27 de março de 2013

Casamento Igualitário: Crenças Cristãs versus Direitos Civis

27 março Escrito por Eliude Santos , , , 3 comentários
Existe uma nova Guerra Santa tomando forma em nossa sociedade. De um lado, religiosos militantes, geralmente pouco empáticos e tão decididos a defender seu "partido" (suas crenças) que esquecem de exercer "o puro amor do Cristo" que tanto professam. Na luta contra o que chamam de "pecado", usam palavras derrogatórias e expressam com rudeza e ignorância um discurso que desconsidera a liberdade do indivíduo (inclusive daqueles que não pertencem à sua religião) e prega uma padronização utópica e inviável, sentindo-se justificados por quaisquer danos que causarem (como o suicídio de milhares de jovens pressionados por famílias enredadas em tais discursos de ódio) simplesmente por se declararem agindo em nome de Deus.

Do outro lado, homossexuais militantes, geralmente tão pouco empáticos quanto os que engrossam as fileiras do primeiro flanco e tão decididos a defender seu "partido" (seus direitos) que muitas vezes esquecem de exercer princípios básicos de civilidade como o "respeito" que tanto reivindicam para sua "classe". Enchem as páginas das redes sociais com insultos a quem quer que se oponha às suas ideias, acusando-os de homofobia ou de dissimulação, quando eles mesmos ainda precisam caminhar uma segunda milha para compreender plenamente sua condição.

Sou religioso e homossexual. Onde me encaixo nessa batalha? Se eu falo algo que defende o direito dos religiosos de professarem suas crenças, sou criticado severamente por amigos homossexuais ou ateus, que não compreendem plenamente minha posição.

O mesmo tipo de crítica acontece se escrevo algo defendendo os direitos civis dos homossexuais, ou combatendo a injustiça contra essa gente que, por simplesmente dar sinais de sua afetividade, torna-se vítima de preconceito e violência. Uma crítica vinda daqueles, cujo primeiro grande mandamento que professam obedecer é o de amar ao próximo como a si mesmos.

O que fazer então? Calar-me seria um ato de covardia. Então, continuo falando para mostrar que, numa guerra de extremos, às vezes, o melhor ponto de vista é o que vê toda a cena como se olhasse de cima.

Dos religiosos, espero que sigam o exemplo do Cristo que se posicionou contra os pastores extremistas da fé judaica, da qual ele mesmo era praticante, que estavam prontos para executar a lei ditada pelo "Deus da época" de apedrejar uma mulher que fora julgada e condenada por adultério.

Pela palavra da lei (a Bíblia da época), o Deus daquele povo, e, portanto, o Deus do próprio Cristo, tinha dito a Moisés que aquela era a lei: se uma mulher fosse apanhada em adultério, deveria ser apedrejada até a morte em praça pública para servir de exemplo para as outras, a fim de que não cometessem o mesmo erro.

Mas esse Cristo, cheio de amor, entendia que nem tudo que está escrito deve ser levado sempre ao pé da letra e, nem todos os líderes religiosos, por melhores que sejam suas intenções, estão certos. Desafiando a todos, disse: "aquele que não tiver pecados que atire a primeira pedra". E nem os mais hipócritas se atreveram a tocar na mulher.

Movido pelo mesmo amor, esse Cristo explicou àquela mulher que ela não precisava agradecê-lo pois ele não fizera nada para salvá-la; o que a tinha salvo era sua fé, ou seja, sua prática diária. E qual era a prática desta mulher adúltera? A mesma de todos aqueles que queriam apedrejá-la: o pecado. Suas ações eram um espelho diante de seus opressores.

Ele explicou que não aprovava a ação de adultério e por isso pediu que ela não o fizesse mais, deixando a mulher livre para decidir o que era melhor para ela.

Cristo defendeu o direito da, assim chamada, “pecadora” à vida e ao pecado (pois estando vivos, todos nós pecamos). No entanto, ele não se absteve de defender sua crença em relação àquilo que ele considerava errado.

