ela ou foi criada ou se criou há tanto tempo que “sempre” é a palavra que eu conheço que mais se aproxima do conceito temporal que se pode usar para definir o tempo de sua existência.

Já a “matéria”, aquilo que me dá forma consistente na qual a minha essência se manifesta, essa é extremamente volátil. Ela existe em duas dimensões distintas, uma temporal e outra atemporal, uma física e outra etéreo; ambas essencialmente mortas, mas vivificadas pela essência que as manipula.

Assim, há um eu-essencial que controla meu eu-etéreo que, por sua vez, controla meu eu-físico. E passados alguns estágios de minha existência, esses eus serão unificados de tal forma que serão inseparáveis e eternos.

Se pudéssemos olhar de perto aquilo que chamamos de vazio nos universos ou fora deles, nos surpreenderíamos com a quantidade de matéria caótica que se prende e desprende de essências igualmente caóticas sem obedecer a quaisquer leis físicas que conhecemos. Desse caos desordenado, elementos essenciais foram escolhidos para dar forma à representação etérea de minha essência que já existia.

O pó disforme e caótico sendo agora ordenado por uma essência igualmente disforme e caótica ganhou forma tangível e foi-se aprumando até sua forma perfeita. Cada nova instrução ocupando um espaço etéreo naquela forma etérea que passava a constituir minha identidade proto-divina.

Enquanto isso, numa outra dimensão da matéria, meu pai e minha mãe terrenos (dois outros seres que já haviam evoluído de essência a ser etéreo, e de ser etéreo a ser físico, adentrando e crescendo naquela dimensão da matéria) se alimentaram de animais, frutas, cereais e legumes (outros seres que já haviam evoluído de essências a seres etéreos e de seres etéreos a seres físicos, adentrando e crescendo naquela dimensão da matéria) que, ingeridos, se dissolveram em energia e proteínas que viraram óvulo e espermatozoide que se juntaram pra formar um zigoto, que por sua vez usou os aminoácidos do ventre pra ganhar uma forma que num berro pulou para o mundo mortal, tudo isso sob a supervisão e manipulação daquele ser proto-divino que já existia e que passou a habitar e manipular seu acréscimo de glória.

O processo volátil de aquisição e perda de matéria se prolongou e se prolonga de modo que há partes dessa máquina biológica que já voltaram para a terra de onde os elementos essenciais de sua composição brotaram para criar matéria física que agora já está em outros corpos ao meu redor ou longe de mim, mas que me pertencem por direito.

Então, eu estou no mundo e sou o mundo e o mundo está em mim, e essa essência continuará existindo quando todo o eu-carbono-enxofre-hidrogênio-nitrogênio-oxigênio for devolvido à mesma Terra que no princípio de minha existência mortal forneceu tudo isso a essa força criadora que está dentro de mim em constante evolução.

E, acabando a energia que liga essa essência à matéria que é dela por direito, os elementos físicos desse eu-carbono-enxofre-hidrogênio-nitrogênio-oxigênio seguirão seu curso natural até que sejam novamente reclamados pela essência que um dia exerceu domínio sobre eles, dando-lhes novamente forma e beleza. E esta essência seguirá adiante em seu processo criador, por universos sem fim. E será tangível e forte, pois terá o eu-essencial, o eu-etéreo e o eu-físico unificados de tal forma que serão inseparáveis e eternos.

Enquanto a chama dessa essência estiver acesa, esse Eu-Criatura-Criador, seguirá adiante acumulando e compartilhando partes de si num desejo insaciável por mais vida.

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