1 de fevereiro de 2015

Entrevista à Mormon Thought

01 fevereiro Escrito por Eliude Santos 4 comentários
Em meados de maio de 2008 fui convidado a participar de uma entrevista aberta na comunidade "Mormon Thought", no site de rede social Orkut. Foram feitas perguntas acerca de minha vida pessoal, profissional e a respeito da minha visão de mundo. Decidi compartilhar aqui algumas das perguntas e respectivas respostas.

Anne Pergunta: "Eliude, fale um pouco pra nós de como foi sua vida... de onde surgiu o Eliude de hoje? Quem foram seus pais? Onde cresceu? Como foi o seu desenvolvimento? Era traquinas ou quietinho?"

Resposta: Eu nasci numa cidadezinha do interior da Paraíba e meus pais (Nadim e Graça) se separaram logo depois do meu nascimento. Fui criado por uma avó e uma tia, que me deram muito amor e carinho. Tive muitos amigos em minha infância. E era uma criança muito criativa, mas muito tímida. Somente quando entrei num grupo de teatro, aos doze anos, comecei a desenvolver minha extroversão. Aos 15 anos, fui morar com minha mãe na Bahia -- que até então era uma completa desconhecida pra mim. E lá conheci a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tornando-me membro logo em seguida. Voltei pra Paraíba no ano seguinte e fui morar com uns amigos em Campina Grande. Todos éramos adolescentes na casa. E nenhum deles era membro da Igreja. Eles são minha segunda família. Entrei na faculdade de Jornalismo, mas não me apaixonei pelo curso. Então, larguei a faculdade para dar aulas na cidade onde nasci. Dei aulas de português, inglês, história, ciências e religião. Na época, comecei a fazer um curso de pedagogia, mas decidi largar tudo para servir em uma missão de proselitismo pela Igreja. Passei um ano fazendo proselitismo de casa em casa e os últimos meses trabalhando no escritório da missão como secretário financeiro. Servi em Campinas, na época da dedicação do templo. Ao sair da missão, não voltei pra minha casa. Vim morar em São Paulo, onde moro até hoje. Aqui dou aula de inglês e estou escrevendo meu livro.

Vanusa Pergunta: "Qual é a origem do seu nome? De onde sua mãe conseguiu um nome assim tão difícil?"

Resposta: Eu nunca soube ao certo porque cada um na minha família fala uma coisa diferente. Cada avó conta uma versão de onde o nome surgiu. E minha mãe conta uma terceira história completamente diferente. A história que acho mais convincente é a de que viram o nome na Bíblia (Mateus 1:14-15) e decidiram me chamar assim. Quando eu era criança, eu não gostava muito do meu nome. Mas, quando descobri seu significado, assumi a personalidade do nome e o considero uma bênção paterna inspirada. Em hebraico, "Eliude" escreve-se: אֱלִיהוּד. "El" (אֱלִ) significa "Deus"; "i" (י)significa "meu"; "howd" (הוּד) significa "grandioso, majestoso, de forma ou aparência soberana e imponente"... Portanto, numa tradução ao pé da letra, sou "meu grandioso deus"!

Hallison Pergunta: "Sobre quais temas escrevia na sua adolescência?"

Resposta: Minha primeira tentativa fracassada foi um romance infanto-juvenil sobre vampiros (aos 13 anos). Depois, tentei escrever um romance histórico sobre o incêndio de Tracunhaém (aos 15 anos). E também comecei a escrever um romance regionalista que se passava na virada do século XIX para o século XX e brincava com os medos do desconhecido futuro (aos 18 anos).

Hallison Pergunta: "Ainda existe algum registro de algum conto (caso você tenha escrito contos) que poderia postar?"

Resposta: Nos intervalos que se deram entre essas tentativas fracassadas de escrever romances, escrevi alguns contos sim. Infelizmente, deixei tudo na Paraíba e minha família não parece tê-los preservado durante o meu período de missão. Alguns eram excelentes. Aqui em São Paulo já escrevi outros. Mas atualmente tenho me concentrado no Livro de Malco e nos outros livros ou projetos relacionados a ele.

Hallison Pergunta: "Em que a sua criação, sendo que enfrentou a ausência de um dos seus pais, segundo entendi, pode ter contribuído no seu interesse pela leitura?"

Resposta: Após a separação de meus pais, devo ter morado pouco menos de dois anos com cada um deles durante minha infância e adolescência. Não sei até que ponto isso influenciou no meu contato com a leitura. Acho que o fato de ter aprendido a ler muito cedo e o de ter uma amiga bibliotecária influenciaram bastante.

Ricardo Pergunta: "Quais filmes vc recomendaria para um aprendiz de cinéfilo como eu?"

Resposta: Na verdade, não escolhemos os filmes, são eles que nos escolhem. E isso porque as pessoas têm gostos muito distintos. Mas falarei o que eu considero lição de casa indispensável: dos filmes antigos, indicaria os do Charles Chaplin, do Luis Buñuel, do Ingmar Bergman, do Jean-Luc Godard e do Stanley Kubrick; de diretores recentes, indicaria os filmes do Darren AronofskyCharlie KaufmannPaul HaggisJean-Pierre JeunetM. Night ShyamalanPaul Thomas AndersonTom TykwerAlejandro González IñárrituLars von TrierPedro AlmodóvarKrzysztof KieslowskiDavid LynchDavid FincherFernando Meireles; dos mais populares, mas não por isso menos importantes, indicaria Steven SpielbergQuentin TarantinoJames CameronPeter Jackson.

Ricardo Pergunta"Tem como oferecer os títulos ao invés dos diretores?"

Resposta: Claro que tem. Mas, vale a pena ver todos os filmes de cada um dos diretores citados. Quando um diretor é bom de verdade, ele sabe escolher bem os roteiros que vai desenvolver e normalmente compõe trabalhos excelentes. Então, lá vai meu filme preferido de cada diretor: Chaplin: O Grande Ditador (1940) Buñuel: O Anjo Exterminador (1962) Bergman: O Sétimo Selo (1957) Godard: 'Je vous salue, Marie' (1985) Kubrick: Laranja Mecânica (1971) Darren Aronofsky: Fonte da Vida (2006) Charlie Kaufmann: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) Paul Haggis: Crash (2004) Jean-Pierre Jeunet: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) M. Night Shyamalan: A Vila (2004) Paul Thomas Anderson: Magnólia (1999) Tom Tykwer: Corra Lola, Corra (1998) Alejandro González Iñárritu: 21 Grams (2003) Lars von Trier: Dogville (2003) Pedro Almodóvar: Carne Trémula (1997) Krzysztof Kieslowski: A Trilogia das Cores (1994) David Lynch: O Homem Elefante (1980) David Fincher: Clube da Luta (1999) Steven Spielberg: A Lista de Schindler (1993) Quentin Tarantino: Kill Bill (2003-4) James Cameron: Titanic (1997) Peter Jackson: O Senhor dos Anéis (2001-3)

Chris Pergunta: "Você já falou de amor antes em suas respostas, mas o que é o Amor, para o Homem Eliude? O que lhe completa? O que lhe realiza? O que lhe envolve e encanta quando se apaixona?"

Resposta: Amor pra mim é um sentimento de ligação que nos faz penetrar na alma de outra pessoa e que abre o caminho de nosso coração pra ela. Quando me sinto perfeitamente conectado com alguém, mesmo quando nossas opiniões se desencontram, percebo que estou amando. E amo muitas pessoas. E meu coração às vezes fica confuso e perdido. Sinto-me completo quando sou compreendido. Sinto-me realizado quando me faço compreender. Uma alma bonita e uma conversa agradável me envolvem e encantam e fazem-me abrir as portas do meu coração. A paixão, no entanto, depende de algumas reações químicas que são causadas nesse meio tempo e que me cegam pra tudo o que está ao meu redor. E acabo fazendo ou falando coisas que não faria ou falaria se tivesse total controle racional e emocional da situação. Geralmente me apaixono pela impossibilidade.

