14 de julho de 2016

Capítulo 11: A Proximidade do Abismo

14 julho Escrito por Eliude Santos , 4 comentários
Ao fim de nossa quarta intervenção, aquele corpo azulado e brilhante agora não somente respirava e dançava em meio aos astros da Expansão, mas também se vestia de beleza e fertilidade em todas as suas dimensões, brotando e gerando mais vida a cada estação, desde delicados organismos aos mais complexos ciclos férteis da flora recém-criada, que, por interferência dos dissidentes, era agora manipulada e modificada, espalhando-se para além dos limites do Jardim.

Os dissidentes há muito haviam ocupado os quatro cantos da Terra erguendo muros e cidades, fortalezas e templos, arenas e praças, palhoças e terreiros, à semelhança de tudo o que já fora feito em outros mundos, e de todo o conhecimento a que foram expostos quando viveram conosco nas Mansões de nosso Pai.

No entanto, seu intuito não era o de nos prestar qualquer tipo de ajuda ou apoio. Sabíamos que cada gesto de cordialidade era movido pelo vil intento de manter-nos próximos ao abismo, para que, a qualquer deslize, fôssemos tragados ao poço de sua miséria. Ainda assim, alguns de nossa comitiva foram facilmente enredados por sua astúcia.

Ninlil sempre demonstrara um apreço particular por Samael. Um sentimento que, por ser recíproco, crescia com o desenrolar das eternidades.

Quando, em nossas primeiras lições sobre a vida na Terra, aprendemos sobre as relações de parentesco e afinidade que ali existiriam, muitos de nós fantasiamos quem seriam nossos pais terrenos, se teríamos irmãos, por quem nos apaixonaríamos, quem seriam nossos melhores amigos.

Mas num mundo em que toda a verdade é revelada, não há muito lugar para a fantasia.

Samael percebeu que se seguisse o plano de Yahweh poderia vir à Terra em uma época diferente da de sua amada. Fazendo escolhas cegas temia não alcançar a glória que almejava para si.

Quando Heylel surgiu com uma alternativa, Samael foi um dos primeiros a apoiá-lo. Ninlil tentou dissuadi-lo daquela ideia, pois sabia que a coerção proposta pelo Articulador só traria destruição, mas Samael estava decidido a manter sua posição, pois já não confiava na justiça divina e temia perder sua amada.

Medo e insegurança sempre foram as maiores armas de Heylel para conseguir aliados.

Quando foram expulsos de Kolob e desceram ao abismo, tudo o que eles queriam, então e ainda, era arrastar todos os outros consigo.

Na escuridão e solidão do abismo, Samael alimentou sua revolta. Ele não conseguia entender os motivos de seu Pai, não conseguia aceitar a traição de Ninlil, quando ela lhe entregou nas mãos dos querubins.

Heylel sabia que quando os arcanjos descessem para plantar o Jardim, Ninlil seria escolhida para chefiar a comitiva de biólogos que levaria as sementes de vida ao novo Mundo. Certamente por isso deve ter apontado Samael como governante das terras em derredor do Éden, para que, confrontando-se, pusessem à prova aquele forte sentimento que há tanto os unia.

Percebendo tal artimanha, eu, Udiel, me vi obrigado a reportar minhas impressões ao Conselho dos Deuses, quando o diário de bordo de nossa expedição foi-Lhes entregue.

Embora tenham demonstrado um certo desconforto com a informação que Lhes apresentei, deliberaram entre si e selaram o registro com o selo de Sua aprovação e instruíram os semideuses a iniciarem os preparativos para uma nova intervenção, agora levando consigo bestas e aves, peixes e insetos, e toda sorte de vida animal que pudessem transportar consigo para encherem o Jardim e suas adjacências, para que, copulando se espalhassem aos quatro cantos da nova Esfera.

As porções do diário de bordo que, em pormenores, relatavam as palavras de comando e os procedimentos utilizados por nossa comitiva para a manipulação dos elementos, assim como as intervenções de terceiros que provocavam as mutações e deformações nas criações originais foram adicionadas ao Livro da Vida, que era um registro mantido pelos Deuses para assegurar que outros mundos fossem criados seguindo o mesmo estilo e procedimentos a fim de que a vida ali plantada pudesse se suster pelo tempo necessário, desde a morte do primeiro homem até o nascimento do último espírito de cada ninhada.

Os espíritos dissidentes chamavam-no de Livro do Grande Segredo, visto que não tinham acesso ao seu conteúdo.

De fato, somente uma elite selecionada dentre os espíritos mais evoluídos de nossa ninhada era instruída nas palavras desse livro, que foi guardado na biblioteca do Salão do Trono e é, desde então, protegido por querubins.