Quando perguntado sobre os mandamentos, mostrou conhecimento de todos os pormenores da lei, mas explicou que mais importante que obedecer cegamente é obedecer com amor. Pois quando amamos a Deus e aos homens, aprendemos a exercer empatia. Conseguimos nos colocar no lugar do outro e, mais importante, conviver em paz.

Da militância homossexual, espero que entendam que lutar por seus direitos civis não implica necessariamente em minar os alicerces de crenças milenares que, por equívocos de interpretação, tomam posições arbitrárias. A liberdade para acreditar no que sua consciência julga ser a verdade é um direito civil, e a liberdade de expressar essa crença, por mais equivocada que ela nos pareça, é igualmente um direito civil.

Cristãos geralmente se opõe em suas pregações e militância política ao casamento igualitário, o que não deve ser uma novidade já que, historicamente, fizeram oposição quando mulheres lutaram pelo direito ao divórcio, ao voto e à justiça no trabalho, ou quando negros lutaram pelo direito de sentar-se à mesma mesa, frequentar à mesma escola ou tomar o mesmo ônibus que os brancos.

A tudo isso se opuseram porque sua religião é uma força baseada na tradição. A tradição não pode ser considerada como algo maléfico, afinal, um navio precisa de motores que o impulsionem mar adentro, mas também de uma âncora que o segure de tempos em tempos para que não fique à deriva.

A militância que defende os direitos das minorias, como uma força motriz, questiona e desafia os obstáculos impostos pela âncora da tradição. E ambas as forças cumprem papel importante no equilíbrio desse barco desgovernado chamado sociedade.

As mulheres não teriam conseguido ser aceitas num patamar de igualdade em relação aos homens se extremistas não tivessem queimado sutiãs em praça pública, nem os negros poderiam sentar-se livremente à mesma mesa em que brancos fazem sua refeição se não tivessem acontecido protestos violentos contra as leis que defendiam o regime do apartheid.

No entanto, os direitos só foram reconhecidos e o preconceito recuado quando a poeira das manifestações assentou e mulheres e negros, por terem oportunidades conquistadas pelos gritos da militância, mesclaram-se aos homens brancos no mercado de trabalho dando resultados semelhantes ou até mesmo superiores aos daqueles que lhes oprimiam, visto que, na sociedade em que estavam inseridos, este tipo de resultado era o que se considerava relevante.

Se elas continuassem queimando sutiãs, ou vestindo roupas com ombro largo para parecerem mais masculinas, ou se os negros continuassem criando quilombos ou guetos ou levantando-se com violência contra os brancos, a situação de opressão ainda estaria em vigor.

Do mesmo modo, não se vencerá a homofobia com afronta, se vencerá a homofobia com exemplos de civilidade. A militância abre caminho para o debate, mas o debate só pode ser feito quando há empatia de ambos os lados.

Nos casos citados, quando a religião parou de ser atacada, ela parou de se defender e se adaptou à nova situação.

As igrejas cristãs não foram proibidas de ler versículos como "a mulher deve ficar calada na Igreja" (pois, pasmem, isso está de fato escrito na Bíblia), nem deixaram de acreditar em suas escrituras por causa de tais versículos, mas passaram a dar-lhes uma nova interpretação menos literal.

Então, onde está o problema? Qual o medo da religião? Porque eles se opõem às proposições apresentadas pelos homossexuais em defesa do casamento igualitário? Aí está o problema: na maioria das vezes, os religiosos mal compreendem as bases daquilo pelo que lutam e por isso se deixam levar pela empáfia e sede de poder de boa parte de seus líderes eclesiásticos.

Na inquisição, religiosos mataram as bruxas porque eles não entendiam os princípios da botânica e outras ciências, afinal, elas nada mais eram que mulheres que conheciam o poder medicinal de plantas e cristais. Hoje pessoas da mesma religião que matou aquelas que usavam ervas para curar compram produtos para amenizar as rugas, usam ervas para clarear os dentes, e não consideram isso um pecado ou um crime passível da pena de morte. A indústria farmacêutica de nossos dias que substituiu as bruxas de antigamente cobra caro por suas mágicas amenizadoras das dores no corpo e no espírito e poucos se levantam contra ela.