Aline Pergunta: "O que você entende por omissão?"

Resposta: Entendo o mesmo que fala o dicionário: Ato ou efeito de omitir (isto é, deixar de fazer ou dizer alguma coisa; não mencionar, deixar no esquecimento, de propósito ou não). Num universo de idéias e ações, nada é absolutamente compreendido ou declarado; e o que é omitido (seja pela não-verbalização ou não-ação) pode ser tanto prejudicial quanto justificável. Mas acho que em certos casos, a omissão verbal faz parte da apresentação da mensagem, desde que não seja acompanhada de acréscimos improcedentes. Exemplificando: Todos nós crescemos em conhecimento de graça em graça, isto é, aos poucos. E é aos poucos, porque nem tudo nos é declarado de uma vez. O próprio Deus revela a verdade aos profetas aos poucos. Um pouco a um, um pouco ao outro. Passaram-se anos até que conhecimentos que eram comuns entre os cristãos primitivos se tornassem aceitos em nosso meio. E isso, porque Deus nos conhece bem, e sabe até que ponto estamos prontos pra novas verdades. Por isso, Ele nos dá na medida que suportamos. Desse modo, um bom emissor, sabe o quanto pode dizer e o quanto pode omitir (sem mentir) para que o receptor cresça em entendimento sobre o assunto. Quanto à omissão de ação, todos nós passamos por experiências em que sabemos que algo precisa ser feito e simplesmente não conseguimos fazer. Ou porque a ocasião não nos permite; ou porque não estamos adequadamente preparados; ou porque simplesmente esquecemos. Gostaria muito de ser menos omisso. Mas entendo a necessidade da omissão certas vezes. Tudo depende de bom senso.

Aline Pergunta: "Defina amor."

Resposta: Falei um pouco sobre o amor no início desta entrevista. Mas não custa falar mais um pouquinho. Afinal, este é um assunto importantíssimo. Uma vez, comentei com uma amiga que seria muito importante termos aulas de AMOR na faculdade. Imagina, no campus alguém vira pra você e pergunta, "Que disciplinas pegou esse semestre?"... Você vira pra ela e diz, "Ixe, reprovei em AMOR III, vou ter que fazer de novo." (risos) Pois bem, acho que há três tipos de amor: o romântico, o familiar e o caridosoO AMOR ROMÂNTICO é o que temos por amigos e por companheiros: quando esse amor é precedido pela paixão (erotismo), queremos ter um relacionamento mais íntimo com a pessoa que amamos; quando é precedido por um sentido de familiaridade (coleguismo), desenvolve-se a amizade, que pode ser mais profunda (beirando a caridade) ou mais superficial. O AMOR ROMÂNTICO É CARACTERIZADO POR DIFERENTES NÍVEIS DE ADMIRAÇÃO; O AMOR FAMILIAR é aquele que sentimos por nossos pais, filhos e irmãos. Muitas vezes, estendemos esse amor a pessoas que conhecemos no decorrer de nossa vida, seja porque nos sentimos no dever de protegê-las, ou porque sentimos segurança ao seu redor. Assim, fazemos de muitos conhecidos ou amigos, nossos protetores ou protegidos. O AMOR FAMILIAR É CARACTERIZADO POR DIFERENTES NÍVEIS DE PROTEÇÃO. O AMOR CARIDOSO é sinônimo de CARIDADE. No entanto, o mundo entende caridade de um modo diferente. Todos entendem caridade como ação. No entanto, a caridade não é ação, mas sim um sentimento, porque amor é sentimento. Assim, temos caridade, quando sentimos o DESEJO sincero de agir em benefíco de alguém, seja porque temos ADMIRAÇÃO ou porque queremos PROTEGER essa pessoa. O AMOR CARIDOSO É O DESEJO DE COLOCAR AS NECESSIDADES DO OUTRO ACIMA DAS NOSSAS.

Aline Pergunta: "Qual a sua opinião sobre o homossexualismo?"

Resposta: Correção do termo: prefiro chamar de "homossexualidade". Ismos dão idéia de partidos; dades dão idéia de características. E pra mim, a homossexualidade é uma característica e não um partido. Na minha opinião, ninguém nasce homossexual; assim como ninguém nasce hétero, bi ou pansexual. Até porque, até iniciar sua "vida sexual", ninguém é homo, hétero, bi, pan ou qualquer outra classificação de identidade sexual, já que ainda não se faz sexo em tão tenra idade! Por definição, homossexual é a pessoa que FAZ sexo com outra do mesmo gênero; do mesmo modo, heterossexual é a que FAZ sexo com alguém do gênero oposto. Algumas pessoas, no entanto, nascem com certas tendências hormonais físicas ou psicológicas que determinam sua "orientação" sexual. No entanto, uma "orientação" não é uma "determinação". Qualquer pessoa pode, se desejar, querer driblar essas características e viver feliz de um modo distinto ao que sua orientação indica; ou pode também querer aceitar tais orientações naturais e viver também de um modo harmônico dentro do padrão de felicidade que construiu pra si mesma. Na Igreja Mórmon, alguém que tem orientação homossexual pode, se quiser, viver um padrão heterossexual tranqüilamente, casar-se, ter filhos e herdar o reino celestial se cumprir todos os mandamentos; ou pode abster-se do sexo, optando por viver a lei de castidade, e do mesmo modo ser aceita naquele reino. Lembro que o reino celestial é um reino para pessoas que se preparam para ser pais e mães. Se optar por SER de fato HOMOSSEXUAL, isto é, FAZER sexo com alguém de seu mesmo gênero, ele quebra a lei de castidade, portanto, perde o direito de entrar no reino celestial; mas pode, se viver os outros princípios do evangelho, receber altos graus de glória nos outros Céus (terrestrial ou telestial). *Só quero lembrar que o mesmo acontece para heterossexuais que FAZEM sexo antes do casamento, ou que TRAEM a esposa depois do mesmo. Também quero deixar claro, no tocante ao que falei sobre o julgamento da quebra da lei de castidade, que sempre há a opção do arrependimento. Pois nada é definitivo nesta vida, nem tampouco depois dela.

Aline Pergunta: "Bondade é exercício ou dom?"

Resposta: Bondade é uma das facetas do amor caridoso; portanto, é dom, pois a caridade é um dom. Mas dom não é algo nato; é algo que recebemos. E algo que, se não temos, podemos buscar. Para dons, a máxima de Tiago também é válida: "Pedi, e recebereis." (Tiago 1:5) Podemos desenvolver bondade (amor) começando por passos menores, como a empatia. Se aprendermos a nos colocar no lugar do outro antes de agir ou expressar o que sentimos, teremos muito mais sucesso em todas as nossas relações.O exercício da bondade chama-se FÉ.

Aline Pergunta: "Bom, você é apaixonado por cinema, mas sei que já desenvolveu alguns trabalhos com teatro. Fale sobre eles."