O Salão do Trono se assemelha a um grande edifício com inúmeros átrios belamente decorados, onde anjos e arcanjos governantes controlam todos os procedimentos de ordem espiritual ou secular, tomando nota de cada crise humana ou desastre natural, de cada guerra ou pequena contenda, de cada descoberta ou gesto sutil de cordialidade em cada Terra onde uma humanidade está sendo provada num estado físico de existência a fim de ocupar planos de maior ou menor grau civilizatório nas Esferas que se escondem além do escopo de seu conhecimento.

Nos escritórios deste edifício, arcanjos emitem relatórios que são filtrados e reportados Àquele que, por meio de tal burocracia, tudo fica sabendo, a fim de que Ele decida onde deve intervir e onde deve permitir que o curso natural das coisas conduza cada história ao desfecho esperado.

Uma vez que o Sacerdócio é estabelecido em um novo reino, o controle de tais registros passa a ser feito de forma remota e não somente presencial; daí a importância destes procedimentos que, em termos gerais, garantem a onisciência Daquele que pela palavra de Seu poder sustenta a ordem nos espirais de estrelas que formam a grande teia do universo que nos abriga.

Em salas de reunião com gigantescas mesas redondas rodeadas de fileiras de assentos flutuantes, munidas de projetores multidimensionais e simuladores que nos permitem apresentar ou visualizar projetos e conduzir relatórios sobre a execução de cada etapa de um novo Plano de Salvação, o destino da próxima expedição foi decidido.

Enquanto ouvia todas as deliberações, uma impressão me consumia a mente: “Seríamos todos apenas joguetes naquele grande tabuleiro?”

Ahman sabia que Ninlil estava sendo enredada numa teia de artimanhas tecida por Heylel e, ainda assim, não impediu que ela seguisse conosco na nova expedição.

Não somente disse que ela nos deveria acompanhar, mas deu-lhe ainda mais responsabilidades, talvez porque ela mesma se julgasse capaz de carregar tamanho fardo.

Isto me fez pensar que Heylel pudesse estar fazendo o mesmo com Samael. De modo que todos nós, de um jeito ou de outro, acabamos por agir conforme a confiança que depositamos naqueles que detém as cartas do jogo.

Esta afinal era uma das leis de regência dos elementos que nos fora ensinada desde nossa preordenação àquele Santo Sacerdócio, “que onde há um elemento com certo grau de influência, há outro com mais influência que age sobre o primeiro. E quando esses elementos menores, por livre escolha, apoiam os maiores, há equilíbrio e aumento de glória. Já quando os menores perdem o respeito pelos maiores, ambos se repelem. E tudo isso porque há uma relação de confiança entre as inteligências que habitam esses elementos. E se esta relação é quebrada pelos elementos de maior influência, ou por abuso de poder ou por decisões que põem em risco a segurança dos elementos menores, há revolução e caos, guerras e contendas até que os menores venham a corroer e consumir os maiores, vagando sem rumo até que um outro elemento mais influente lhes atraia novamente.”

Fiquei pensando se talvez não tivesse sido isso que motivou Heylel a rebelar-se contra nosso Pai. De alguma maneira, o fato de ter sido escolhido como um arcanjo de ordem maior, e passado a tomar parte nos Conselhos de Presidência, tenha colocado em cheque a idealização apaixonada que ele fazia de seu Pai.

Certos traços na personalidade do Arquiteto do Universo ou na maneira como Ele tomava Suas decisões podem ter entrado em conflito com as expectativas que aquele incauto filho tinha do modo como seu Pai deveria agir.

Afinal, de longe, todos os líderes que admiramos parecem perfeitos. Mas a intimidade de Pequenos Conselhos nos faz perceber detalhes que à distância jamais teríamos notado.

Enquanto eu me perdia num estupor de pensamentos, Ahman interrompeu Seu discurso e olhou para mim. Embora houvesse um número grande de outros arcanjos à mesa, eu sabia que eram meus pensamentos que tinham causado Nele tamanho desconforto.

“Esta é a semente que Heylel quer plantar em vossos corações. Não permitam que esta semente germine. Não deem espaço para tais pensamentos. Ele é o pai da discórdia e tudo o que deseja é confundir-vos.” Disse Ahman ainda olhando para mim.

Eu continuei calado.

Eu sabia que Ele nos amava e por mais que Suas estratégias me parecessem obscuras naquele momento, o tempo revelaria que ficar ao Seu lado era a coisa mais certa a fazer.

Deixei o Salão do Trono e andei a esmo pelas ruas translúcidas daquela imensa cidade. Ter passado todo aquele tempo no Jardim me fez perceber o quanto eu sentia falta de tudo aquilo.

