25 de novembro de 2015

O Anti-Cristo

25 novembro Escrito por Eliude Santos 2 comentários
O Livro de Apocalipse no Novo Testamento tem intrigado cristãos e curiosos desde que foi escrito por João, cerca de 30 anos após a morte de Jesus Cristo. Principalmente talvez por suas místicas previsões sobre o aparecimento de um Anti-Cristo no Fim dos Tempos e pelas previsões catastróficas que resultariam desta aparição.

-Sobre o nome do livro:

Apocalipse é uma palavra grega que significa "aquilo que é descoberto ou revelado". Em inglês o nome do livro é Revelation (revelação). A exemplo de outras visões de ordem divina, como as experimentadas por Isaías, Daniel, Ezequiel e Jeremias, a revelação de João utiliza-se de símbolos metafóricos e alegóricos para discorrer sobre eventos futuros que culminariam num segundo advento do Messias e em Seu triunfo sobre a mentira e toda a destruição que ela causa no mundo.

-Sobre o autor da revelação:

João, o Amado, era o apóstolo mais próximo de Cristo. Ele participou de eventos cruciais na vida de Jesus, de quem recebeu o título de "Boanerges" (filho do Trovão), tão poderosa era sua capacidade de persuasão proselitista. De fato, ele mesmo escreveu sua versão dos acontecimentos no "Evangelho de João", cumprindo assim sua missão como testemunha viva do Salvador.

-Sobre o contexto histórico da revelação:

Enquanto esteve na Terra, Cristo organizou uma Igreja para que as cerimônias e rituais de salvação fossem realizados e Seus seguidores pudessem continuar sendo instruídos por Ele mesmo após a Sua morte. No entanto, quando se apaixonaram pelo Cordeiro, Seus seguidores ficaram cegos para a necessidade de Seu sacrifício, de modo que Sua morte abalou a crença de muitos, até mesmo de Pedro, a quem o próprio Cristo havia apontado como líder da Igreja que Ele havia organizado.

João, que ao lado de seu irmão Tiago, auxiliava Pedro em sua posição, escreveu três cartas aos membros dessa Igreja advertindo-os quanto às mentiras que, por causa de falsos intérpretes, estavam se infiltrando no meio dos "santos", título que era dado aos membros daquela Igreja organizada por Cristo. Os santos não eram pessoas perfeitas, pelo contrário, eram pessoas confusas e cheias de pecados que sabiam disso e estavam procurando se aperfeiçoar tentando seguir os ensinamentos de Cristo.

O livro de Apocalipse começa com uma continuação dessas cartas (Epístolas de João) e com advertências severas sobre o rumo que a Igreja dos santos imperfeitos estava tomando e com uma previsão da total dispersão das verdades ensinadas por Cristo àquele povo que em tão pouco tempo se esquecera totalmente do que Ele lhes ensinara.

Cristo havia passado todo o Seu ministério ao lado da escória da sociedade judaica — pobres, enfermos, pessoas de índole e moral duvidosa. De fato, até na morte, foi crucificado entre dois ladrões e disse-lhes que ambos seriam recebidos por Ele mesmo no Paraíso. Quando Jesus levantava Sua voz, levantava-a não para criticar esses que lhe seguiam (os santos imperfeitos), mas os líderes das religiões e seitas da época e sua maneira limitada de enxergar a verdade. Esses respeitados líderes religiosos que haviam também abraçado o poder político eram chamados de "raça de víboras" e "hipócritas" pelo Salvador, justamente porque seus ensinamentos eram fruto da má interpretação das porções da verdade que haviam recebido. Estavam tão centrados nos detalhes da lei e do misticismo gerado por antigas profecias que não conseguiam enxergar o real espírito da lei.

João também entendia isso perfeitamente e suas cartas eram uma alusão clara à influência que esses homens eruditos exerciam sobre os "santos" e como isso estava afetando os ensinamentos que estavam sendo ministrados dentro da Igreja de Cristo.

-Sobre a testemunha viva da revelação:

De fato, após a ressurreição do Salvador, Ele apareceu aos seus discípulos às margens do Mar de Tiberíades e depois de ter comido com eles, falou-lhes sobre a importância de seu trabalho de proselitismo, sobre a ressurreição e a morte. 