Resposta: Comecei no teatro aos doze anos. Entrei para um grupo pra ver se perdia a timidez... e parece que surtiu efeito! Fizemos algumas peças juntos... e foi muito divertido atuar com eles. Costumava fazer personagens cômicos, mas também fiz algumas peças dramáticas. Na Igreja, sempre estive envolvido em apresentações culturais. Já escrevi peças, atuei, dirigi. Alguns trabalhos de que me orgulho muito foram: "O Casamento de Afrodite", uma peça que escrevi para os alunos de uma turma de história que tive há alguns anos. Eles amavam a mitologia grega e fizemos uma encenação para o fim do ano... Foi impressionante o quanto se empenharam... Todos elogiaram o trabalho. Não foi a primeira peça que havia escrito, mas foi a primeira que dirigi; "O Pequeno Príncipe", fizemos uma adaptação onde várias pessoas faziam o papel do pequeno príncipe. Eu fiz o pequeno príncipe antes de sair do seu planeta. E fiz o bêbado em um dos planetas que o pequeno príncipe visitou... até hoje algumas crianças me encontram e ainda me chamam de bêbado!!! (risos); "O Salvador do Mundo", foi um musical que a presidência da Área Brasil Sul organizou e contou com a participação de várias pessoas extremamente talentosas para encenar os acontecimentos que precederam a vinda de Cristo e Suas visitas aos discípulos em Jerusalém, após sua Ressurreição. Fui chamado para fazer o papel de Néfi que tinha somente duas pequenas falas e participar dos corais que narravam em música a história. Mas, com o tempo, acabei assumindo o papel de ator substituto em ensaios e apresentações. E acabei tendo que decorar quase todos os papéis masculinos da peça, inclusive as canções. Foi um excelente exercício... e me orgulho muito de poder ter tomado parte num projeto tão significativo!

Juliana Pergunta: "Tua empatia faz com que tu aceites a homossexualidade como algo normal?"

Resposta: Primeiro, permita-me fazer a distinção que sempre faço: existe a orientação homossexual e a homossexualidade. A orientação homossexual é caracterizada pela atração pelo gênero oposto. Muitos jovens na Igreja sofrem por sentirem essa atração e por não saberem como lidar com ela. O que cria essa vergonha é o conceito do "proibido". No entanto, estão na mesma situação de um namorado que sente atração por sua namorada mas precisa refrear seus impulsos até o casamento (no entanto, o jovem hétero sabe que seu ato agora pecaminoso será aceito e autorizado por Deus após seu casamento). Já a homossexualidade é caracterizada pela prática sexual. E isso é considerado como pecado passível da perda da exaltação pelas escrituras. Assim como o adultério de um casal heterossexual o é. Ambos, no entanto, são passíveis de perdão, mediante arrependimento. O que torna o arrependimento do homossexual mais difícil é que não se livrará do estigma de sua orientação sexual. Ele sempre sentirá esse desejo. E, se for muito forte, jamais poderá ter um relacionamento heterossexual saudável, o que por si só, já não lhe permite entrar no grau mais elevado do reino celestial. A pergunta era, considero normal? Sim. Considero normal, tanto a orientação quanto a prática. Se não fosse normal, não existiriam reinos de glória para todos os que fogem aos padrões do reino celestial. Da mesma forma que considero normais quaisquer outros desvios do padrão celestial, desde que não firam a liberdade e a propriedade de outros. Se a pergunta fosse: agrada a Deus? A resposta seria: Não. Porque, sendo Pai, Ele quer Seus filhos juntos Dele. No entanto, Ele sabe que nem todos seriam felizes vivendo a vida que Ele leva. E, por isso, respeita a liberdade (arbítrio) que Ele mesmo lhes concedeu.

Juliana Pergunta: "Como lidar com amigos homossexuais?"

Resposta: Apresentar a "doutrina cristã" de modo a não ferir nossos amigos que sentem atração por pessoas do mesmo gênero é sempre uma tarefa difícil. Até porque, ao contrário de muitos outros desvios do padrão celestial, esta é uma escolha que talvez nenhum deles se sinta completamente responsável por ter feito, e muitos nem acham que fizeram. Um exercício de empatia: Como é que você (sendo hétero) se sentiria se fosse ordenado por Deus a controlar sua orientação sexual e casar-se com alguém do mesmo gênero? Para muitos de nossos amigos, a proposta de abandonar a homossexualidade soa exatamente igual a essa suposição. É como pedir pra eles deixarem de ser quem são. Então, devemos primeiro procurar entender se são felizes como são. Quais foram suas experiências com o gênero oposto, se é que houve alguma. E como encaram seus sentimentos a respeito de si mesmos e dos outros. E respeitar sua posição, diante dos níveis de verdade e felicidade sobre os quais construíram seu paradigma de vida. Se respeitamos e construímos uma ponte de amizade e respeito, eles nos darão mais ouvidos, e poderemos apresentar-lhes nosso paradigma, sem que seja de pronto repudiado. E qual é o nosso paradigma? Deus estabeleceu um perfil que deve ser desenvolvido pelas pessoas que querem voltar a viver com ele (No entanto, voltar a viver com Ele, implica em levar a vida que Ele leva). Podemos nos esforçar para viver dentro desse perfil e receber no futuro o benefício de habitarmos ao Seu lado e recebermos da plenitude de Sua felicidade. No entanto, caviar pode ser a plenitude da felicidade pra alguns, quando um prato de feijão com farinha é a plenitude da felicidade para outros. E Deus respeita nossas visões de felicidade. Mas está disposto a nos mostrar as maravilhas do prato que está nos oferecendo, se simplesmente tivermos a mente suficientemente aberta para provar. E, se depois de provarmos, apesar de toda a propaganda, preferirmos o outro, Ele nos concederá de acordo com nossos desejos, ainda que isso signifique que Ele não tomará parte conosco em nossa refeição.

Júnior Pergunta: "Se pudesse voltar no tempo, como no livro 'Operação Cavalo de Tróia', qual época e circunstância gostaria de vivenciar? e Por quê?"

Resposta: Nossa! Essa é uma pergunta difícil de responder... Eu acho que eu iria abusar da máquina do tempo e visitar cada uma das diferentes épocas na história da humanidade... Mas acho que uma de minhas primeiras paradas seria na Grécia Antiga. Acho fascinante a história daquela ilha cheia de pedras. Adoraria conhecer os filósofos gregos e conversar pessoalmente com eles, ver os templos em sua exuberância ainda fresca, participar de um banquete e ouvir uma rústica melodia acompanhada ao som de cítaras e aulos, pintar um vaso na oficina de Apeles, assistir a uma peça de Sófocles sentado o mais próximo possível do Thymele, conversar com as lavadeiras, com os artesãos, com os homens simples do campo... Mas também ia querer assistir a construção de uma pirâmide no Egito ou na América Antiga, para saber como os homens de uma suposta época não-tecnológica conseguiram cortar pedras gigantescas e conduzí-las até os locais das grandes edificações. Mas, já que não tenho a sorte de encontrar uma máquina do tempo que me transporte até lá, gosto de ler a respeito. E me transportar pela leitura. Atualmente, estou vivendo na época da construção da Torre de Babel, tentando vivenciar cada momento, nas páginas do livro que estou escrevendo.

Júnior Pergunta: "Se pudesse mudar algo do seu passado, o que mudaria? Faria isso diferença hoje? Como?"

Resposta: Acho que todos nós temos coisas das quais nos arrependemos; mas, de certo modo, são essas coisas que nos tornaram o que somos hoje. Não dá pra ter ideia do efeito que faria hoje uma pequena mudança no passado de uma pessoa. É como se nossa vida fosse uma porteira, o passado fosse a parte mais próxima das dobradiças e o futuro a parte mais próxima do ferrolho. Uma pequena alteração próxima ao vértice gerará uma abertura (leque de possibilidades) cada vez maior, dependendo do tamanho da porteira (nossa vida). Eu estou contente com o ponto aonde cheguei, por causa das escolhas que fiz no passado. Imagino que se mudasse alguma coisa, teria uma vida completamente diferente agora. Não sei se essas realidades paralelas seriam melhores ou piores. Ou se teriam facilitado ou dificultado o curso de minha vida. Mas eu não sou uma pessoa de "subjuntivo". Acho que viver de "se" é perder tempo de viver de fato. Então, não uso muito o "se" me referindo ao passado; prefiro usar o "se" me referindo ao futuro. Sempre penso em todas as possibilidades que consigo enxergar antes de fazer alguma coisa. Muitos amigos falam que sou negativo, porque sempre aponto o lado negativo de uma possível ação. Mas, na verdade, eles não percebem que também aponto o lado positivo. Eu sempre percebo que há uma escolha pra ser feita e nem sempre a escolha será fácil. E várias conseqüências podem advir, inclusive negativas. Assim, não penso muito em mudar meu passado. Estou contente com meu presente. Mas penso duas e até mais vezes antes de dar qualquer passo em direção ao futuro.

