8 de novembro de 2014

Existe um Criador?

08 novembro Escrito por Eliude Santos Comente aqui
Aceitar as coisas como são ou nos foram ensinadas nos impede de entendê-las de um ponto de vista mais elevado. Para entender o todo precisamos pelo menos estar dispostos a duvidar. Acreditar cegamente no que nos é dito é tão inútil quanto ter certeza de algo sem provas.

A maioria das pessoas defende ferozmente suas próprias ideias e pontos de vista sem reservar muito espaço para ponderarem com empatia os comentários de terceiros, o que pode ser muito danoso para o desenvolvimento do senso crítico.

No que tange a argumentos, todos se tornam cegos e surdos ao primeiro sinal de conceitos que não se encaixam em sua visão de mundo. Só ouvem ou veem aquilo que lhes agrada.

Poucos ainda têm olhos para enxergar o que lhes é estranho e ouvidos para ouvir o que lhes é novidade. Estes aprenderam a considerar o argumento do outro em busca de esclarecimento, e a duvidar dos argumentos mais corriqueiros em busca de crescimento. Este exercício de empatia e apreciação promove uma melhor compreensão das coisas como sempre foram, como são e como podem vir a ser.

Entre todos os mistérios que envolvem a humanidade, uma questão que sempre intrigou os homens da ciência e os homens da fé é a origem da vida e sua criação. A resposta para essa pergunta é tão simples quanto a razão de sua formulação, "Para que se preocupar com isto?"

Mas muitos acabam se preocupando. Isso os preocupa porque há tantas questões relacionadas à vida e existência que ainda não foram respondidas que é comum pensar se um propósito para tudo isso será algum dia apresentado de um modo convincente e definitivo.

Isto incomoda porque envelhecer e morrer é assustador, tanto quanto a dor e o sofrimento. E quanto mais se tenta evitar esses temores, mais evidentes eles se tornam. 

Isso incomoda porque nós, entre todos os seres viventes, em algum ponto de nossa existência, pusemo-nos a pensar e duvidar, e a criar respostas para nossas perguntas que puderam posteriormente ser postas à prova, algumas das quais falharam ao teste, e tudo isso fez com que acreditássemos ou desacreditássemos naquilo que vimos e experimentamos.

Afinal, tudo isso surgiu ao acaso ou existe de fato uma força criadora ou um ser Criador que organizou a vida como a percebemos e fez de nós os seres pensantes que somos?

Como a resposta para esta pergunta afetaria sua vida e seu comportamento em relação aos outros? Se não afetaria, então, "Para que se preocupar com isto?" 

Alguns apenas aceitam este fato como verdadeiro e não têm nenhum interesse em encontrar qualquer razão para seu posicionamento. Principalmente porque muitas dessas razões são de fato questionáveis e não fariam qualquer diferença aos ouvidos dos inquiridores. 

Outros refutam esta ideia, culpando os que acreditam nela de não apresentarem respostas e explicações aceitáveis, mas também não conseguem encontrar qualquer motivo para seu posicionamento, a não ser sua própria descrença. 

Ambos os posicionamentos são inofensivos, mas também não acrescentam nada ao crescimento pessoal de seus defensores.

Há aqueles que querem impor seus pontos de vista e incansavelmente vomitam argumentos sem se preocuparem se seus alvos sequer pediram ou consentiram tal enxurrada. 

Tanto os que acreditam quanto os céticos podem se portar como "donos da verdade" sem se importar muito em ouvir os argumentos do outro no debate, o que mata a própria essência do debate. 

Não há espaço para a troca ou o compartilhamento, só há espaço para o ego e a disputa.

Mas ouvintes verdadeiros sempre conseguem encontrar uma ponte de entendimento. Um lugar em que ambos os lados possam apresentar seus argumentos e encontrar ideias convergentes.

Se no princípio não havia o Verbo que os cristãos defendem ter existido; pelo menos no princípio da humanidade havia a Pergunta. Homens são inquiridores natos. Alguns aceitam respostas de fontes confiáveis, outros tentam encontrar tais respostas por si mesmos. Algumas das tais respostas são provadas por experiência, outras por experimento; algumas não são provadas, mas sentidas; outras ainda não foram provadas, mas fazem sentido.

Então por que não considerar religião e ciência como duas testemunhas do mesmo fato, sendo que uma só vê o que escapa na visão da outra? Ambas dependem do ponto de vista da outra para melhor entenderem aquilo que estão de fato vendo. No entanto, com poucas exceções, ambas clamam ser autossuficientes e enxergam a outra como uma tola que se presta a defender algo sem sentido algum.

Um ateu diria que não existe um Deus, nem uma força criadora, nenhuma fonte de vida, porque afinal a ciência já provou que a vida e a matéria podem se criar espontaneamente. Mas eles crêem em leis, em acordos feitos pelos elementos para manter tudo em ordem ou gerar caos. Eles conseguem entender a mecânica das coisas, mas não relacionam este conhecimento à fé.

Um teísta diria que existe um Deus, ou muitos Deuses, agindo como uma força criadora que tem poder para criar e nutrir a vida. Eles também acreditam em leis e acordos feitos pelos elementos para manter tudo em ordem ou gerar caos. Quando eles não entendem a mecânica das coisas, eles geralmente relacionam isso a milagres ou mistérios divinos.

A existência ou inexistência de um Criador não muda o fato de que este Universo produziu um equilíbrio perfeito entre gravidade, eletromagnetismo, radioatividade e fusão nuclear a fim de promover vida na Terra. Se alguma dessas forças tivesse uma influência um pouco maior ou menor do que de fato têm, a vida não existiria aqui. Na vastidão de um vácuo silencioso, um planeta barulhento e cheio de vida emergiu repleto de criaturas pensantes que não somente podem nascer, crescer, reproduzir e morrer, mas também estar e ser conscientes disso, pensar por si próprios e divergir uns dos outros. Muitos dos quais deixaram legados que afetaram poderosamente a indivíduos e nações através da história. E as dúvidas que temos, o modo como vemos as coisas, nada é novo sob o Sol.

Então, se existe um Deus, ou uma multidão de Deuses, eles são responsáveis pelo milagre da vida. Se não, somos bastardos muito sortudos que tivemos o privilégio de presenciar e vivenciar tudo isso do nada. E o que importa é que, estando todos vivos e todos neste mesmo barco chamado Terra, que possamos ao menos nos comunicar com respeito para que a viagem de cada um seja agradável ao seu modo.

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