A Pedro, disse que morreria em sua velhice e até lá cumpriria o seu papel de cuidar dos discípulos que, como ovelhas, haviam engrossado os seus rebanhos. A João, o Amado, disse que permaneceria na Terra até o advento de Sua Segunda Vinda para que assim pudesse ver o cumprimento de todas as suas previsões pessoalmente, sendo uma testemunha viva da verdade que estava prestes a revelar.

 18 Em verdade, em verdade Eu te digo: quando eras mais jovem, tu te vestias a ti mesmo e ias para onde desejavas; mas quando chegares à velhice, estenderás as mãos e outra pessoa te vestirá e te conduzirá para onde tu não queres ir.” 
 19 Isso falou Jesus, referindo-se ao tipo de morte com a qual Pedro haveria de glorificar a Deus. E assim que terminou de proferir essas palavras, acrescentou: “Segue-me!” 
 20 Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava o seguia; aquele que na Ceia debruçara-se sobre seu peito e dissera: “Senhor, qual dentre nós há de te trair?”. 
 21 Vendo o que acontecia, perguntou a Jesus: “Senhor, o que sucederá a este homem?” 
 22 Então Jesus lhe respondeu: “Se Eu desejar que ele fique vivo até que Eu volte, o que te importa? Entretanto, quanto a ti, segue-me!” (João 21:18-22)

Jesus não disse que João seria imortal, afinal até o próprio Salvador teve que experimentar a morte. Mas repreendeu Pedro por não aceitar o tipo de morte que lhe havia sido reservado, porquanto a João concedera o dom de uma vida onde não conheceria a velhice a fim de que seus dias pudessem ser prolongados na Terra e tomasse parte em todas as tribulações que estavam por vir. 

-Sobre a natureza da verdade:

Embora se costume dizer que a verdade é relativa e cada um tem a sua, e que cada um deve buscar essa chama da verdade particular que todos carregam dentro de si, o fato é que há uma verdade que é absoluta e maior que todas essas. Não há uma Igreja ou livro sagrado que detenha essa verdade em sua forma absoluta, até o próprio Cristo foi recebendo porções dessa verdade durante Sua vida até que tivesse a consciência perfeita. Mas quando é de fato compreendida, a verdade maior engloba todo o conhecimento e faz com que você tenha resposta para tudo, porquanto tudo passa a fazer sentido e o que antes era mistério ou misticismo passa a ter uma clareza que não se enxerga somente com a lógica da ciência, nem somente com a intuição do espírito, pois a verdade absoluta se comunica com todas as óticas, por mais antagônicas que elas sejam ou pareçam ser.

A verdade é o conhecimento do bem e do mal (e por "bem" classificamos o que é luz, e por "mal" o que é sombra ou trevas). Não só o conhecimento do que é bom, nem só o conhecimento do que é ruim, pois o que é bom para um nem sempre é bom para todos, e o que é ruim para alguém do lado de cá pode, pela lei de compensação do universo, ser bom para outrem do lado de lá. 

Com isso quero dizer que esse conhecimento da verdade não é um conhecimento maniqueísta (demonizando certas coisas, ações ou indivíduos e santificando outros como se costuma fazer), mas uma aceitação consciente da necessidade de ambas as polaridades para o desenvolvimento pleno da consciência. É a constatação de que há frio por já se ter experimentado o calor, é a consciência de que há dor por já se ter experimentado a sensação tranquilizadora do alívio, é a certeza de que se sente saudades por já se ter estado junto de alguém que agora está distante.

A verdade é obtida pelo amor ou pela dor. 

O primeiro caminho é sempre mais seguro. Amor é uma outra palavra para conhecimento, compreensão ou sabedoria. Dor é sinônimo de dúvida, desconforto e incompreensão. 

Muita gente diz "eu te amo" quando quer de fato dizer "estou apaixonado por você", e por causa disso, a compreensão do conceito real da palavra "amor" fica comprometido. "Eu te amo" significa "eu te conheço", ou seja, vivi tanto tempo ao seu lado que já sei o que você pensa, pretende ou vai fazer. Viver esse tipo de sentimento é viver sem surpresas. A surpresa é fruto da paixão. Estar apaixonado é não conhecer o outro o suficiente a ponto de não saber o risco que se corre por ficar perto dele. 

Justamente porque se arriscam, muitos acabam colhendo sofrimento, pois flertar com quem não tem o menor respeito por você pode ser muito perigoso. 