Ana Paula Pergunta: "Você foi convertido ou já nasceu de pais SUD [Santos dos Últimos Dias, também conhecidos como Mórmons]?"

Resposta: Ana, eu nasci de pais SUD (Sem Um Dollar sequer pra me ajudar)... (risos)... Na verdade, minha mãe era filha de líderes evangélicos e meu pai era filho de uma família tradicional católica... Eles se separaram quando eu era muito novo, então, não exerceram qualquer influência quanto a que religião eu haveria de seguir. Tentei fazer catecismo quando era criança, mas não consegui aceitar as coisas que aprendia nas lições da catequese, apesar de ter uma professora muito doce e apaixonada pelo que acreditava. Procurei nos livros me familiarizar com outras crenças. Achei muito interessantes os ensinamentos budistas e espíritas kardecistas.... mas todos apresentavam conceitos dos quais não compartilhava. Durante um tempo, me declarei ateu e depois acabei desenvolvendo meu próprio sistema de crenças. Mas, finalmente, ao descobrir o Livro de Mórmon, tudo ficou claro pra mim. E passei por muitas experiências que alimentaram minha fé e aumentaram meu entendimento do evangelho. Não recebi as convencionais palestras. Apenas foi-me feito um resumo de todas elas em cerca de uma hora antes de minha entrevista batismal. Praticamente não houve participação dos missionários no meu processo de conversão. Nem os conhecia quando terminei de ler o livro. E, quando os encontrei, apenas comuniquei-lhes que preparassem tudo para meu batismo no dia seguinte. E essa foi sua participação. Todas as experiências de meu primeiro ano após o batismo na Igreja, inclusive ter estudado o Livro de Mórmon no seminário durante esse ano, foram fundamentais para adquirir um testemunho que hoje considero inabalável sobre o evangelho restaurado. [Para quem não está familiarizado com a terminologia mórmon, um testemunho é uma prova de suas certezas].

Chris Pergunta: "O que lhe faz feliz nesta vida?"

Resposta: Muitas coisas me fazem feliz. -As recompensas e a gratidão me deixam feliz: o sorriso no rosto do outro como reação a algo que eu fiz ou deixei de fazer; um aluno que diz a alguém que nunca vai esquecer aquela aula ou experiência que teve comigo; um carinho retribuído... -Oportunidades de sentir-me útil me deixam feliz: ter o que dizer na hora que alguém precisa de minhas palavras ou meu silêncio; ter o que oferecer na hora que alguém precisa de algo concreto; poder ensinar e compartilhar os dons que recebi; fazer um agrado a alguém que não está esperando... -Vencer obstáculos pessoais me deixa feliz: tenho grande dificuldade para concluir tarefas, faz parte dos defeitos de minha personalidade, quando consigo terminar uma delas, ou quando percebo que não parei no meio do caminho, isso me deixa profundamente feliz... Entre outras coisas que não lembro agora.

Chris Pergunta: "O que lhe faz triste?"

Resposta: Não há muita coisa que me deixa triste, há algumas que que deixam irritado, mas poucas que me deixam triste: -a decepção me deixa triste: quando minhas expectativas são frustradas por algum aspecto alheio à minha capacidade de alterar os resultados; quando não consigo estar à altura de meus sonhos, planos e desejos; quando alguém revela-se o oposto do que diz ser... -a indiferença também me deixa triste.

Chris Pergunta: "O que lhe deixa estressado?"

Resposta: Algumas coisas que à princípio me deixam triste podem me deixar profundamente aborrecido e estressado se persistem. Mas, normalmente sou uma pessoa de bom humor e procuro evitar ficar pensando em coisas que me colocam pra baixo. Normalmente, fico triste ou aborrecido por uns segundos, solto um grito, dou um soco numa almofada, ou numa mesa, e me acalmo!-falta de bom senso. -mentira perniciosa. -acusações e julgamentos injustos. -preconceito ou falta de respeito. -má administração de dinheiro, tempo e posições. -trabalho atrasado e acumulado. E fico ainda mais estressado quando o culpado por alguma dessas coisas citadas aqui fui eu mesmo, especialmente as duas últimas.

Chris Pergunta: "O que lhe decepciona mais nas pessoas?"

Resposta: O que já comentei acima responde em parte essa pergunta, pois normalmente o que me decepciona nos outros são também coisas que me entristecem ou irritam em mim mesmo. Mas, uma coisa que não falei acima e que, de fato, me decepciona é a traição, e a traição pode se manifestar das mais diferentes formas. A falta de coerência também é uma coisa que me deixa muito perturbado.

Chris Pergunta: "O que lhe causa mais espanto?"

Resposta: O sinismo me espanta. Fico impressionado com a cara de pau de algumas pessoas. Também me espanto com meu rosto no espelho algumas manhãs!!! (risos)

Chris Pergunta: "O que lhe dá mais paz?"

Resposta: O entendimento. O conhecimento está ao alcance de todos, mas nem sempre ele gera paz, pois a interpretação que fazemos dele pode ser tão ou mais danosa que a própria ignorância. Por isso, encontrar a harmonia dos diferentes conhecimentos, entender a razão das crises e permitir que esses conhecimentos ajam como catalizadores e harmonizadores de nossas reações pode trazer-nos paz.

Chris Pergunta: "Como consegue seu equilíbrio pessoal?"

Resposta: Aprendi uma regra importante para alcançar equilíbrio e construir pontes entre os diferentes níveis de conhecimento e entendimento. E essa regra consiste em não querer pegar uma porção de "maná" superior à sua fome.

Ale Pergunta: "Qual citação que mais gosta?"

Resposta: "O essencial é invisível aos olhos." (Exuperry)

Ale Pergunta: "Qual citação mais aplicável em sua vida?"

Resposta: "Você é responsável por aquilo que cativa." (Exuperry) Acho que já ficou evidente que meu livro preferido é o "Pequeno Príncipe"! (risos)

Ale Pergunta: "Qual escritura dos livros padrão que você mais gosta (enfim, de cada uma delas)?"

Resposta: "E o Senhor disse-me: Estes dois fatos realmente existem, que há dois espíritos, sendo um mais inteligente que o outro; haverá um outro mais inteligente que eles; eu sou o Senhor teu Deus, eu sou mais inteligente que todos eles." (Abraão 3:19); "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." (Gênesis 1:27); "Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria" (2 Néfi 2:25); "Qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição. E se nesta vida uma pessoa, por sua diligência e obediência, adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro." (D&C 130:18-19) E essas resumem um pouco as razões de nossa existência.

Ale Pergunta: "Para ti, qual a razão das pessoas se afastarem do evangelho?"

Resposta: Elas se afastam da Igreja ao perceberem que a Igreja já não se encaixa nos seus padrões de felicidade; e se afastam do Evangelho (verdade) quando não conseguem se harmonizar com os conceitos que aprendem.

Ale Pergunta: "Qual citação da Igreja você gosta mais e qual se aplica melhor em sua vida?"