Então, esta é uma guerra de conceitos que colocam crenças e direitos em lados opostos do campo de batalha.

No conceito religioso, um casamento é uma união entre um homem e uma mulher selado por Deus. No desdobramento desse conceito, religiosos consideram o sexo realizado dentro de tal convênio como aceitável aos olhos divinos e, fora de tais laços, como um pecado. Assim, masturbação, sexo antes do casamento e adultério entram na mesma categoria de pecado que o sexo entre pessoas do mesmo gênero, pois todos ferem o conceito básico do casamento. Mudar então tal conceito abalaria os alicerces mais importantes dessas religiões e, por isso, elas investem pesado no combate às leis em prol do casamento igualitário.

Ao contrário dos políticos evangélicos brasileiros que tecem um discurso baseado numa falsa moralidade, cuja maior preocupação é vetar qualquer proposição feita pela bancada liberal sem parar para avaliar seriamente o conteúdo dessas proposições, ou do prêmio Nobel da paz e ex-presidente polonês Lech Walesa, considerado o herói na luta contra o comunismo e símbolo da chegada da democracia à Polônia, que declarou em um discurso recente que os homossexuais "deveriam se sentar na última fila do Parlamento ou até mesmo atrás de um muro, e não pretender impor suas posturas minoritárias frente à maioria da população", segue o depoimento sensato de um líder religioso mórmon sobre o assunto:

"Meu nome é Michael Otterson. Estou aqui representando a liderança de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para falar sobre o assunto da petição apresentada hoje pela Campanha dos Direitos Humanos.

Embora não concordemos com a Campanha dos Diretos Humanos em muitos princípios fundamentais, também compartilhamos alguns pontos em comum. Esta última semana todos nós testemunhamos o relato de trágicas mortes pelo país como resultado de bullying ou intimidação contra jovens homossexuais. Juntamos nossas vozes com as de outros em condenação declarada aos atos de crueldade ou tentativas de diminuir ou zombar de qualquer grupo ou indivíduo que seja diferente — quer essas diferenças surjam em decorrência de raça, religião, desafios mentais, status social, orientação sexual ou por qualquer outra razão. Tais ações simplesmente não têm lugar em nossa sociedade.

Esta Igreja sentiu o amargo ferrão da perseguição e da marginalização no início de nossa história, quando éramos muito poucos em número para nos proteger adequadamente e quando os líderes da sociedade muitas vezes não pareciam inclinados a ajudar. Nossos pais, jovens, adolescentes e crianças devem, portanto, de todas as pessoas, ser especialmente sensíveis aos vulneráveis na sociedade e estar dispostos a falar contra o bullying ou intimidação quando ela ocorre, incluindo indelicadeza para com aqueles que são atraídos por pessoas do mesmo sexo. Isto se aplica particularmente a nossas próprias congregações Santos dos Últimos Dias. Cada família ou indivíduo SUD deve considerar cuidadosamente se suas atitudes e ações para com os outros refletem adequadamente o segundo grande mandamento de Jesus Cristo — amar uns aos outros.

Como Igreja, nossa posição doutrinária é clara: qualquer atividade sexual fora do casamento é errada, e nós definimos o casamento como sendo algo entre um homem e uma mulher. No entanto, isso não deve nunca, nunca ser usado como justificativa para a falta de gentileza. Jesus Cristo, a quem seguimos, foi claro em Sua condenação da imoralidade sexual, mas nunca cruel. Seu interesse era sempre o de levantar o indivíduo, nunca de derrubar.

Além disso, enquanto a Igreja é fortemente empenhada em se opor ao casamento homossexual, sempre apoiou abertamente outros direitos [civis] para gays e lésbicas. (...)

A doutrina da Igreja é baseada no amor. Acreditamos que o nosso propósito na vida é aprender, crescer e se desenvolver, e que o amor incondicional de Deus permite que cada um de nós alcance nosso potencial. Nenhum de nós está limitado por nossos sentimentos ou inclinações. Em última análise, somos livres para agir por nós mesmos.