O projeto da nova Terra era sem dúvida impecável: a beleza dos montes e vales, das vegetações mais diversas, os riachos e quedas d’água, as palmeiras lembrando os mares dos seus limites, as cores, os odores; tudo era de uma perfeição singular! Mas, por mais belo que fosse, em nada se comparava à beleza daquela cidade que eu conhecia como Lar: os portões dourados e brilhantes, os arranha-céus gigantescos, as ruas pavimentadas com as rochas mais nobres que aquela estrela era capaz de produzir, os jardins, parques e praças, os veículos iluminados, os filhos espirituais dos Deuses, e os Homens e Mulheres exaltados indo e vindo no exercício de seus labores diários, tudo em perfeita ordem e harmonia.

E entendi o medo que deve ter motivado a rebelião de Heylel: ele não queria correr o risco de perder tudo aquilo. E havia sim um risco. E nunca antes tal risco ficara tão claro em minha mente.

Enquanto eu assim ponderava, um espectro de luz aproximou-se de mim.

“Que fazes aqui, Meu filho? Não deverias estar com os outros adiantando os preparativos para vossa nova expedição?”

Sua mão tocou meu ombro e por um momento aquele sentimento sufocante se dissipou. Eu A abracei. Ela me apertou contra Seus seios e disse:

“Tudo ficará bem.”

Ficamos ali por algum tempo parados em silêncio. Ela segurando minha mão com um aperto firme e eu repousando minha cabeça em Seu ombro e olhando para o horizonte.

“Por que temos esses interesses inapropriados que nos sufocam o coração? Por que não podemos ser todos como Tu e Papai são?”

“Teu Pai é um homem como qualquer outro, Udiel. Ahman teve Suas dificuldades na mortalidade, mas as superou e por isso tornou-se o Homem que é hoje. Todos temos nossas dificuldades, mas é o modo como lidamos com elas que nos faz fortes ou fracos. A dificuldade em si não é nossa fraqueza. Muitas vezes é ela que nos torna fortes.”

“Temo que Ninlil não volte conosco ao fim desta expedição.”

“Não precisas esconder de Mim os teus medos. Sei que não é somente o destino de Ninlil que te preocupa. Tal situação apenas te despertou para a realidade de tuas próprias inseguranças. És fruto de meu ventre, Udiel. Conheço tuas aflições.”

“Estive na cidade dos dissidentes e vi como eles vivem: o modo como parecem exalar liberdade, cada um seguindo seu próprio caminho. No entanto, não vi felicidade genuína em seus semblantes; somente mágoa e cinismo, risos escandalosos e disputas.”

“Não te enxergas como eles e nem te enxergas como Nós. Por isso temes quanto ao teu futuro.”

“Sim.”

“Quando Eu fui mortal, a imagem masculina não Me despertava interesse. E assim foi até conhecer teu Pai. Não é a imagem somente que nos atrai ao outro. É tudo o que ele representa para nós. E depois de tantas eternidades juntos, Ele ainda desperta em Mim o mesmo interesse. Gosto de dormir em Seus braços, de acordar ao Seu lado na cama.

Algumas de Minhas amigas nunca chegaram a desenvolver tal afeição por homem algum. Estava em Sua natureza e não era algo que conseguiam controlar.”

“Quem coloca esses pensamentos e sentimentos em nossa natureza?”

“Ninguém os coloca lá. Eles fazem parte de nossa essência, assim como tantos outros.”

“E por que somos julgados por isso?”

“Não somos julgados por nossa natureza. Somos julgados pelo modo como lidamos com ela.”

“O que aconteceu com Tuas amigas?”

“Algumas preferiram permanecer solteiras; outras preferiram unir-se a amigas do mesmo gênero. As que se submeteram à lei celestial encontraram sua felicidade no serviço maternal, cuidando dos filhos espirituais das Mães férteis deste Reino; as que não encontrariam felicidade em viver a lei celestial estão vivendo segundo os ditames de sua própria consciência em Reinos cujas leis permitem que sejam felizes a seu modo.”

“Por que há Reinos que permitem tal prática e outros que a condenam?”

“Porque nem todos os homens e mulheres são iguais, Meu filho. Nem todos encontram sua felicidade do mesmo modo. Por isso cada um precisa ter um governo que respeite sua própria individualidade.”

“E por que não podemos viver todos juntos no mesmo reino, cada um seguindo suas próprias leis?”

“Viste como seria tal lugar quando visitaste as cidades dos dissidentes. Não há felicidade genuína onde há níveis distintos de tolerância. Até porque não é somente esta lei que divide os Reinos, há tantas outras e algumas delas tão mais relevantes. Mas este não é o momento de te preocupares com isso.

Por sermos Deuses, Teu Pai e Eu criamos mundos onde Nossos filhos pudessem habitar e ser felizes a seu modo, e para isso Eu e Ele precisamos obedecer às leis naturais de procriação para que nossos universos possam continuar se expandindo. Se alguém quer ocupar o mesmo ofício que nós ocupamos precisa encontrar felicidade na obediência das mesmas leis que obedecemos. Caso contrário, deve encontrar um outro modo de contribuir para o progresso do Cosmos e ser feliz fazendo isso.”