Por outro lado, a paixão pode ser uma poderosa força de atração que lhe permite encontrar aquilo que se conecta com você de forma perfeita. 

Flertar com o desconhecido pode gerar experiências positivas ou negativas, mas é o modo como se lida com tudo isso que gera conhecimento. E por saber disso, o pai da mentira que é um mestre na arte de vender seu peixe sempre fará suas meias verdades parecerem inteiras. E somente quem conhece a verdade em sua plenitude pode perceber as falhas de uma meia verdade.

Deus é o Pai de nossos espíritos. Nós vivemos uma eternidade ao lado Dele. E por termos passado tanto tempo juntos, nós O amamos e Ele nos ama. Com isso, não estou falando que temos por Ele qualquer sentimento meloso que as pessoas se acostumaram a chamar de "amor". Nem Ele sente isso por nós. Estou falando de um conhecimento e compreensão puros da natureza um do outro. Ele não nos surpreende e nós não O surpreendemos. 

Justamente por nos conhecer tão bem, Ele já sabia de antemão quem de todos esses espíritos que Ele criou estava apto a ter um acréscimo de glória e se qualificar para ter o mesmo tipo de vida que Ele tinha, vivendo no mesmo tipo de esfera que Ele vive.

Talvez por causa da centelha divina que há em nós, exista um pouco de megalomania regendo nossos pensamentos e ações e nenhum dos espíritos que estavam naquele momento ao lado de Deus achava que merecia algo menor do que o mais alto grau de salvação. Por isso, o espírito mais inteligente que Deus havia criado decidiu criar um plano em que todos fossem salvos e Deus não aceitou seu plano. Deus nos conhecia (amava) e sabia que isso não era justo (não nos faria felizes). 

Amar alguém é saber exatamente o que lhe faz feliz. Amar é conhecer. Deus rejeitou o plano de Lúcifer e o expulsou de Sua presença antes que contaminasse os outros com suas meias verdades apaixonadas (cegas). Ainda assim, Lúcifer conseguiu arrebanhar um terço dos filhos de Deus consigo.

-Sobre a natureza da mentira:

A mentira é sedutora. Diferente da verdade, que como o amor, conhece todas as coisas e não se surpreende; a mentira sustenta-se na surpresa e no desconhecido.

A mentira é como a paixão, que distorce a verdade para manter a atração. A mentira é o medo de perder. E por causa do medo, a mentira é violenta, é ciumenta.

A mentira é possessiva. Afinal, o que se leva desta vida? Nada do que possamos nos apossar com certeza. Então qualquer ideia de posse é uma mentira.

A mentira é ambiciosa. Ela quer mais. Ela quer ter poder sobre o outro. Ela quer ser mais que a verdade.

-Sobre Lúcifer:

Lúcifer era o nome do primeiro filho espiritual de Deus. Este é um nome muito bonito, significa "Luz da manhã", ou "Primeira luz", ou "Filho da alva", era um nome que designava algo puro e cheio de conhecimento (portanto, amor). Mas justamente por se sentir tão perfeito, Lúcifer se apaixonou pela própria imagem (um mito posteriormente replicado pelos gregos na história de Narciso). 

A paixão é cega, ao contrário do amor que enxerga tudo. 

Lúcifer perdeu a habilidade de enxergar tudo com clareza. O seu nome já não era mais adequado e ele passou a se chamar Diabo (o pai da mentira) e foi expulso dos Céus, com um terço dos espíritos mais brilhantes daquela esfera.

E ele passou a ser chamado de Satanás, que no hebraico significa “Opositor”. Quando ouvimos isso, já imaginamos um ser de chifres, rabinho e todo vermelho cheirando a enxofre aparecendo no seu ombro para "tentar" você a fazer algo que não deve. Isso é maniqueísmo, e maniqueísmo é só mais uma forma apaixonada (cega) de distorcer a verdade. 

Estamos falando do mais brilhante dos espíritos da existência pré-mortal, alguém com um senso de estética brilhante, com uma lógica impecável, poder de argumentação que superam qualquer grande mente da história humana. Se Lúcifer se revelasse como de fato é, veríamos um homem belo e de mente brilhante e certamente o confundiríamos com o próprio Cristo.

O Diabo é o príncipe deste mundo. 