(...) Obviamente, alguns vão discordar de nós. Esperamos que qualquer divergência seja baseada em um entendimento completo de nossa posição e não em distorções ou interpretação seletiva. A Igreja vai continuar a falar para assegurar que sua posição seja bem compreendida.

(...) Devemos amar uns aos outros. Devemos tratar uns aos outros com respeito, como irmãos e irmãs e filhos de Deus, não importa quão diferentes sejamos um do outro.

Nós esperamos e acreditamos firmemente que, dentro dessa comunidade, e em outras, persuasão, gentileza e boa vontade possam prevalecer."

A Igreja Mórmon é acusada pelos militantes homossexuais dos Estados Unidos de promover a homofobia e de ser uma das principais líderes do movimento anti-gay. No entanto, não vejo nenhuma demonstração de preconceito no discurso acima. Eles se propõem a defender direitos civis, mas se opõem ao casamento porque, entre outros motivos, nos Estados Unidos, o casamento civil é realizado pelo ministro religioso, e sancionar tal lei bagunçaria seu sistema doutrinário. Uma situação bem diferente da enfrentada no cenário brasileiro, onde um conluio político-religioso ameaça a estrutura laica do Estado, se opondo não ao que fere à Constituição, mas ao que fere suas crenças particulares.

Homossexuais querem o direito de viver segundo os ditames de sua consciência no que diz respeito à sua vida íntima e, encontrando alguém a quem amem, e estando ambos em acordo, estabelecerem vínculos de fidelidade entre si, dividir o mesmo teto, adotar filhos ou mesmo ter filhos biológicos se assim a ciência permitir, ser respeitados no trabalho, ser respeitados como bons amigos, pais e cônjuges, e como os cidadãos exemplares que se esforçam para ser. Em resumo, homossexuais querem ser felizes.

Afinal, só não quer ser feliz ou fazer o outro feliz quem foi marginalizado pela sociedade a ponto de perder a própria esperança diante da vida; ou quem, por falta de amor, desenvolve um discurso de ódio que impede qualquer forma de diálogo e progresso.

Se religiosos não consideram que o lar homossexual cumpre os pré-requisitos que eles estabeleceram a fim de que o casal possa ser selado pelos laços sociais do casamento; ou se veem algo de errado neste cenário, que vivam suas verdades sem interferir nos direitos civis de quem não compartilha das mesmas crenças. E que, vendo qualquer injustiça, tenham a coragem de, como aquele Cristo no qual professam acreditar, se posicionar em favor daqueles que estão sendo injustiçados, como Jesus fez com a mulher adúltera diante daqueles sacerdotes e fiéis sedentos por sangue e discórdia.

Se o casal homossexual quer celebrar seu casamento nos moldes tradicionais, com um sacerdote abençoando-os diante da congregação, que busquem uma religião que não se sinta ofendida em realizar tal cerimônia. Pois o mundo tem uma diversidade de orientações e expressões afetivas do mesmo modo que tem uma diversidade de crenças e expressões de fé, isto para que cada um encontre o ninho no qual se sinta aceito e seguro.

Obviamente, nesta batalha, ambos os lados precisam parar um pouco de falar para ouvir, sem filtros de preconceito, os argumentos do outro lado. Nem sempre o equilíbrio está em ter todas as nossas exigências atendidas de uma vez. Forças opostas podem trabalhar juntas, cada uma respeitando os limites apresentados pela outra, desde que esses limites sejam discutidos civilizadamente.

