7 de junho de 2015

Uma Mensagem Inesperada

07 junho Escrito por Eliude Santos , Comente aqui
Os primeiros seis meses de namoro foram incríveis. Alguém na minha situação poderia se sentir totalmente perdido, dividido e cheio de conflitos internos, mas tudo estava totalmente resolvido em minha mente. Eu não tinha conflitos em relação à minha espiritualidade nem em relação à minha sexualidade. Na verdade, nunca sentira tamanha paz. Os conflitos internos existiam antes, quando eu estava tentando viver uma vida que não era a minha, ser uma pessoa que não era eu.

Meu namorado podia ser muito metódico e idealista às vezes e isso podia ser a fonte da maioria de nossos atritos, mas nada disso diminuia o que eu sentia por ele. Meu coração batia mais forte quando eu o via, meu corpo respondia ao dele quando nos aproximávamos, nossas mentes se encaixavam de um modo intenso. Ele era tudo o que eu sempre esperara de um namorado. Era divertido ficar ao seu lado, era gostoso dormir abraçado com ele, era irritante discutir com ele e ter que sempre ceder no final, na maioria das vezes porque ele de fato tinha razão, mas era ainda mais gostoso beijá-lo depois das querelas e fazer as pazes.

Mas exatamente seis meses depois, minha chefe me chamou à sua sala e disse que alguém tinha mandado uma mensagem pelo email da escola, solicitando que eu entrasse em contato urgentemente. Ela me passou o email e eu não sabia o que pensar. Era o menino da internet!

Aquilo abalou todas as minhas certezas. Eu sabia que amava meu namorado, mas agora estava tremendo diante do email de um outro dizendo que sentia minha falta e que seus sentimentos por mim não tinham mudado, que queria me encontrar. Eu não sabia o que fazer. Eu deveria dizer pra ele que agora eu estava namorando, que tinha encontrado alguém que amava de verdade e que não poderia abrir mão desse amor por causa de uma pessoa que aparecia e sumia da minha vida como uma fumaça virtual que eu nunca nem sequer sentira o cheiro.

Mas não foi isso que eu disse. Eu disse que entendia sua situação, seus problemas com a bipolaridade, sua família, sua dificuldade de estabelecer níveis mais sérios de compromisso. Eu disse que respeitaria qualquer decisão que ele quisesse tomar, exceto se eu soubesse que essa decisão não fosse lhe fazer bem. 

Perguntei se ficar perto de mim lhe fazia sofrer. Ele disse que eu era seu ponto de equilíbrio. Que ele nunca se sentira tão bem quanto naqueles seis meses em que ele podia abrir sua alma pra mim e transbordar. E que ele se afastara justamente porque não queria me fazer sofrer.

Ele tinha um amigo muito próximo, filho de um dos melhores amigos de seu pai, alguém em quem ele confiava, um amigo pra quem ele abria seu coração sem reservas. Mas o que não esperava é que esse sentimento de confiança fosse se transformar em algo mais forte. Ele ficou confuso quando seu amigo disse que o amava.

No dia em que marcamos de nos encontrar e eu quebrei meu óculos e não o reconheci no shopping, ele beijou seu amigo. Ele não sabia o que tinha acontecido pra eu não ter ido falar com ele e ficou muito magoado comigo. Pensou que eu não tinha gostado dele pessoalmente e ao invés de ter coragem de dizer isso pessoalmente, simplesmente o ignorei. Seu amigo estava lá para consolá-lo e quando ele viu, estavam se beijando. E seus encontros começaram a ficar mais frequentes. Até que seus pais descobriram.

Seus pais acharam que era uma fase, que ele precisava se afastar da cidade, das más influências, e enviaram-no para o interior, para a casa dos avós. Ele ficou sem celular e sem internet. Não podia se comunicar com seu amigo, nem comigo.

Agora, seis meses depois ele voltara para São Paulo. Já não tinha mais nada com seu amigo. E queria me encontrar. Mas novamente, os desencontros começaram a acontecer. Mesmo com todos esses desencontros, o fato de saber da possibilidade de nos encontrarmos, mesmo que muito pequena, fez com que todo o sentimento voltasse à tona.

Eu conversei com meu namorado sobre esses sentimentos. Ele já sabia da existência do outro, afinal, nos conhecemos por causa dele, e sabia também sobre meus sentimentos por ele. Na verdade, meu namorado também tinha sentimentos muito fortes por seu primeiro namorado. E já tínhamos conversado sobre a possibilidade de se amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. E era aquilo que estava acontecendo comigo naquele momento. 

Então conversei com o o rapaz da internet e disse que entendia que tudo aquilo lhe deixava confuso e se essa minha insistência em encontrá-lo não estivesse ajudando, que eu ficaria muito triste, mas manteria distância, ainda que contra minha vontade. 

Eu queria ficar ao lado dele. Queria poder ser seu confidente, ouvir seus problemas e tentar ajudar com minhas palavras, com um ombro real, onde ele pudesse encostar a cabeça e esquecer de tudo. Queria que ele confiasse em mim, e que acreditasse que poderíamos ficar juntos. E, se pra ele, pensar em nós fosse pensar em amizade, eu não teria problema com isso. Só queria estar próximo dele.

Todo o tempo em que ele esteve ausente, senti como se uma parte importante de mim estivesse ausente também. Quando ele voltou a mandar e-mails e conversar comigo no messenger, foi maravilhoso! Adorei sentir tudo aquilo novamente. O vazio que estava sentindo sumiu, a ferida foi sarada. Eu não queria abrir mão de sua companhia, não queria abrir mão da sua amizade e não queria que ele abrisse mão de mim.

Mas quando eu lhe contei o que tinha acontecido comigo depois que ele sumiu. Quando falei do meu namorado e das semelhanças entre os dois, e da importância que ele também tinha em minha vida, isso foi muito duro pra ele ouvir. Ele se sentiu substituído da pior maneira que alguém pode ser substituído. Ele duvidou do meu amor por ele e sumiu novamente.

E mais uma vez, aquela parte de mim que precisava de sua presença pra se sentir viva, morreu.

Foram seis meses com ele, seis meses sem ele, e seis meses dividido entre os dois. Depois disso, meu namorado e eu decidimos abrir nosso relacionamento oficialmente. Mas nenhuma abertura fecharia aquela ferida. E ela continuou aberta e queimando, e consumindo o que restara do meu coração. 

No último email que mandei pra ele, essa mensagem: "Eu fiquei muito feliz ao reencontrá-lo depois de tanto tempo. E queria muito que as coisas tivessem tomado um rumo diferente, mas não tomaram. Você sempre me alertou quanto a isso, mas acho que sempre esperei muito mais de você do que  o que você poderia me dar. No entanto, não posso me culpar por ter esperança. Agradeço a Deus a oportunidade de termos nos encontrado e conhecido. Você sempre me iluminou e inspirou. O sentimento de amor que você me fez descobrir e cultivar só me tornou uma pessoa melhor. No livro O Pequeno Príncipe, após ter cativado a raposa e ter-se tornado seu amigo, o príncipezinho volta para o planeta de onde veio, mas antes se despede da raposa. Ela chora muito por causa da despedida. Mas ele lhe fala que ela sempre poderá olhar pro céu e vai saber que em uma daquelas estrelas, alguém estará sorrindo pra ela. Este é um dos meus livros preferidos e esta é uma de minhas mensagens preferidas no livro. Que nada é mais eterno que um sentimento puro de amor, seja em que forma ele se manifeste. Meu amor por você será eterno. Mas respeitarei sua decisão. Com muito pesar, um último abraço!"

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