3 de outubro de 2014

Eleições Brasileiras Chegando: um Retrato da Falta de Informação

03 outubro Escrito por Eliude Santos 3 comentários
Quando eu era criança, morava em Nova Floresta, uma cidadezinha no nordeste do Brasil. O país tinha acabado de ter seu poder democrático restaurado, depois de anos de uma rigorosa ditadura, mas a população de um modo geral ainda não tinha noção do impacto de sua participação num cenário político que fosse além de seus interesses particulares. Assim aquela cidade, como uma amostra do que acontecia no resto do país, tinha uma ideia equivocada sobre política. Havia dois partidos principais, o Partido Conservador (os Serrapaus) e o Partido Democrático Liberal (os Bacuraus). O voto no Brasil é obrigatório. Assim, se você votasse no partido da maioria, sua vida econômica estaria meio que segura pelos próximos quatro anos. A maioria das pessoas trabalhava em cargos públicos, e por ser uma cidade bem pequena você poderia perder seu emprego se o outro partido ganhasse a eleição.

Muitas pessoas eram divergentes, marginalizadas, desempregadas ou tinham sub-empregos. Essas pessoas usavam o voto como moeda de troca. E os candidatos sabiam tirar vantagem disso. De fato, este era um cenário bem conveniente para todos eles.

Os políticos sabiam que, sendo eleitos, não teriam seus passos acompanhados de perto pela população, porque a maioria dos eleitores não sabia praticamente nada sobre as responsabilidades dos cargos públicos para os quais os tais políticos eram eleitos. Mais que isso, a maioria dos políticos eleitos não sabiam praticamente nada sobre legislação ou burocracia quando começavam seus mandatos. Muitos deles sequer eram alfabetizados.

O Partido dos Trabalhadores, um partido de extrema esquerda, apareceu neste cenário como uma promessa de mudança. Seus ideais eram nobres, mas a princípio, a sociedade os desprezou. Para serem aceitos, contaram com o apoio de banqueiros e empreiteiras influentes e experientes times de marketing. Não levou nem uma década para que eles chegassem ao poder e fossem igualmente corrompidos pelos mesmos mecanismos que faziam a velha engrenagem funcionar.

Corrupção endêmica no Brasil não é algo novo. No século XIX, o Imperador Dom Pedro II já tinha um conhecido relacionamento de corrupção com o congresso. O Clientelismo é visto como fator primordial para a promoção de uma cultura de corrupção no Brasil. A Imperatriz Leopoldina, sua esposa, era conhecida como alguém que gostava de ajudar. Mas suas doações compravam o silêncio das pessoas perante os atos corruptos de seu esposo.

"Deus proverá", "É culpa do governo", "É a vontade de Deus", "Vai ficar tudo bem", uma geração que cresceu ouvindo esses ditos e sendo instruída a repetí-los terá muita dificuldade em assumir sua própria responsabilidade de promover a mudança pela qual tanto esperam. "Eu proverei", "A culpa é minha", "Não posso aceitar esta situação", "Eu a modificarei." A falta de consciência política e participação cívil cria condições favoráveis para a proliferação da corrupção.

No entanto, as coisas já mudaram um pouquinho. O país conseguiu vencer a pobreza. Mais pessoas já se juntaram à chamada "classe média", Mas mesmo assim, a maioria das pessoas ainda não aprendeu nem com os proprios erros nem com os erros que seus pais cometeram no campo da política. Vamos pensar na minha tia, por exemplo, ela costumava escolher o candidato por ele ser jovem, bonito e arrumado, ela nunca se preocupou em saber o que ele defendia de fato. Minha vó sempre votou no candidato que seu irmão dizia que ela deveria votar. Seu irmão já tinha sido prefeito, então ele deveria saber das coisas! Afinal, dá muito trabalho estudar e avaliar os candidatos, dá muito trabalho fazer uma escolha quando as pesquisas até já apontaram um "vencedor". E quem quer perder? "Vamos votar no vencedor e deixem as pesquisas decidirem por nós quem é que deve ser eleito." Isso infelizmente ainda não mudou.

O Brasil tem agora três candidatos escolhidos pelas pesquisas: Dilma, Marina e Aécio. Dois outros candidatos tem um programa de governo muito melhor que o deles mas são mencionados pelas mesmas pesquisas como tendo apenas 1% das intenções de voto cada um, Eduardo Jorge e Luciana Genro.

Aécio representa o Partido Conservador, Dilma representa o Partido dos Trabalhadores e Marina representa o Partido Ambientalista e sua campanha é financiada por grandes banqueiros e empreiteiras que com certeza farão o Clientelismo continuar em vigor. Quaisquer dos três candidatos [em maior ou menor grau] defenderá os interesses desses banqueiros e empreiteiras em detrimento dos interesses do povo. Os impostos aumentarão e a situação geral não sofrerá muita mudança.

A escolha menos prejudicial, aos olhos de alguns eleitores, seria a Marina, por causa de sua abordagem ambientalista. Mas, seu primeiro erro de notoriedade pública foi o de ceder às demandas de um influente ministro religioso que fez com que ela suprimisse de seu programa de governo o apoio aos direitos homossexuais. Não considero isso um erro somente por eu ser gay, mas porque as decisões de um presidente não podem ser controladas por diretrizes e crenças de uma instituição religiosa.