Resposta: A que gosto mais: "When pride has a hold on our hearts, we lose our independence of the world and deliver our freedoms to the bondage of men’s judgment. The world shouts louder than the whisperings of the Holy Ghost. The reasoning of men overrides the revelations of God, and the proud let go of the iron rod. Pride is a sin that can readily be seen in others but is rarely admitted in ourselves. Most of us consider pride to be a sin of those on the top, such as the rich and the learned, looking down at the rest of us. There is, however, a far more common ailment among us—and that is pride from the bottom looking up. It is manifest in so many ways, such as faultfinding, gossiping, backbiting, murmuring, living beyond our means, envying, coveting, withholding gratitude and praise that might lift another, and being unforgiving and jealous." (Ezra T. Benson) [Tradução: "Quando damos ao orgulho lugar em nossos corações, nós perdemos nossa independência do mundo e entregamos nossa liberdade ao cativeiro do julgamento dos homens. O mundo grita mais alto que os sussurros do Espírito Santo. A racionalização dos homens sobrepõe as revelações de Deus, e o orgulhoso se solta da barra de ferro. O orgulho é um pecado que pode ser prontamente visto nos outros mas raramente é admitido em nós mesmos. A maioria de nós considera o orgulho como um pecado daqueles que estão no topo, como os ricos e estudados, olhando de cima para o resto de nós. Há, no entanto, uma doença muito mais comum em nosso meio—que é o orgulho dos que olham de baixo pra cima. Ele é manifestado de tantas maneiras, tais como apontar falhas nos outros, fofocar, levantar falso testemunho, murmurar, viver além das posses, invejar, cobiçar, não expressar a gratidão e o elogio que podem elevar o próximo, e ser duro para perdoar e ciumento." (Ezra T. Benson)] Adoro todo esse discurso... Aprender a essência do orgulho e da humildade nos ajuda a ser melhores pessoas. E a citação que mais se aplica à minha vida: "But even more important than respecting other churches for the good work they do, we should respect our fellow human beings—not in spite of their beliefs, but because of them!... Latter-day Saints have an obligation to enlighten, not debate! If we expect others to listen to our beliefs respectfully, we must also listen to theirs in the same way." (Gerald E. Jones) [Tradução: "Mas mais importante que respeitar outras igrejas pelo bem que elas fazem, deveríamos respeitar nossos companheiros seres humanos—não a despeito de suas crenças, mas por causa delas!... Os santos dos últimos dias têm a obrigação de esclarecer, não de debater! Se esperamos que os outros ouçam nossas crenças respeitosamente, devemos também ouvir as deles do mesmo modo." (Gerald E. Jones)] Essa é minha obrigação: esclarecer, iluminar, e oferecer respeito esperando que em troca receba igual demonstração de empatia.

RSFMelo Pergunta: "Você já pensou em se afastar da Igreja? Já aconteceu? Tem medo que aconteça?" 

Resposta: Eu jamais me afastaria do Evangelho. Pois o evangelho é a verdade que eu conheço... Me afastar dessa verdade seria me afastar de mim mesmo... Felizmente, o evangelho em que eu acredito é extremamente aberto, então, onde quer que eu estivesse, ele também estaria... O conjunto de verdades que já aprendi e que já se provaram verdades para mim vão me acompanhar aonde quer que eu for. A Igreja é uma instituição que possui o sacerdócio para realizar ordenanças salvadoras que preparam pessoas para habitarem no Reino Celestial. Quando habitar naquele reino já não é uma prioridade, permanecer na Igreja é apenas uma casualidade. Então, se já considerei sair da Igreja? Claro! Se tenho medo? Claro que não! Desde que eu seja sempre honesto com meus sentimentos e tenha ações coerentes com meus objetivos, receberei como recompensa aquilo pelo que eu conseguir lutar. Mais importante que o status é o coração de quem o carrega.

Fábio Pergunta: A) "Gostaria que você fizesse um breve comentário sobre os seguintes filmes caso os tenha assistido:"

1. Laranja mecânica: Eu amo esse filme. Adoro o Kubrick (diretor) e acho que esse foi o melhor filme dele. Acho Laranja Mecânica extremamente original e perturbador. Adoro assistir filmes que me fazem pensar quando termino de ver. Tenho esse filme na minha DVDteca.
2. Blade Runner: Faz muito tempo que vi esse filme. Não lembro muito bem. Lembro somente que na época eu adorei o filme... Um outro filme que me remeteu a este foi A.I.
3. 2001 Uma Odisséia no Espaço: Adoro 2001. Acho fantástica a idéia de ter um computador rebelde tentando boicotar os humanos que dependem dele.
4. Twin Peaks: Adoro o David Lynch. Acho Eraserhead um filme fantástico, mas ainda não vi Twin Peaks.
5. Um Estranho no Ninho: Amo filmes com doentes mentais... (risos)... e o Jack Nicholson é fantástico... e o filme ainda conta com a direção do Milos Forman (que dirigiu Hair e Amadeus -- musicais excelentes!)
6. Gênio Indomável: Filme fantástico... adoro filmes com gênios... (risos)
Fábio, amei a sua seleção de filmes!!!

B) "Eu, como você, estou na faixa dos 30 anos, gostaria de perguntar qual seria a característica principal dessa geração nascida a partir da segunda metade da década de 70."

Resposta: Eu acho que as características dependem muito do contexto. Há obviamente um acesso muito maior à informação e à futilidade nessas últimas décadas. As mudanças de ideologia, os avanços tecnológicos, o declínio dos valores... tudo isso contribuiu para um desequilíbrio que pode ser visto claramente na sociedade atual e que se reflete principalmente nessa geração dos 30 e poucos... A maioria dos amigos que tenho tem dificuldade de se apegar a relacionamentos ou compromissos, buscam estabilidade financeira e não desprezam as oportunidades de lazer e acabam sendo os principais consumistas desse grande mercado de serviços e entretenimento, do culto ao corpo e à banalidade. Mas, com o passar dos anos, tenho chegado à uma conclusão de que gente é gente e, por mais que tentemos nos distanciar dos paradigmas do passado, mais nos percebemos nos espelhos que geralmente nos incomodam.

C) "Como você vê a atual crise econômica mundial? Você acha que o Neoliberalismo econômico é um sistema frágil, ainda dependente de invervenções do estado para socorrer o sistema financeiro? seria a derrocada dos USA do status de nação mais desenvolvida do mundo? E com relação ao Brasil, você acha que um dia sairemos da condição de "pais emergente" e seremos um país desenvolvido?"

Resposta: Essa crise é resultado de muitas pequenas escolhas que foram acumulando conseqüências ao longo dos anos. E essas conseqüências nem sempre recaem sobre os que detém esse poder de escolha. Todos os sistemas econômicos e governamentais já criados pelo homem tendem a caminhar para o fracasso, pois são baseados no homem, que é um ser naturalmente falho, ambicioso, e centrado em si mesmo. Mas, como a sombra de uns implica na luz advinda de outros, há sim uma possibilidade de que o Brasil cresça, se souber aproveitar as oportunidades que tiver. Mas, duvido muito, pois a natureza do povo brasileiro precisaria ser mudada para tanto... E, uma mudança de ideologia, por mais que seja imposta pelas circunstâncias é muito difícil de ser alcançada.

Érika Pergunta: "Qual teu sonho de consumo? Como lidas com o dinheiro? (gasta muito, é econômico, não tem apego material, etc.)"

Resposta: Não tenho grandes sonhos de consumo. Não quero carro, roupas caras, futilidades eletrônicas... quero ter um lugar onde eu possa viver tranqüilo, receber meus amigos, não quero deitar a cabeça no travesseiro e não conseguir dormir pensando no que ainda não tenho ou não paguei. Odeio dívidas e nunca compro algo se não tenho ainda o dinheiro para pagar tudo à vista. Prefiro ficar sem o produto ou serviço até que tenha dinheiro para comprar. E não morro por isso! Não sou do tipo consumista. Mas não sou mão de vaca. Controlo meu dinheiro de modo que gasto o que tenho... Ainda não cheguei à boa posição de conseguir economizar uma porção do que ganho a cada mês, porque sustento outras pessoas que não são nem um pouco como eu. Mas pelo menos consigo me manter longe do vermelho. Como tudo o que tenho foi comprado com o suor do meu rosto, sou apegado a essas coisas, pois sei seu valor. Esse apego é obviamente moderado. Não sou do tipo neurótico que não quer que ninguém se aproxime de seus bens. Compartilho-os na medida do possível. Mas sou zeloso e procuro mantê-los bem conservados, para que não precise gastar um dinheiro desnecessário com manutenção ou substituição.