“Não consigo me ver em outro mundo que não o vosso.”

“Nenhum filho consegue enquanto é criança, mas é a maturidade que lhes dá a verdadeira liberdade. A liberdade de escolher e arcar com as consequências de suas escolhas. De se descobrir e assumir quem de fato são. E alegra-Me muito ver que estás dando os primeiros passos rumo a esta maturidade.”

Ela me abraçou e me conduziu de volta ao Salão do Trono.

Ajudei a sedar os animais que levaríamos conosco, bem como a recolher o material genético daqueles que não conseguiríamos transportar em nossas naves.

Toda uma diversidade de animais aquáticos e terrestres, e toda sorte de aves e insetos, cada um segundo sua espécie foram catalogados para o translado.

E terminado todo o trabalho de preparação, selamos nossas naves e partimos em direção ao novo Mundo.


4 comentários:

  1. Olá, boa noite Eliude
    Sei o quanto é difícil escrever, manipular pensamentos e palavras num simples conto ou poesia.
    Fico impressionada com sua maneira clara, simples, bonita de contar essa história com tantos detalhes sem se perder tanto no conteúdo como na forma.
    E é como diz Jorge. A narrativa tem que ir num crescendo, tem que despertar nossa atenção e nosso interesse. Nos prender.
    E é o que está acontecendo.
    Abraços.

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    1. Chris, escrever é realmente uma tarefa delicada. Qualquer deslize, coloca toda uma obra em risco. Por isso, eu leio e releio milhões de vezes o que escrevo até soar plenamente familiar ao ouvido... Só então eu publico. E confesso que às vezes também me espanto! heheheheh

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  2. Boa noite, Eliude
    Já li 24 capítulos. Sem querer ser repetitiva e já sendo, continuo adorando.
    Gostaria de compartilhar com algumas pessoas, mas o livro está completo em seu blog?
    Para ser mais objetiva, como compartilhar? Toda vez que vou continuar a ler eu começo do primeiro capítulo que Jorge postou até chegar no ponto onde estou. É ignorância mesmo.
    Não sou escritora. Em minha família,um irmã. um irmão e um sobrinho já publicaram livros. A minha vocação é para as artes plásticas, mas como tenho facilidade para escrever e minha professora na Faculdade de Turismo era excelente, dizia que eu deveria continuar a escrever sempre e ao mesmo tempo que elogiava, também criticava quando achava que eu poderia ter feito melhor os trabalhos que propunha. Ela é dona ou uma das donas da Estação das Letras. Quando um amigo fez um site no Facebook, CurtoConto, pessoas me animaram a mandar meus escritos. Mandei dois trabalhos da Faculdade e depois um conto que fiz para o Talentos da Maturidade. E então, resolvi tentar escrever um conto. Depois, poesias, crônicas. E fui mandando pra lá. Mas antes, sempre pedindo a Jorge que comentasse. Algumas vezes, me elogiou muito. Em outras, me arrasou pelos mesmos motivos de minha professora,achando que eu poderia ter feito melhor.
    Estou contando esses fatos pra você porque, antes de tentar escrever sempre gostei de ler. E sempre li muito. De tudo. E minha estrada é bem longa. E , por conta disso, acho que desenvolvi um certo senso crítico. E estou encantada com sua maneira de escrever. É uma escrita limpa, sem poluição, bonita, fácil de ler, flui. E prende a atenção. E me convence de que terei que, realmente, entrar numa Oficina de Textos, para, minimamente, aprender as técnicas necessárias para desenvolver textos. Embora continue achando que minhas artes são outras.
    Pra começar, tenho que aprender a ser mais sucinta...rs. Bem, Eliude, fico aguardando sua informação de que maneira compartilho seu livro. Mais uma vez, parabéns. Boa noite, Um abraço.

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    1. Oi Chris, obrigado novamente pelos elogios. O livro ainda não está terminado. Eu estou escrevendo e postando capítulo a capítulo aqui no blog. A melhor forma de compartilhar é com a página-índice https://eli-ude.blogspot.com.br/p/no-principio-era-o-verbo.html Também sempre fui um leitor voraz, pelo menos em minha adolescência. E usei o senso crítico adquirido para me ajudar na escrita, de modo que sou o crítico mais atroz do meu próprio trabalho. Quanto ao livro, estou no capítulo 31 e pretendo escrever mais pelo menos uns vinte capítulos. Não sei exatamente quando vou terminar. Tem poucas pessoas acompanhando o processo, então, se puder divulgar, ficarei muito grato. :)

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