A palavra príncipe quer dizer "primeiro", aquele que estava “no princípio”. Isso quer dizer que ele foi o primeiro a vir para esta terra onde habitamos agora. Ele viu todo o desenrolar da história humana e influenciou no que podia influenciar. E tudo isso ele fez porque Deus quis que ele o fizesse. Pois desde as partículas mais básicas de existência, todas as coisas agem por meio de forças positivas ou negativas que exercem maior ou menor atração sobre elas. Se não há nada que atraia para um ou outro lado, não há progresso, tudo fica em estado estático e morre em si mesmo. E justamente porque nos apegamos àquela polaridade que nos faz algum tipo de oposição é que criamos laços cada vez mais fortes com a verdade ou a mentira (ou seja, com o que é divino ou com o que é humano em nós mesmos) no decorrer de nossa existência. 

Assim, essa vida é um tempo para nos conhecermos. Um tempo para encontramos aquilo que nos faz de fato felizes. E se o que nos faz de fato felizes é ter a vida que Deus tem, obedecendo de bom grado às leis que Deus obedece, então temos chances de ganhar aquela exaltação da qual acreditávamos ser merecedores antes de virmos para esta Terra; caso contrário, estamos nos enganando e enganando os outros por nos obrigar a fazer algo de fachada somente para parecer perfeitos aos olhos dos outros.

-Sobre Cristo:

Quando saímos da presença de Deus e viemos para esta Terra, aceitamos passar por um Véu do Esquecimento que nos privou de nossas memórias da vida que tivemos ao lado de Deus. Sequer temos consciência de um dízimo de todo o conhecimento que nossa mente natural armazena. 

Para nos manter nos eixos, de tempos em tempos, Deus ilumina certas pessoas (a despeito das fraquezas e da inadequação de tais indivíduos) para trazerem um pouco de conhecimento aos Seus filhos. Esses professores inspirados podem ser mestres religiosos, cientistas, filósofos, não importa. O que importa é que suas mensagens alcançam o mundo e mudam o rumo das coisas até que os homens, com a ajuda e inspiração do Opositor, distorçam esses lampejos de verdade e se percam novamente.

Cristo, que na existência pré-mortal se chamava Jeová, o filho mais semelhante a Deus, sabia que por causa desse esquecimento e da força que a nossa natureza humana exerce sobre nossas ações, todos nós quebraríamos as leis que foram criadas para manter uma certa harmonia no Cosmos. 

E por quebrarmos as leis, nos tornaríamos incapazes de satisfazer as demandas da justiça e voltar à presença de Deus. 

Então, antes da fundação desse mundo, Ele se ofereceu como o cordeiro do sacrifício, uma espécie de representante legal de toda a raça humana que se apresentaria diante das forças opositoras do Cosmos, sedentas por justiça, para, pagando o preço exigido por elas, poder pleitear por nossa Salvação.

Pouco antes de ser delatado por Judas, Jesus levou Pedro, Tiago e João (o mesmo João que escreveu o Apocalipse) ao Jardim do Getsêmani, um lugar onde haviam grandes prensas que moíam as azeitonas para fazer azeite, um líquido reconhecidamente usado em rituais de purificação. 

Ele pediu àqueles apóstolos para ficarem acordados a fim de orarem com Ele, mas eles dormiram. 

E enquanto dormiam, o corpo e o espírito de Cristo ficaram à mercê das demandas da justiça. Aquele que nunca havia pecado teve Seu corpo prensado pelo jugo dos nossos erros de uma forma tão real que verteu sangue por todos os poros. Ele tomou o veneno da taça da expiação que fez Seu sangue esvair-se de Seu corpo com muita dor. Uma dor que fez com que Ele, mesmo sendo um ser divino, não quisesse beber da tal taça e recuar. Mas Ele se sujeitou às demandas da justiça para que nós não precisássemos fazê-lo, desde que seguíssemos duas diretrizes muito importantes ao tomar qualquer decisão em nossas vidas: "Amar a Deus como a si mesmos e ao próximo como se tal próximo fosse o próprio Deus." 

Ou seja, quem não conhece a Deus não O compreende nem O reconhece, e para esses, qualquer um pode se passar por Ele, inclusive o próprio Lúcifer. Portanto, amar a Deus, isto é, conhecê-Lo a ponto de ser capaz de reconhecê-Lo, é o que nos salva de ser enredados nas artimanhas do Opositor.

