1 de maio de 2015

De Gralha a Rouxinol

01 maio Escrito por Eliude Santos , Comente aqui
Templos mórmons são edifícios construídos para a realização de cerimônias diferentes das realizadas em outros locais de adoração. Embora existam igrejas mórmons em muitas partes do mundo, a quantidade de templos é reduzida.

Desde o ano do meu nascimento até 1996 havia somente um templo mórmon no Brasil (O templo de São Paulo, que fica no bairro do Caxingui), e 99 outros templos pelo mundo. Logo que me mudei para Campina Grande, soubemos do anúncio de um novo templo, que ficaria na cidade do Recife.

Algumas cerimônias importantes foram realizadas desde o início da construção, até sua abertura para visitação pública e dedicação da casa para o início das atividades. Entre elas, uma conferência multi-estacas que reuniria um coral de 300 vozes. 

Meu amigo Daniel estava ensaiando para cantar nesse coral e eu sempre ficava observando os ensaios. Então ele começou a insistir para que eu fizesse um teste e entrasse para o coral. Eu expliquei que tinha uma voz horrível e que iria passar vergonha. Mas ele insistiu tanto que acabei me submetendo ao teste. 

Márcio Teles era o responsável pelos tenores e pediu que eu cantasse um trecho qualquer de uma música para que pudesse avaliar minha voz. Cantei as primeiras notas e ele me pediu que parasse. Fez um solfejo da mesma música e me disse para tentar imitar. Eu tentei. Ele perguntou se eu estava percebendo a diferença. Eu disse que não. Ele me perguntou se eu cantava no chuveiro. Eu disse que não. Ele disse: "Que bom! Assim não corre o risco de queimar a resistência do seu chuveiro! Desista de cantar que isso não é pra você!" Depois ele viu que fiquei chocado com suas palavras e disse que estava brincando e que se fosse numa outra circunstância em que ele tivesse mais tempo para me treinar que ele me aceitaria no grupo, mas como eles tinham pouco tempo para ensaiar músicas muito difíceis, era melhor eu não entrar no coral naquele momento.

Daniel disse a Márcio que na outra semana eu voltaria para tentar novamente e que eu estaria pronto. Eu disse que era bobagem insistir. Daniel insistiu mesmo asism, e eu acabei aceitando o desafio.

Durante aquela semana fui todos os dias à casa de Daniel para ensaiarmos.

No domingo seguinte, durante o ensaio do coral, Márcio ficou impressionado com meu desenvolvimento. Ele disse que eu poderia entrar para o coral. 

Nos ensaios seguintes, ele sugeriu que estudássemos uma melodia diferente, com notas muito altas, e como eu alcancei as notas, passei a ensaiar com ele, Daniel e Ivanildo, os únicos quatro num coral de 300 vozes que cantariam aquela melodia.

No dia da apresentação, nós quatro ficamos na fileira da frente, no centro, num local de destaque. Ao fim da apresentação, o apóstolo que presidia a sessão nos pediu para repetir um dos hinos. Exatamente aquele em que nós quatro fazíamos aquele naipe diferente. Com lágrimas nos olhos, ele disse que nunca tinha ouvido outro coral cantar tão bem aquele hino (The Battle Hymn of the Republic).

Depois disso, não parei mais. Corais, jograis, musicais. Eu continuava achando minha voz muito feia, mas sabia que mesmo vozes feias, com treino e dedicação, poderiam cantar no tom e parecer bonitas.

Daniel era filho de Soraia, minha professora na faculdade de Comunicação Social. Ela era uma competentíssima professora de História da Comunicação, mas a diretora da faculdade na época, uma péssima administradora, decidiu que a partir daquele semestre Soraia deveria dar aula de Publicidade e Propaganda. 

Soraia ficou apavorada com a mudança, e eu decidi ajudá-la na preparação das aulas. Começamos a estudar juntos e a preparar os materiais para o curso. Acabei me aproximando muito de sua família. Mas cada vez menos apaixonado pela faculdade, por observar de perto os bastidores escuros daquela peça mal dirigida.

Quando Daniel e Soraia mudaram-se para João Pessoa, foi como se tivesse ficado órfão novamente.

O Templo do Recife foi concluído na virada do milênio, e eu pude entrar e fazer minhas ordenanças iniciatórias e investidura (cerimônias sagradas que nos dão uma ideia da extensão dos planos do Criador e um propósito para a nossa existência).


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