18 de janeiro de 2015

Expectativa e Culpa

18 janeiro Escrito por Eliude Santos , Comente aqui
-Meu vaso quebrou! É tudo culpa sua!!
-Não é não. E mesmo que fosse, o vaso continuaria quebrado.
CULPAR É INUTIL
O sentimento de culpa e a necessidade de culpar os outros estão relacionados ao fato de não sabermos lidar com erros e imperfeições. Pessoas imperfeitas esperam que outros ou até mesmo elas próprias ajam sem nunca cometer falhas. Esta expectativa equivocada gera injustiça e sofrimento desnecessários.

Vivemos numa sociedade muito hipócrita. Dizer um palavrão na frente das crianças é politicamente incorreto, mas quando uma atriz famosa deixa escapar um palavrão em um programa de TV, recebe longos aplausos de pé.

No verão, vamos à praia e postamos fotos em nossas redes sociais com roupas de banho curtas e reveladoras, mas se na mesma época alguém posta uma foto em casa de cueca e camiseta enquanto tira os enfeites da árvore de natal, recebe um monte de críticas dizendo que aquela não é uma foto apropriada para se postar no seu mural.

No que tange à exposição do corpo, no que uma cueca revela mais que uma sunga?

Então o que é apropriado depende do contexto ou estigma social de quem age e do olho falho da pessoa imperfeita que observa e interpreta.

A expectativa por um comportamento apropriado produz seres muito exigentes e, consequentemente, muito estresse.

Todos sabemos que o trabalho pode dar a maior dor de cabeça. E, infelizmente, isto não é apenas língua figurada. De obesidade a tendinites e enxaquecas, o trabalho pode causar uma variada gama de doenças que podem afetar o modo como as pessoas se veem e se relacionam com o mundo ao seu redor. Você pode até achar o trabalho dos seus sonhos, mas se existe muita pressão por resultados, perfeccionismo exacerbado, rotinas repetitivas ou mesmo um supervisor exigente (que pode até ser você – já que estamos falando de trabalho dos sonhos), o estresse está a caminho.

Ainda que você pare de trabalhar em um emprego formal e se dedique a um projeto de vida sem fins lucrativos ou algo do tipo, se você tem muita expectativa quanto aos resultados ou se pressiona muito a si mesmo quando comete erros, não será muito diferente.

Colocamos no trabalho a culpa do estresse, quando na verdade, o problema está na má administração das expectativas daqueles que trabalham.

Numa sociedade baseada em lucro, resultados são alcançados porque é nossa obrigação, não porque isso nos dá prazer. E o trabalho se torna um pé no saco e rouba todo nosso tempo de aproveitar a vida.

O mesmo acontece na escola, na igreja, em casa. Até quando procuramos companhia, as pessoas tendem a elevar suas expectativas e descartar aqueles que não se encaixam em sua visão do Cara Certo ou da Mulher Perfeita.

Se você tem requisitos específicos e não negociáveis quanto à altura, peso e aparência da pessoa perfeita; se você se recusa a sair com alguém com uma conta bancária que não atenda suas demandas; ou se você exige que a pessoa se abra e confie em você totalmente já no primeiro encontro, suas expectativas de relacionamento podem estar equivocadas e você certamente se frustrará.

Não é que não devamos ter expectativas, elas só precisam ser equilibradas.

Se algum tipo de “química” for requerido, seja ela mental, física ou emocional; se você está esperando alguém cujas visões de mundo sejam semelhantes, mas não necessariamente idênticas às suas; se você quer encontrar alguém que te acha divertido, adorável e/ou excitante desde que você seja de fato tudo isso, então, suas expectativas de relacionamento podem de fato estar equilibradas, pois o esforço pelo equilíbrio está partindo de você.

As pessoas não são perfeitas, mas elas precisam aprender a despertar interesse no outro se querem encontrar alguém que lhes interesse. Assim, ao invés de perdermos tempo tentando descobrir se a culpa da solidão está em nós mesmos ou nas pessoas com quem nos relacionamos, precisamos passar mais tempo tentando achar aquela fagulha de interesse quando olhamos para nós mesmos no espelho.

Algumas pessoas se deixam aprisionar a situações onde se sentem como se fossem deuses em um momento e farrapos humanos no instante seguinte. E o único que pode ser culpado por isso é aquele que não consegue encontrar as forças para dar um passo para fora desta situação doentia. Não importa quem a começou.

Toda ação tem um agente (que é responsável por ela) e uma consequência (que nem sempre recai sobre o agente). Algumas dessas consequências podem até mesmo ser inconscientes. Você pode dizer que não gosta de trabalhar como escravo, você já não aguenta mais ser tratado desse modo por seu parceiro ou parceira, você já está cansado daqueles trabalhos e testes da escola, faculdade ou curso livre que não te fazem aprender coisa alguma. Você pode estar revoltado com todas estas pressões, mas, no fundo, você está domesticado, como um cachorro que late, e senta somente porque assim te ordenaram. E, mesmo insatisfeito, faz o teste, é maltratado pelo cônjuge ou trabalha mais um dia no subemprego que te escraviza.

Você precisa saber que não é um cachorro.

Achar alguém para culpar é inútil. Precisamos aproveitar esse tempo em que ficamos latindo contra o mundo para  encontrarmos soluções e agir a respeito. Quem consegue se desprender da culpa e dos julgamentos, encontra mais facilmente o equilíbrio que lhe trará paz e sucesso na vida.


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