Do mesmo modo, quem não se conhece, não sabe o que lhe faz feliz, e obedece às leis que recebe por obedecer, como um sino que bate só porque alguém lhe puxou a corda (cegamente, ou por paixão, o que geralmente leva a sofrimento). Sem amor, ou seja, sem autoconhecimento e sem conhecimento do mundo, nada somos.

Novamente, amor é outra palavra para conhecimento, conhecimento é outra palavra para compreensão; compreensão é outra palavra para entendimento. 

Somente quando entendemos quem somos de fato, o que nos faz felizes, quem são os outros de fato e o que lhes faz felizes, então percebemos que não precisamos mais de tantos mandamentos e regras e proibições, pois a empatia nos fará desenvolver um senso de justiça mais perfeito.

 18 Porque o precedente mandamento [a lei mosaica] é revogado por causa da sua fraqueza e inutilidade
 19 Porque a lei não aperfeiçoou nada, sendo introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus. (Hebreus 7:18-19)

De modo que Cristo, como cordeiro do sacrifício, é um emblema deste amor ou conhecimento que precisamos adquirir por nós mesmos e pelo próximo a fim de que tenhamos um estalo de entendimento de quem Deus é de fato. 

-Sobre o Anti-Cristo:

Dito tudo isso, acho que ficará mais fácil entender o que João, o Amado, estava escrevendo em seu livro. E porque ele estava tão irritado com as Igrejas e com os "santos imperfeitos" que cuspiam regras e se deixavam enredar em mentiras, corrompendo a essência daquilo que Cristo tinha vindo nos ensinar.

 1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. 
 2 E estava grávida, e gritava, com dores de parto, e com ânsias de dar à luz.
 3 E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças, sete diademas.
 4 E a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.
 5 E ela deu à luz um filho homem, que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.
 6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que lá fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
 7 E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam;
 8 Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.
 9 E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi lançado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
 10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos foi expulso, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.
 11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram a sua vida até a morte.
 12 Pelo que alegrai-vos, ó céus, e os que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar! porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, já sabendo ele que tem pouco tempo.
 13 E quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem.
 14 E foram dadas à mulher duas asas de uma grande águia, para que voasse ao deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.
 15 E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pelo rio a fizesse arrebatar.
 16 E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca.
 17 E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra contra os remanescentes da sua semente, que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. (Apocalipse 12:1-17)

O texto de João não é necessariamente cronológico de propósito. Ele não foi escrito para que todos pudessem decifrá-lo, afinal, houve épocas da história em que a Bíblia esteve nas mãos de pessoas mal-intencionadas que se tivessem percebido que o texto falava delas, com certeza teriam suprimido tais partes do livro (como muitas outras devem ter sido) e nunca teríamos tido acesso a elas.

A mulher vestida de sol era a verdade sendo espalhada aos gritos no início da era cristã. A luz debaixo dos pés era a lei que lhe servia de alicerce. E a coroa de doze estrelas eram os doze apóstolos que saíram pelo mundo pregando o evangelho. As dores do parto eram as pressões dos poderes humanos para reprimir o progresso dos "santos" e a ânsia de dar à luz era o desejo vão de que a verdade se estabelecesse de fato naquela época. 

A mesma mulher simboliza a parcela dos filhos de Deus que apoiaram o plano de Jeová e o aceitaram como Cordeiro expiatório e que desceram dos Céus para esta Terra e que esperavam aqui o dia de seu nascimento. Doze apóstolos também governam sobre eles.

O dragão é Lúcifer que trouxe para a Terra uma terça parte dos espíritos mais nobres depois que foram expulsos da presença de Deus e que, com a ajuda desse exército, tenta de todos os modos "devorar" os filhos de Deus com suas mentiras que impedem que esses filhos se conheçam de fato e progridam o tanto que conseguiriam progredir se pudessem simplesmente aprender a amar. 

No entanto, o papel de Lúcifer é importante, exatamente porque exerce uma atração sobre os homens fazendo com que tenham o que escolher e justamente pelas escolhas que fazem, saibam o que lhes torna felizes.

O filho do homem é Jesus, que foi levado da Terra por um tempo, mas voltaria para reinar sobre as nações.