3 comentários:

  1. Mariana Guevara; "Gostei muito do seu texto e de seu ponto de vista Eliude, concordo em muitos pontos, porém ainda mantenho a minha mesma conclusão e opinão sobre o assunto.Todos tem direito a ter suas crenças, frequentar seus templos, e ter suas opiniões sobre diversos assuntos, sejam religiosos, ateus, LGBT's...Mas não acredito que haja uma campanha contra as religiões, como se quiséssemos erradicar toda INSTITUIÇÃO religiosa no mundo...O problema aqui é: Estado regido sob dogmas religiosos? O Estado não deve ser laico? Para abranger os interesses da população, com justiça, igualdade e imparcialidade? Não se pode reger leis baseadas em interesses de minorias, mesmo que fossem minorias gays, por exemplo...Também concordo que as mudanças não foram feitas por leis...o desenvolvimento social se deu sem que pudéssemos contar com esse apoio jurídico...Porém, a lei contra o racismo ajuda até hj inibir algo q acontece todos os dias, mesmo com essa campanha ridícula de que "racismo e machismo não existem mais", existem e da pior forma possível...Onde estão os negros? ONde moram, como vivem em sua maioria? Quanto ganha uma mulher em relação ao homem? Como é tratada numa família uma mulher que não se casa e decide viver sozinha sem os pais? COmo são tratados e vistos os homossexuais? Vàrios pais horríveis dizem que rpeferem ter um filho com câncer que um filho gay. Não acho que mulheres, negros e gays, devem "provar" que são dignos de respeito pq se submetem mto bem as normas da exploração do trabalho, do consumismo famigerado e preceitos capitalistas...TOdos idenpendente de crença, cor, sexo, religião devem ser respeitados e aceitos aos olhos do Estado, sem pensar em produtividade ou utilidade e sim como humanos que são que constróem uma sociedade e um país livre e justo. Estamos numa era que protestar é radical...queimar sutiãs é radical....quem sabe pq o verdadeiro radicalismo está há mto adormecido no lado esquerdo da política e com isso qqer tipo de mobilização grande é considerada "perda de tempo" , exagero e "coisa de vagabundo e depravado", sendo que há "coisas mais importantes para lutar" , por aí vai...e assim a sociedade vai se anestesiando...deixando pros parlamentares a responsabilidade de guiar o futuro dos nossos filhos...e os interesses de poucos que são intrinsecamente ligados com o LUCRO vão se sobrepondo aos DIREITOS pelos quais a própria figura mitológica Jesus Cristo lutou."

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  2. Eliude A Santos: "Infelizmente este cenário é cruelmente real. Conheço bem as dificuldades criadas pela ignorância e preconceito; e também os avanços gerados quando pessoas com influencia erguem sua voz para defender o que acham correto! Escrevi o texto porquê nao sou a favor do radicalismo em nenhum dos lados. Concordo plenamente com a charge aí em cima e acho que é importante defender a natureza laica do estado, e os direitos civis das minorias, bem como das maiorias. Temos no Brasil uma situação preocupante pois a bancada evangélica do Parlamento está instaurando um fascismo religioso que defende seus ideais em detrimento do direito de quem nao compartilha dos mesmos padrões de conduta. Isso porque eles nao param pra ouvir de verdade uma descrição do cenário e chegar a um consenso que nao fora a liberdade de nenhuma das partes. No entanto, o lado que exige essa atenção, acaba agindo com menos empática ainda quando discursa em favor de sua causa. Andei lendo alguns discursos do Jean Willis, um dos principais defensores dos direitos lgbt no cenário político nacional e acho que distorcer a verdade ao seu favor para defender um ponto de vista nao seja a melhor maneira de conseguir chegar a algum lugar. Sei que a intenção é boa, mas o tom acusativo dos discursos e muitos dos argumentos levam sua campanha para um lugar proporcionalmente extremista e igualmente perigoso, pois todos os extremos beiram o abismo. Nao sou contra a criação de leis! Nao sou contra o movimento lgbt! So acho que a humanidade pode encontrar uma maneira menos barbara de chegar a consensos, mas pra isso precisa haver maturidade e respeito de ambas as partes. Meu texto nao foi pra defender religiosos, nem pra defender o movimento lgbt, apenas para mostrar que nao me sinto bem representado nem de um lado nem do outro."