Fábio Pergunta: "Pra quem você tira o chapéu e pra quem você não tira o chapéu?"

1. Quentin Tarantino. (tiro) Amo os filmes dele. Acho que ele tem uma capacidade de criação e uma noção de direção invejáveis. Kill Bill é uma obra prima!
2. Maquiavel. (tiro) Um italiano de língua afiada e poder de concisão e clareza. Adoro esse seu dito: "Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis."
3. José Saramago. (tiro) Um escritor de mão cheia e de percepção aguçada. Adoro Ensaio Sobre a Cegueira e gostei do Evangelho Segundo Jesus Cristo.
4. Hugo Chavez. (não tiro) Um grande líder com uma visão distorcida.
5. Che Guevara. (tiro) Um grande líder com um coração sincero e uma ideologia centrada no fortalecimento do povo.
6. Fernando Henrique Cardoso. (tiro) É um grande sociólogo e numa época de transição muito complicada, ele soube administrar e contribuiu grandemente para a estabilização da economia do país.
7. Fernando Collor de Melo. (não tiro) Um grande estadista que não soube administrar o próprio ego e meteu os pés pelas mãos.
8. Bob Dylan. (tiro) Uma das figuras mais influentes na música e cultura do último século. Sua poesia é crítica, rebuscada e conturbadora.
9. Hillary Clinton. (tiro) Não sou um grande perito em política, especialmente da política americana, que não acompanho de perto. Mas sempre fico impressionado com a força e carisma e com as propostas em prol da democracia levantadas por ela.
10. Sidney Rigdon. (tiro) Apesar de não ter apoiado o novo profeta (Brigham Young) por ocasião da morte de Joseph e ter fundado uma outra igreja se auto-denominando portador do direito à sucessão, Rigdon jamais negou seu testemunho da divindade do evangelho restaurado.
11. Madonna. (tiro) Admiro sua capacidade de transformação.
12. Elis Regina. (tiro) Uma linda voz, uma mulher forte; se tivesse sido compositora, seria minha personalidade preferida nessa lista.
13. Amy Winehouse (não tiro) Uma moça de muito talento que está se destruindo em público e que só recebe louros por isso.
14. Kurt Cobain. (tiro) Se ele não tivesse destruído sua vida, como tantos outros talentosos personagens da cultura mundial, eu tiraria com mais gosto esse chapéu.
15. Renato Russo. (tiro) Um talentoso poeta que ainda inspira jovens de bom gosto, cujas músicas tornaram-se hinos para a juventude em diferentes gerações.

Larissa Pergunta: "Qual é a sua orientação sexual? Quando seu perfil constava como "namorando", eu via você se referir à sua namorada como uma "pessoa", mas não como uma mulher."

Resposta: É interessante que essa pergunta tenha sido feita somente agora, visto que minha primeira participação nessa comunidade foi no tópico sobre "Casamento Homossexual" para tentar esclarecer alguns pontos que estavam sendo mal-compreendidos. Mas, obrigado por perguntar. Minha orientação sexual é bissexual (visto que tenho interesse tanto por um gênero quanto pelo outro, embora em níveis diferentes). Minha condição sexual enquanto namorava era a de homossexual (visto que a "pessoa" em questão era um rapaz -- que aparece uma centena de vezes nos meus álbuns de foto públicos, portanto, não é segredo para ninguém). Conheci o Lucas num dia e no dia seguinte já estávamos namorando. Ele é uma pessoa incrível, inteligente, respeitoso, sincero, engraçado e viciado em cinema como eu! (risos) Namoramos durante três anos, e aprendi muito com ele durante esse tempo. No primeiro dia que ele foi à minha casa, apresentei-o à minha mãe como meu namorado. Eles se tornaram bons amigos. Eu tenho também um relacionamento maravilhoso com os pais dele, por quem tenho muito respeito e admiração. E eles também me adoram. Todos os nossos amigos mais próximos também sempre souberam que namorávamos. As únicas pessoas que nunca souberam foram as que nunca perguntaram ou não se esforçaram para perceber. Não costumo sair por aí falando dessas coisas porque gosto que as pessoas tenham respeito por minha vida privada, que para mim é sagrada, portanto me reservo somente a responder quando perguntam. Espero que tenham percebido que sou sempre coerente. Minha discrição deve-se também ao fato de que sou educador e preso muito pelo respeito. Reconheço que vivemos numa sociedade que dista muito da maturidade quando o assunto parte para o campo da sexualidade. Minha condição de gênero é homem. E entendo que algumas pessoas achem que como tal eu deveria honrar essa condição direcionando minha orientação somente para o gênero oposto. Mas, não é tão simples. Embora eu saiba que é possível. E já falei sobre isso antes. Minha orientação espiritual é mórmon. Tenho um testemunho da verdade e do Plano de Salvação e entendo todas as conseqüências e oportunidades geradas pela minha condição. Minha condição espiritual é de tranqüilidade, paz e harmonia comigo mesmo e com as coisas que acredito, assim como tenho um bom relacionamento com nosso Pai. Nunca menti para mim mesmo e sempre entendi a situação de um ponto de vista um pouco mais elevado. E isso alguns talvez não entenderão, mas eu os entendo. Por causa de todas as experiências que vivi, ganhei uma compreensão muito maior da misericórdia e justiça divina e do plano de salvação.

Mike Pergunta: "Como você se sente como membro de um religião muito conservadora? Isto não é muito difícil para um artista? Ou mesmo impossível?"

Resposta: Como acabei de explicar, durante os 10 anos em que fui membro da Igreja ativo, nunca senti-me pressionado ou reprimido. Sempre participei de peças de teatro, sempre cantei, desenhei, nunca deixei de escrever ou falar as coisas que sinto. Entendo que a Igreja é conservadora e apoio seu conservadorismo, até porque, também sou uma pessoa conservadora. Mas nunca vi a Igreja como repressora. Infelizmente, há muita repressão sim, não por parte da Igreja como organização, mas como parte dos membros, como indivíduos... E não são todos. Quando as pessoas se permitem ter um pouco de cultura e empatia, elas conseguem apreciar todo tipo de expressão artística, desde que transmita algo que se conecte com suas almas.

Mike Pergunta: "Para entender o drama humano, não é necessário ser mais livre no sentido de não ter dogmas e entender todos igualmente?"

Resposta: Claro que sim, mas a liberdade vem com a verdade. Quanto mais verdade conhecemos, mais livres nos tornamos. E essa liberdade não elimina a necessidade de regras e padrões. Eles são necessários para dar-nos direção e segurança. No entanto, a interpretação desses dogmas e padrões nem sempre coincide com a verdadeira natureza deles. Mas todas as interpretações servem ao seu proprósito e aqueles a quem se destina.

Gerardo Pergunta: "O que você acha de membros da Igreja que comparam a homossexualidade com pedofilia, incesto e estupro?"