E depois da ascensão de Cristo, a mulher (verdade), fugiu para o deserto, ou seja, ficou inacessível aos homens (o que aconteceu durante a idade média, ou idade das trevas — quando a Igreja Católica se espalhou pelo mundo dizendo ser a Igreja de Cristo, mas na verdade, seus ensinamentos na época eram o oposto do que Cristo ensinava, de modo que os homens perderam o amor próprio, foram subjugados e sofreram a pena de impostos altíssimos e infindáveis guerras) por 1260 dias (ou "tempos", sendo cada dia ou tempo equivalente a um ano), portanto 1260 anos desde a total destruição da igreja primitiva. Mais ou menos o tempo até os primeiros padres reformadores começarem a recobrar o interesse pelo estudo e perceberem que a verdade tem de fato um poder de libertação que não é somente abstrato.

O texto volta a falar da batalha nos Céus, em que Miguel (Adão) e seus dois terços de anjos (nós todos que estamos nascendo aqui nesta Terra desde o princípio dos tempos), expulsamos Lúcifer e seu um terço de anjos (espíritos que não quiseram apoiar o sacrifício expiatório de Cristo e foram condenados a nunca receberem um corpo físico nesta Terra) e da promessa de perseguição que Lúcifer fez aos anjos de Miguel de que os perseguiria e confundiria para que se perdessem nessa busca de autoconhecimento.

As asas dadas à mulher representam deslocamento e liberdade. Povos que conseguiram ficar livres dos domínios desse poder que subjugou a Terra por tanto tempo. E isso se deu num tempo (que não sabemos o quanto durou pois aconteceu do outro lado da Terra, "no deserto", longe dos olhos do mundo civilizado), dois tempos e meio tempo (duzentos e cinquenta anos — do renascimento ao iluminismo — a terra começava a respirar um pouco mais de verdade e as pessoas a se libertar de certos dogmas). Chegamos aí à época das grandes navegações.

 1 E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres, dez diademas, e sobre as suas cabeças, um nome de blasfêmia.
 2 E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como de urso, e a sua boca, como de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio.
 3 E vi uma de suas cabeças como que ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.
 4 E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?
 5 E deu-se-lhe boca para falar grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para assim o fazer durante quarenta e dois meses.
 6 E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.
 7 E deu-se-lhe poder para fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda tribo, e língua, e nação.
 8 E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
 9 Se alguém tem ouvidos, ouça.
 10 Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui estão a paciência e a fé dos santos.
 11 E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de cordeiro; e falava como o dragão.
 12 E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada.
 13 E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, diante dos homens.
 14 E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.
 15 E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.
 16 E faz que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos ponham um sinal na sua mão direita, ou na sua testa;
 17 E que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.
 18 Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento, conte o número da besta, porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis. (Apocalipse 13:1-18)

E com as grandes navegações, novamente opressão se instaurou na Terra. As bestas em questão são organizações religiosas, o cristianismo distorcido se espalhando pela América recém descoberta com uma força destruidora: índios sendo mortos para que sua terra fosse colonizada, negros sendo escravizados, grandes poderes se levantando e se espalhando e dominando a todos. E isso durou 420 meses (meses novamente como tempos que podem ser convertidos em anos) somando, portanto, 1680 anos desde a total aniquilação da igreja primitiva.

A besta que vinha pelas águas era semelhante a um leopardo, isso é, se espalhou rapidamente. Seus pés como de urso, firmes e estrondosos; sua boca como leão, todos ouviam o rugido da falta de amor que saía de seus lábios; e Lúcifer lhe deu o conhecimento (mentiras, ou meias verdades, ou verdades distorcidas) que precisavam para achar que negros não tinham alma e acorrentá-los, ou que os deuses dos índios não eram os mesmos dos brancos (por falta de empatia não percebiam que os ensinamentos e leis morais eram semelhantes) e que por isso eles não tinham direito à terra.

A última besta (o Anti-Cristo) viria da terra, ou seja, viria do nosso meio. Os dois chifres deste animal seriam um símbolo de poder religioso. Em línguas antigas dois chifres fechando-se no topo eram um sinal de divindade, nossa sociedade trocou a simbologia dos dois chifres pela auréola. Então, quando lemos na revelação de João que a besta tinha dois chifres, precisamos imaginar um animal com auréola, ou seja, o Anti-Cristo seria uma organização religiosa ou um conjunto delas que teria boa reputação entre os homens (falaria como dragão, ou seja, sua voz se espalharia sobre a terra com o poder de muitas mídias) E faria descer fogo do céu, ou seja, bombas. Para isso, essa organização ou organizações religiosas precisariam ter poder bélico, portanto, também poder governamental. E de repente, parece que em nossos dias muita gente religiosa está muito interessada em política e poder, e muitas delas usando um discurso de ódio e propondo soluções bélicas em nome da segurança daqueles que eles defendem e que lhes dão tal poder!