    Mariana Guevara: "Entendi bem sua intenção, me acrescentou mto ver o ponto de vista de um cara como vc, nao só pela posição em q se encontra nesse embate, mas também por um nível lúcido e admirável de inteligencia! Concordo que os animos estão esquentando cada vez mais....e a realidade é que na briga ou na apatia...as coisas vão infelizmente continuar como estão...Triste...rs"

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  3. carolina angrisani1 de abril de 2013 18:28

    Acabei de ler, confesso que não tenho muita propriedade pra comentar sobre o assunto. Sou uma curiosa e tenho apenas muitos questionamentos a fazer.
    Por um lado, ainda me surpreende saber que num mundo com tantas mudanças, o posicionamento da Igreja e Religiões continuam fechados, isso me faz pensar que a Igreja é velha, não no sentido da sabedoria que esse nome carrega, mas no sentido de antiguado, está atrasada, não dialoga com seu tempo. Por outro lado, fico admirada com a necessidade de aceitação que parte da nossa sociedade contemporânea ainda busca dessa instituição.Quanto ao casamento, desde pequena desacredito nessa instituição, isso porque tive um exemplo de casamento perfeito em casa, sem brigas, sem taições, com muita cumplicidade e amor. Porém pela minha percepção de menina o casamento consome a individualidade silenciosamente dia a dia. Existe pensamentos do Osho, mestre espiritual e filosofo indiano que diz:
    "O relacionamento existe porque o amor não está presente. O amor não é um relacionamento.
    O amor se relaciona, mas não é um relacionamento. Relacionamento é algo acabado. Relacionamento é um substantivo; o ponto final chegou, a lua de mel acabou.
    Agora não há alegria, não há entusiasmo, agora tudo está acabado.

    Você pode continuar o relacionamento apenas para manter suas promessas.
    Pode levá-lo avante porque é confortável, conveniente, cômodo. Pode levá-lo avante porque não há nada mais a fazer. Pode levá-lo avante porque se o romper, isso vai lhe trazer muitos problemas.

    Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento: amor é relacionar-se - é sempre um rio fluindo, interminável."

    ***

    “O estado mais elevado de amor não é, de modo algum, um relacionamento: é simplesmente um estado do seu ser. Assim como as árvores são verdes, aquele que ama é amoroso. Elas não são verdes apenas para determinadas pessoas: não é que quando você aparecer, elas se tornam verdes. A flor continua espalhando sua fragrância quer alguém apareça ou não, quer alguém aprecie ou não. A flor não começa a liberar sua fragrância quando um grande poeta está se aproximando – 'Bem, este homem apreciará, este homem será capaz de compreender quem eu sou'. E ela não fecha suas portas quando vê que uma pessoa estúpida, idiota, está passando por ali – uma pessoa insensível, obtusa, um político ou alguém parecido... Ela não se fecha – 'Qual o sentido? Por que jogar pérola aos porcos?' Não, a flor continua espalhando sua fragrância. Trata-se de um estado, não de um relacionamento.” "A coisa nunca se transforma numa relação; continua sendo uma afinidade. Você convive, mas não cria um casamento. O casamento nasce do medo, a afinidade nasce do amor."

    Quais são os nós, ou sonhos infantis que ainda não superamos, para que mesmo em busca da liberdade de expressão nos encontremos aprisionados em algumas questões?

    Levanto essas questões do ponto de vista individual. Socialmente entendo a necessidade da mudança desse olhar por parte dessas instiutições pelo poder manipulatório que exercem sobre grande parte da sociedade e ainda no poder do Estado.
    O que percebo é uma necessidade urgente do despertar individual, para que possamos ser individuos mais completos, e na minha sutil percepção, vivemos um tempo muito estranho, onde pessoas estão dispertando e não estão gostando nada do que estão vendo fazerem com nossas vidas. A população brasileira ainda está dispertando da névoa escura provocada pela Ditadura que tivemos nesse país, ainda estamos nos descobrindo na claridade que se aprenta, ainda estamos pergundando: quem somos nós? Quem sou eu? E é natural que mais cedo ou mais tarde haja conflito com todas as forças que nos manipularam na escuridão até agora.

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