Resposta: Compreendo, mas não concordo. Compreendo, pois em seu nível de entendimento é nessa categoria que entram os pecados sexuais. Mas não concordo, pois, num nível mais elevado de entendimento, vemos que há crimes, pecados, transgressões e ações justificadas; e, que uma mesma ação pode ser considerada em qualquer uma daquelas categorias a depender das circunstâncias em que foi aplicada. Ao matar Labão, Néfi cometeu um crime, mas sua ação foi justificada, portanto não incorreu em pecado. Não caberá a todos o discernimento de que artifícios Deus usou para justificar a necessidade de tal ação e de como essa justificação encaixa-se na doutrina da Expiação de Cristo. No entanto, entendemos que uma ação justificada não é pecado. Ao comer do fruto proibido, Adão não pecou, apenas transgrediu uma lei menor para conseguir obedecer a uma lei maior (fazer sexo com Eva e ter filhos com ela). Transgressão e pecado são coisas diferentes. Em nossa sociedade, estupro, incesto e pedofilia são crimes; homossexualidade não. Dentro da lei do evangelho, a tendência homossexual não é considerada pecado. O pecado é a prática, pois resulta na quebra da Lei de Castidade (que sugere que o sexo seja somente feito depois de um casamento aprovado por Deus), mas isso não incorre num ato criminoso. Afinal, pecado e crime são duas coisas diferentes. Um crime é um atentado contra a integridade física ou moral do indivíduo. Um pecado é um ato que distancia você do padrão celestial esperado daqueles que almejam alcançar a divindade. Colocar crimes e pecados numa mesma categoria é ter uma visão limitada da situação. Mas, a depender do nível de entendimento, é uma atitude compreensível, por isso, não me causa irritação, apenas desperta a minha preocupação em esclarecer. [Esclarecimento para quem ainda não entende minha visão de pecado. Pecado é apenas um parâmetro de auto-conhecimento. Quando afirmo que Deus considera a homossexualidade um pecado, não estou inferiorizando esse comportamento, apenas estou dizendo que esse comportamento caracteriza a pessoa num padrão diferente daquele que seria necessário para que ela sentisse felicidade plena no Reino Celestial, onde Deus habita. Deus reconhece que nem todos os filhos tem as mesmas visões de felicidade e preparou para eles lugares diferentes onde possam viver dentro de seu padrão particular e ser felizes ao seu modo.]

Érika Pergunta: "Como descreve tua comunicação com o Senhor depois que decidiste assumir tua sexualidade?"

Resposta: Não houve mudança. Ao contrário de muita gente, meu Pai é empático e sabe exatamente o que sinto, por isso, Ele me compreende e se entristece quando me vê triste, me apoia e me dá ânimo quando eu preciso. Quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, eles se envergonharam e não quiseram apresentar-se diante de Deus, escondendo-se de Sua presença. Essa vergonha foi colocada em seus corações por Lúcifer, que inclusive lhes mostrou que era um absurdo se apresentarem desnudos na frente de Deus e lhes fez aventais de parreira para que cobrissem a nudez. O propósito de Satanás é lançar em nosso rosto os nossos medos, frustrações e pecados e fazer-nos tão miseráveis como ele, para que assim, não tenhamos coragem ou nos tornemos orgulhosos demais para nos aproximar de nosso Pai e receber Dele o consolo e a ajuda necessária.

Chris Comenta: "Mais do que especulações e fofocas virtuais, agora, realmente espero que aqueles que acham que devido às suas escolhas não poderiam ter um testemunho da Igreja, estão errados. A capacidade de ver a verdade e vivê-la vai além da visão limitada que temos. "

Resposta: A capacidade de ver e viver a verdade, dentro dos limites de nossa visão e do paradigma de nossa felicidade é diferente para cada caso. A comunhão com Deus, isto é, a compreensão de Sua mente e Seus propósitos é algo que nos dá paz e nos ajuda a ser espelhos desse sentimento. Tenho um testemunho do evangelho de Jesus Cristo. Sei que Joseph Smith foi um profeta chamado por Deus e que a Igreja de Jesus Cristo é a única Igreja que pode e se propõe a preparar homens comuns a subirem aos mais altos graus de glória celestial. Já li muita literatura anti-mórmon e acredito que essas pessoas, sejam suas intenções boas ou más, terão o prazer de conhecer pessoalmente alguns dos personagens de quem falam e ter assim uma melhor compreensão de sua mente e motivações. Já li tratados de ateus tentando provar que Deus não existe. Sinto muito em afirmar para esses que, finda a sua vida mortal, serão convidados a mudarem de idéia. Também tenho um testemunho de minhas limitações e do meu potencial. E sei que não preciso negar o que acredito para afirmar o que sou e encontrar harmonia entre essas duas visões.

Érika Pergunta: "Acreditas que muitas pessoas se voltaram contra Igreja porque gostariam que ela se adaptasse ao seu estilo de vida?"

Reposta: Não sei se todos os opositores, mas uma boa parte deles sim. Temos a tendência de querer que o mundo gire ao nosso redor, de querer que Deus se adapte aos nossos padrões e desejos, e aja sempre dentro do nosso tempo e faça o que esperamos. É isso que crianças mimadas esperam de seus pais, não é? Um homem pede uma resposta e quer recebê-la imediatamente. Deus não a dá, e o homem já supõe "Deus não existe. Se existisse teria respondido a minha pergunta"... Alguém aparece e lhe diz, "Recebi uma resposta de Deus às minhas orações". Aquele que buscou a resposta e não recebeu pensa, "Por que será que esse aí está mentindo? Que cara de pau!"

Érika Pergunta: "O que tu achas daqueles que escondem seu verdadeiro 'eu' e procuram desviar as atenções de si, apontando o dedo para as imperfeições alheias?"

Resposta: Eu acho que todos têm o direito de escolher se querem ou não ser explícitos ao falar de sua vida pessoal. Há pessoas que têm problemas com a família, com o trabalho... Sabemos que a sociedade pode ser muito cruel às vezes. O que eu não concordo é que, façam isso tentando expor os outros. Especialmente quando essa exposição não-autorizada e desrespeitosa defende premissas erradas. Acho que enquanto uma pessoa não consegue se encontrar e definir, será difícil para ela definir e encontrar qualquer outra coisa. A grande tarefa de casa que nossos professores da existência pré-mortal nos deixaram foi: "Agora vai e descobre quem tu és." Essa é uma tarefa difícil. Há quem passará toda uma vida e não descobrirá a resposta. E sem sabê-la é muito difícil fazer qualquer escolha. Agir de qualquer modo sem sofrer ou causar sofrimento. Acho que as pessoas que ocupam sua vida tentando encontrar falhas nos outros, ou tentando destruir organizações que existem para promover o bem-estar e contribuir para o auto-conhecimento e para o entendimento de um modo geral deveriam reavaliar suas prioridades e encontrar algo mais proveitoso para fazer.

Gerardo Pergunta: "Na sua opinião, quais são os melhores compositores, guitarristas e cantores de rock? Se você fosse obrigado a estar em uma ilha longe de tudo e todos e pudesse levar 10 discos, quais seriam?"

Melhores Guitarristas: Jimmy Page, Jimi Hendrix, Matthew Bellamy, Jonny Greenwood
Melhores Compositores: Marcelo Camelo, John Lennon, Bob Dylan, Cazuza
Melhores Cantores: Thom Yorke, Matthew Bellamy, Robert Plant, Glen Hansard
Albuns que eu levaria para uma ilha longe de tudo: "In Rainbows", do Radiohead; "Daqui pro Futuro", do Pato Fu; "Bloco do Eu Sozinho", do Los Hermanos; "Eletrick Warrior", do T. Rex; "Yael Naim", da Yael Naim; "Black Holes and Revelations", do Muse; "Little Broken Words", do Keane; "Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band", dos Beatles; "Air", do Agua de Annique; "O", do Damien Rice.

Chris Pergunta: "Fale-nos sobre o prazer de ser professor (sei que você adora)."