E fazem sinais em nome de uma besta que foi morta e viveu, um cristo que na boca dessas bestas prega coisas que o Cristo de verdade nunca pregou. Mas porque os habitantes da Terra não conhecem o Cristo de verdade, são facilmente enganados por esses falsos "espíritos santos" que fazem milagres e que pregam que quem não reza pela mesma cartilha tem que morrer. 

Falta de amor se espalha entre os homens que se afirmam cristãos. E falta de amor é falta de conhecimento. E tudo o que eles sabem são falácias de líderes religiosos fanáticos, hipócritas e sedentos por poder.

E tudo isso fazem com intuito de obter lucro. E controlam a posse de todos utilizando tecnologias capitalistas que forçam mesmo quem não concorda com suas ideias a tomar parte no mesmo sistema. 

O Anti-Cristo não é Lúcifer encarnado como muitos pensam. Ele não tem chifres ou fede a enxofre como muitos pensam. Lúcifer e todos os seus anjos jamais receberão um corpo nessa terra, esta foi sua punição por terem se rebelado contra Deus. 

Este Anti-Cristo é de fato um falso cristo, um cristo pregado nas igrejas de hoje, que diz coisas que o Cristo verdadeiro jamais disse. Pois esses pastores baseiam seus discursos nas palavras de um livro morto e distorcido, e nas sensações que um falso "espírito santo" coloca em suas mentes e corações. E acham que esse conhecimento vem de Deus, quando na verdade, estão reproduzindo o mesmo tipo de manifestações que esses mesmos pastores consideram demoníacas quando experimentadas em outros terreiros que não o seu.

O conhecimento de Deus produz amor (maior conhecimento e entendimento), não produz discórdia. A discórdia é algo que vem do Opositor em forma de dogma e distorção da verdade.

Esses pastores e líderes religiosos que estão se enveredando na política se levantam contra minorias querendo que elas se adequem às leis desse cristo morto que não pensa de forma amorosa, um cristo que defende leis mortas e não respeita a felicidade do outro. 

Enquanto isso, o Cristo vivo se prepara pra voltar e poucos o reconhecerão, pois não devotaram muito tempo olhando pra dentro de si e tentando se conhecer, pois somente quando amamos a nós mesmos, ou seja, somente quando conhecemos a nós mesmos, é que entendemos o que é amar a Deus. Pois amar é conhecer.

E o número mencionado, seguindo a sequência de anos já descrita, é o tempo em que esse poder exerceria domínio sobre os homens, desde o início da idade moderna por mais 666 anos, o que daria um cálculo aproximado que levaria ao ano de 2346 (no entanto esta conta pode ter uma margem de erro enorme para mais ou para menos, visto que a contagem de anos era diferente na época dos judeus e dos novos cristãos e a própria rotação da Terra pode ter sofrido alterações desde então), de modo que nunca saberíamos quando isto tudo de fato aconteceria. 

O sinal da besta, então, seria o tempo em que as religiões cristãs propagariam esse falso evangelho que ao invés de pregar amor e união, prega discórdia e separação entre os povos, culminando em grandes guerras mundiais que, de tão destruidoras, demandariam a volta do verdadeiro Cristo.

Esses líderes religiosos se organizarão nos próximos anos em muitos países e farão com que as constituições laicas sejam derrubadas para a instituição de leis baseadas nesse livro morto que eles julgam ser perfeito. Um livro que a história já provou ter sido adulterado no decorrer dos anos em tudo o que ele tinha de clareza. 

E haverão guerras terríveis e muitos inocentes morrerão. E os algozes desses inocentes levarão nas mãos a "espada da justiça" (a Bíblia, esse livro morto com palavras de vida tentando gritar dentro dele, mas cuja voz é sufocada pelos gritos de seus interpretes). 

E as palavras distorcidas desse livro justificarão toda a carnificina. E tudo isso para que Deus possa mostrar a esses homens que acham que são "santos" que eles na verdade nada sabem e são facilmente enredados pelo pai de todas as mentiras.


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