Quando Levy Fidelix, outro candidato à presidência, disse que os gays eram uma minoria contra a qual a maioria deveria lutar, tirar de seu convívio e recuperar através de tratamento mental, esperei que isso deixasse claro aos olhos da população porque um presidente não poderia se deixar controlar por diretrizes e crenças de instituições religiosas. Mas eu sei que ele ganhou mais votos do que perdeu naquele dia. Infelizmente, seus pensamentos são o reflexo dos pensamentos de uma geração cheia de preconceito e valores distorcidos.

Eduardo Jorge e Luciana Genro, por outro lado, tem uma abordagem bem diferente. Eles valorizam a vida, e as pessoas. Eles defendem políticas de diminuição de tributações e mais qualidade de vida. Eles defendem direitos e a liberdade de um sistema apodrecido. Luciana propõe um novo sistema de governo e não aceita atribuir rótulos a esse sitema, pois sabe que cada país precisa encontrar seu proprio modo de enfrentar a corrupção. Não somente algumas diretrizes são ineficientes, mas também o que funciona em alguns lugares não funciona em outros. E elas está disposta a desenvolver tal sistema.

Então por que Eduardo Jorge e Luciana Genro estão com porcentagens tão baixas nas pesquisas, se eles tem programas de governo tão melhores que o resto dos candidatos? Porque, as pesquisas compradas já apontaram um "vencedor". E quem vai querer ficar no time dos perdedores?

3 comentários:

  1. PARABÉNS ILIUDE SANTOS PELA SUA ESPLANAÇÃO. A QUESTÃO DE UMA PRETENSA CANDIDATA EXCLUIR DE SEU GOVERNO PROPOSTAS QUE VAO AO ENCONTRO DE HOMO, GAY E LESBICA É RELATIVO. NÃO SERÁ UM PLANO DE GOVERNO QUE VAI IMPEDIR OS DIREITOS DESTA MINORIA. TENHO NA FAMILIA PARENTE HOMO E ELE NUN CA FOI DISCRIMNADO PELO MENOS APARENTEMENTE. O BRASILEIRO DE UM MODO GERAL INDEPENDENTE DAS LEIS EXISTENTES SEMPRE ESTARÃO AO LADO DA MINORIA. CARO ELIUDE SOBRE POLITICA EU FICARIA DIAS FALANDO SOBRE MEU PONTO DE VISTA COM PROPRIEDADE E ARGUMENTOS SÓLIDOS. FALAM MAL DO CAPITALISMO? E DAÍ? QUEM SUSTENTA UM PAIS SÃO OS EMPRESÁRIOS QUE FORNECEM TRABALHO. DIZER QUE OS EMPRESÁRIOS ESCRAVISAM E PAGAM MAL É PAPO FURADO DAS ESQUERDAS. NUMA DEMOCRACIA E COM OS SINDICADOS PODEM MUITO BEM CRIAR LEIS QUE EQUILIBREM A SITUAÇÃO. SÓ UM ADENDO: O SOCIALISMO SOBREVIVE ATÉ ACABAREM OS RECURSOS DE QUEM MANTEM ESSE REGIME. O SOCIALISMO NADA MAIS É DO QUE A METADE DA POPULAÇÃO TRABALHA PARA SUSTENTAR A OUTRA METADE (BOLSAS: NEM VOU ESPECIFICAR TODAS) EXEMPLO: O PRSIDENTE DO PARAGUAI DECRETOU A EXTINÇÃO DE TUDO QUANTO ERA BOLSA NO PAIS.dISSE: ISSO SÓ CRIA VAGABUNDOS E ETERNIZA A POBREZA.

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    1. Obrigado, Jesus! Sobre o que falou, não existiriam sindicatos se não houvesse a esquerda, se não houvesse alguém que gritasse pelos direitos dessas minorias. Mulheres não votariam, negros não casariam com brancos, pessoas continuariam sendo exploradas de maneira cruel para que uns poucos pudessem gozar de seu lugar ao sol. Mas, uma coisa é certa, há pessoas com natureza essencialmente humanitária e pessoas com natureza essencialmente predatória. Foi assim em todas as épocas da história. O importante é se informar e saber onde pisa e quem apoia. Nenhum sistema de governo beneficia a todos de mesmo modo. E seríamos tolos de achar que em algum lugar onde hajam humanos, os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade possam ser alcançados. Haverá sempre alguém querendo ser melhor que os outros (afirmando-se acima da média ou por recursos físicos ou intelectuais), o que destrói a igualdade; haverá sempre alguém querendo passar a perna no outro e tirar proveito da situação alheia (e fazemos isso até em pequenos gestos), o que destrói a fraternidade; e sempre haverá alguém querendo cercear o limite do outro pra que o seu seja alargado (como o homem que senta de pernas abertas num banco de um ônibus supostamente coletivo, alguém fica espremido pra que ele se sinta confortável.) A política pode regulamentar direitos e deveres pelos quais pessoas lutam quando se sentem oprimidas. Mas o cara das pernas abertas sempre vai reclamar que seu espaço diminuiu pra que a pessoa que estava ao seu lado pudesse sentar com dignidade.

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