Resposta: E, de fato, adoro!!! Acho que nasci pra isso. Quando eu era criança, enquanto meus primos brincavam de médico (risos), eu gostava de brincar de professor. Roubava o giz da escola, improvisava um quadro negro no quintal de casa e ficava ensinando os vizinhos. Eu sempre tive muita facilidade para explicar as coisas, e sempre aprendi muito mais ensinando que estudando. Por isso, na escola, costumava não levar caderno, nem fazer anotações... Prestava atenção nas explicações, lia o que os professores escreviam no quadro negro com atenção, e minutos antes, explicava aos meus colegas o que eu havia entendido. E, no momento em que estava explicando, eu ia aprendendo, especialmente quando eles tinham perguntas. Hoje, dando aula como profissional, fico extremamente feliz com o progresso de meus alunos. É extremamente prazeroso pra mim entrar na sala de aula. Meus alunos são em sua maioria muito espirituosos e bem humorados e compartilhar esse tempo com eles é gratificante. Não gosto de corrigir lições de casa, acho um trabalho profundamente massante. Relatei algumas experiências com alunos nesse artigo em meu blog: Ó Capitão, Meu Capitão Eles são muito criativos, industriosos, animados, inteligentes... É revigorante dar aula pra esses jovens brilhantes. Eles estão na faixa etária dos 12 aos 30 anos em sua maioria... e são sempre muito ocupados e pra maioria, inglês é mais uma necessidade que um prazer... mas, à medida que o curso avança, eles vão descobrindo o prazer de estudar e sempre nos divertimos muito em nossas aulas.

Chris Pergunta: "Como é essa coisa de relógio biológico ao contrário (voce dorme "cedo"!), quando isso comecou? Isso atrapalha de alguma forma?"

Resposta: Eu descobri, depois do meu primeiro derrame ocular, que tenho seis horas de atraso no meu relógio biológico. Quando eu era criança, fui criado por minha avó e ela era costureira e passava toda a madrugada costurando. E eu sempre fiquei acordado ao lado da sua máquina de costura brincando. Então, fui condicionando meu relógio biológico a funcionar com atraso. Quando eu estudava de manhã, era um sacrifício para mim acordar cedo e ir para a escola. E, os primeiros horários eram horários mortos pra mim. Mesmo depois de ficar todo o dia acordado, eu não conseguia sentir sono à noite. Sempre deitava e ficava boa parte da noite sem pregar o olho. Achava que tinha insônia. E nunca considerei isso algo difícil de lidar, até ir pra missão. Por causa da rotina puxada e de todo o esforço físico diário, imaginava que ao chegar em casa, cairia na cama e desmaiaria, mas não era bem isso que acontecia. Eu dormia cerca de uma hora a uma hora e meia por noite. Ficava todo o resto do tempo deitado, com o olho aberto na escuridão... o que gerou o derrame. Além disso, emagreci muitos quilos, chegando a pesar 49 kilos com 1,73 de altura (praticamente um somálio!!!)... Para terem uma idéia, hoje tenho 63kg e ainda acham que sou muito magro... (risos) Mas, depois do tratamento, e de decidir respeitar meu relógio biológico ao invés de lutar contra ele, estou muito bem... Vou dormir entre as 4 e 5 horas da manhã... acordo entre as 10h30 e meio-dia... dou aula à tarde e à noite. Meu único problema atualmente é o sábado, porque dou aula de manhã... e, para fazê-lo, tenho que ficar sem dormir... acordo por volta das 10:30 na sexta e vou dormir somente às 5 da manhã de domingo.

Fábio Pergunta: "Você gosta de The Smiths? E do trabalho solo do Morrissey? E de bandas como The Cure, Joy Division, The Jesus and Mary Chain e Echo and The Bunnymen? Você já assistiu Trainspotting?"

Resposta: Ouvia muito The Smiths na adolescência, preferia o som alternativo deles ao pop-dance sintetizado que era o main-stream da época... Acho que do trabalho solo do Morrissey o que gosto mais é "Tomorrow", mas acho que prefiro a banda The Pretenders, que de certo modo foi influência pra os Smiths. Adoro "Boys Don't Cry" do The Cure e todo o desespero das músicas deles... (risos)... Minha preferida do Joy Division é claro que é "Love Will Tear Us Apart", mas não sou um grande fã deles, prefiro o Radiohead... é pra mim um caso de seguidores que superaram os mestres... Do The Jesus and Mary Chain eu só conheço "Blues From a Gun"... se já ouvi alguma outra deles, não devo ter prestado atenção que eram eles. Echo and the Bunnymen eu não conhecia... Conhecia "Lips Like Sugar", mas não sabia que era deles!!! Quanto a Trainspotting, adoro!!! Tenho aqui em casa na minha DVDteca... Adoro a trilha sonora do filme... excelente...

Gerardo Pergunta: "Você curte MPB, jazz, bossa nova?"

Resposta: Eu adoro algumas músicas e gosto de outras: "Cidadão", Lúcio Barbosa; "Aquarela", Toquinho e Vinicius; "Rosa de Hiroshima", Vinicius; "Águas de Março", Tom Jobim; "Canção da América", Milton Nascimento; "Como Nossos Pais", Belchior; "Maria, Maria", Milton Nascimento; "Alegria, Alegria", Caetano Veloso; "London, London", Caetano Veloso; "Samba de Amor e Ódio", Pedro Luís e Carlos Rennó; "Campo Minado", Mário Maranhão, Mário Marcos e Maxcilliano; "Romaria", Renato Teixeira; "Porto Solidão", Gincko e Zeca Bahia; "Casa Pré-Fabricada", Marcelo Camelo; "No Rancho Fundo", Ary Barroso; "Que Belo e Estranho Dia Para Se Ter Alegria", Lula Queiroga... Não está em ordem de preferidas... são apenas músicas que gosto muito de ouvir...

Felipe Pergunta: "O que você está planejando para o futuro? O que espera das suas amizades? Está totalmente feliz com a vida que esta levando?"

Resposta: Sem planos (na verdade, quero publicar meu livro; quero parar de trabalhar para os outros e trabalhar pra mim; quero viajar; quero me curar de minha alergia ao sol... mas não tenho metas específicas, então esses planos viram mais desejos do que planos). Espero amigos mais presentes (a grande maioria dos meus amigos é essencialmente virtual, e necessito de contato, de falar olhando no olho das pessoas, de rir junto, aprender junto, crescer junto... e isso somente amigos reais e próximos podem oferecer). Não estou totalmente feliz, mas estou muito feliz.

4 comentários:

  1. Dei uma relida na entrevista! Deu saudade daquele tempo! Obrigada por ter selecionado minhas perguntas! Beijos, amigo!

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    1. Também sinto saudades. Por isso guardei com carinho o melhor daquela época aqui no blog. E eu amo particularmente essa entrevista, não somente pelo que ela revela de mim, mas por todas as circunstâncias que envolveram essa época da minha vida. Nesta última atualização do lay-out do blog eu tive que apagar o post antigo e repostá-lo. Ela já havia sido lida por mais de 1500 pessoas, desde 2008, quando foi primeiramente publicada e tinha inúmeros comentários. Peço desculpas àqueles que ja haviam comentado anteriormente e cujos comentários não puderam ser restaurados nesta repostagem.

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  2. Olá Eliúde,

    Esta entrevista foi sensacional. Aquela Comunidade Mormon Thought foi criada para que pudéssemos conversar sobre vários tópicos SUD. Sempre admirava o jeito como escrevia, realmente você tem o dom de escritor. Infelizmente o Orkut não dispunha de filtros para que pudéssemos avaliar um comentário antes de ser postados para todos lerem. Dava um trabalho danado aos moderadores ficar apagando "posts" que fugiam ao escopo da Comunidade. Fico feliz que terminou o Livro de Malco, devo comprá-lo logo, deixa eu receber meu salário rrrsss. Um grande abraço e sucesso em sua vida Eliúde!

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    1. Obrigado Marcelo, foi um prazer participar daquela comunidade. Fiz ótimos amigos por lá. Que bom que veio aqui no blog me fazer uma visitinha. Estou escrevendo um livro virtual aqui no blog, vou adorar ver seus comentários por aqui: http://eli-ude.blogspot.com.br/p/ego.html

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