11 de março de 2015

A Ganância é a Maior de Todas as Pragas

11 março Escrito por Eliude Santos Comente aqui
O que nos faz humanos? "Pensar", alguns arriscariam. A curiosidade, a criatividade, a consciência. A capacidade de rir e chorar em uma variedade de situações. Somos seres incríveis, com impressionantes características que nos assemelham a deuses. No entanto, somos a praga mais cruel e ameaçadora que este planeta já enfrentou. Como pode?!?

Tem algo em nossa natureza que chega a ser a característica menos "civilizada" de todas, no entanto, é a base da civilização humana: "a ganância". Por causa da ganância, nunca somos curiosos o suficiente, nossas criações nunca atendem todas as nossas necessidades, a nossa consciência nunca está totalmente satisfeita, nós sempre estamos atrás de mais motivos para rir e menos razões para chorar. Alguns poderiam dizer que é por causa dela que estamos em constante evolução. Mas a que preço?

Por causa da ganância, nunca houve um momento na história humana em que os homens estivessem em plena harmonia com o outro e com seu habitat. Mas, infelizmente, porque a ganância se alimenta de si mesma, nunca houve um momento em que os homens estiveram em maior desarmonia entre si e com seu meio ambiente do que em nossa época.

Nós poluímos a água que bebemos e não descobrimos como eliminar de modo seguro os nossos resíduos, que atualmente matam mais de 12 milhões de pessoas a cada ano. A poluição do ar mata quase 3 milhões a mais. Os metais pesados ​​e outros contaminantes também causam problemas de saúde por todo o mundo. O fornecimento de água doce é finito, mas a demanda só aumenta conforme a população cresce. Em 2025, quando a população mundial atingir a casa dos 8 bilhões, 48 ​​países contendo 3 bilhões de pessoas enfrentarão escassez de água e alimento. Isso sem falar nos ecossistemas que dependem dessa água para sobreviver. Os números citados mencionam apenas perdas humanas. As perdas sistêmicas são incalculáveis.

Temos comido de forma errada, e por causa disso, não haverá onde achar comida suficiente. Em 64 dos 105 países em desenvolvimento estudados pela Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, a população mundial vem crescendo mais rápido do que os suprimentos de alimentos conseguem acompanhar. A pressão populacional já tornou inférteis cerca de 2 bilhões de hectares de terras aráveis ​​- uma área do tamanho do Canadá e dos Estados Unidos juntos. Metade de todos os ecossistemas costeiros são depredados por altas densidades populacionais e pela "necessidade" de desenvolvimento urbano. Uma maré de poluição está surgindo nos mares do mundo. A pesca oceânica está sendo explorada além da sua capacidade, e as capturas de peixe já estão em baixa.

Quase metade da cobertura florestal original do mundo se perdeu, e a cada ano mais de 16 milhões de hectares são cortados, usados para pasto, ou queimados. As florestas fornecem mais de 400 bilhões de dólares para a economia mundial anualmente e são vitais para a manutenção de ecossistemas saudáveis. No entanto, a atual demanda por produtos florestais poderá ultrapassar o limite de consumo sustentável.

A diversidade biológica da Terra é crucial para a vitalidade contínua da agricultura e da medicina - e talvez até mesmo para a vida na própria Terra. No entanto, as atividades humanas estão conduzindo muitos milhares de espécies vegetais e animais à extinção. Duas de cada três espécies é estimada como passível de extinção em um futuro muito próximo.

Como um corpo que está lutando pela sobrevivência, o planeta já tentou o seu melhor para se livrar desta doença humana. Calafrios, febre e tremores (comuns na maioria das enfermidades) são apenas algumas de suas defesas. Mas a praga se multiplicou. A velocidade da devastação está aumentando. A única solução é apostar na mutação dessa praga. Se for domada, haverá um lugar para a vida, um lugar para o futuro.

O aumento da população, a expansão urbana e a exploração de recursos não colaboram para que tenhamos algum futuro. Sem praticar o desenvolvimento sustentável, a humanidade já enfrenta um ambiente degradado e pode estar abrindo precedente para um iminente desastre ecológico.

Muitos passos em direção à sustentabilidade podem ser tomados hoje. Estes incluem: estabilização da população, usar a energia de forma mais eficiente, administrar de forma mais consciente os centros urbanos, eliminar progressivamente os subsídios que incentivam a produção de resíduos, e mais importante refrear a ganância.

Enquanto o crescimento da população diminuiu, o número absoluto de pessoas continua a aumentar - em cerca de 1 bilhão a cada 13 anos. A diminuição do crescimento demográfico ajudaria a melhorar os padrões de vida e iria comprar tempo para protegermos os recursos naturais. A longo prazo, para que possamos viver razoavelmente bem, o tamanho da população mundial precisa se estabilizar.

Mas mesmo se isso acontecer, deve haver algumas mudanças na forma como a humanidade enxerga o progresso e o sucesso, como eles lidam com a felicidade e a dor, como eles usam a sua curiosidade, criatividade e consciência para promover o bem-estar de todos os seres. Os homens devem compreender que não há nenhuma razão para mudar o seu carro ou celular a cada ano; não há nenhuma razão para comprar ou alugar imóveis (porque não há nenhuma razão para que haja o conceito de propriedade privada), não há nenhuma razão para se matar de trabalhar em um emprego que você odeia, só porque a sociedade impõe necessidades que ninguém realmente tem.

Quando aprendermos a controlar essa ganância consumidora, nós estaremos prontos para levar uma vida simples, amar uns aos outros e perceber que a nossa casa é um ser vivo como nós. Nós não seremos mais uma praga destruidora, porque nós vamos nos ver como parte integrante deste ser gigante chamado Terra.

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