27 de setembro de 2016

Capítulo 15: "Façamos o Homem à Nossa Imagem"

27 setembro Escrito por Eliude Santos , 2 comentários
Quando soube que, ao descer da nave, Ninlil foi tão apressadamente ao encontro de Ludriach, Sofia temeu pela alma de sua irmã. Sendo já tarde para impedi-la de ir falar com o contador, sentou-se em um dos bancos da praça de árvores brancas que antecedia o Salão do Trono e esperou.

Ninlil voltou com o semblante decaído. Sofia apressou-se em sua direção.

“O que pensas que estás fazendo, Lili?”

“Não peses tua mão sobre o meu já pesado fardo”, replicou a irmã.

“Que respostas buscavas de Ludriago que não poderias obter de nosso Pai? Por que não vais até Aquele que tudo sabe e mostra-Lhe tuas fraquezas?” Aconselhou Sofia.

“Ahman conhece nossas fraquezas desde antes de ganharmos consciência delas. Não preciso apresentar-me diante Dele e ocupar Seu precioso tempo com algo que não Lhe compete resolver.”

“Tudo o que nos aflige Lhe diz respeito, assim como tudo o que de algum modo nos enaltece. Não deixes que o orgulho te impeça de buscar água na única fonte que de fato tem água para oferecer.”

“Não foi Ele mesmo que disse que primeiro fizéssemos tudo ao nosso alcance, antes de buscarmos Sua ajuda? É isso que estou fazendo.”

“O que me parece é que estás evitando um confronto direto com nosso Pai, pois temes que as respostas que Ele venha a te apresentar sejam aquelas das quais queres fugir.”

“Como se fosse possível evitar alguém que é Onipresente.”

“Neste momento, Jeová, Miguel e os outros arcanjos estão no Salão do Trono fazendo um relato de cada um dos procedimentos de nossa última intervenção.

Não percebes? Mesmo após a Criação de infinitas Terras como aquela, mesmo depois de ganhar conhecimento de tudo que envolve a criação de um novo Mundo, Ahman ainda requer de Seus filhos que Lhe relatem cada pormenor de suas intervenções. Há certamente uma razão para continuar exigindo tal burocracia.”

“Fizemos nosso trabalho, Sofia. O Jardim está pronto conforme as instruções que recebemos do Arquiteto da Criação. Todas as proto-espécies foram depositadas nas águas dos rios, mares, lagos e riachos, sob e sobre cada tipo de solo, escondendo-se entre as rochas ou correndo pelas campinas.

Também lançamos ao vento outras tantas aves que voam sobre as copas das árvores como testemunhas vivas da obra de nossas mãos.

Todas essas criaturas receberam instrução e foram treinadas a fim de exercerem seu papel nos ciclos de vida daquela Esfera.

A obra de evolução e involução dos seres viventes já está em andamento e os dissidentes já cumprem seu papel como príncipes e colonizadores do novo Mundo.

Tudo está pronto para que o homem desça e em sua ignorância destrua o fruto de nosso trabalho como uma criança inquieta com um brinquedo novo num berço apertado.”

“Convém que o sábio enxergue a tudo com a clareza de vários olhos, como que cercando o objeto de seu interesse por todos os lados. No entanto, ao invés de buscares esta sabedoria que permeia todas as esferas do conhecimento, te fixas num único ponto de vista e te afogas num mar de possibilidades inatingíveis.”

“E tu? Não te fixas num único ponto de vista quando consideras somente o conhecimento Daqueles que te ministraram nesta Esfera? Não te tornas tão tola quanto pensas que eu sou quando ignoras o pranto e ranger de dentes daqueles que foram lançados fora de nosso meio somente por tentarem ver as coisas de um modo diferente?”

“Nunca ignorei os argumentos de Lúcifer, minha irmã. Sua maneira ímpar de enxergar a verdade fez com que eu percebesse muitos dos perigos que eu corria ao apoiar o plano de Jeová.

O que me fez decidir correr tais riscos foi o fato de que Jeová baseou seus cálculos não somente em sua percepção limitada, mas nas experiências Daqueles que já haviam provado da mortalidade antes de nós.

Por nos amarem, esses Mestres inspirados compartilharam conosco Suas experiências para que soubéssemos o que nos esperaria além desta Esfera.

Lúcifer duvidou que Eles tivessem dado Seu melhor em Sua experiência mortal, e tentou encontrar soluções que não soaram razoáveis aos ouvidos Daqueles que vieram antes dele e que passaram por coisas das quais ele apenas ouvira outros falar.

Nisto baseei minha escolha. E é por isso que eu temo por ti.”

“Não temas por mim, minha irmã. Teme pela humanidade que está prestes a entrar em sua bela câmara da Morte, pronta para ser sufocada em suas próprias incertezas.”

“Lili, teu coração está cheio de medo quando deveria estar cheio de esperança.

Embora o homem entre esperneando e gritando no novo Mundo, terá a oportunidade de sair dele com um tipo de sabedoria que nunca teríamos se permanecêssemos aqui: a sabedoria que brota da falta de certezas e desabrocha em experiência.”

“Foi em busca de mais luz e conhecimento que fui ao encontro de Ludriago.”

“Ele jamais poderia te ofertar algo que ainda não possui. Afinal, o que conseguiste com esta visita, Lili?”

“Nada. Ele não quis conversar comigo.”

Sofia não conseguiu disfarçar o alívio ao ouvir de Ninlil aquelas palavras.

“Não te preocupes com isso, minha irmã. Agora tens um novo e bem mais urgente desafio para te ocupar a mente.

Serás a mãe de todos os viventes. Que grande honra te espera logo mais!”

A este ponto a comitiva de arcanjos deixava o Salão do Trono. Vendo-me ao longe, Sofia chamou-me pelo nome.

“Udiel, que novas nos trazes?”

“Ahman descerá conosco em nossa última intervenção.” Respondi com um sorriso no rosto.

Surpresa, Sofia abraçou sua irmã.

“Eu sabia que Ele não te deixaria sozinha, Lili.”

Ninlil não demonstrou muito ânimo ao receber a notícia.

“O que houve?” Indaguei preocupado.

Sofia então contou-me sobre as conversas que tivera com sua irmã, sobre as aflições que atormentavam a ambas. E a própria Ninlil contou-me cada detalhe de sua infrutífera visita ao anjo divergente que outrora servira ao meu lado nos escritórios de contas do Salão do Trono, sendo ele responsável pelos cálculos dos planos daquele que era então conhecido como Luz da Manhã, e eu, pelos registros das inúmeras reuniões que antecederam o Grande Conselho, quando a Trindade entrou em conflito e a guerra por apoio das inteligências de nossa ninhada começou.

Enquanto eu ouvia seu relato, pensei nas dúvidas e medos que eu mesmo havia permitido que germinassem em meu coração. E lembrei-me das sábias palavras de Asserá, minha Mãe,  sobre as quais tenho meditado desde então.

“Lili, assim como tu, eu também já deixei meu coração ser conduzido por fraquezas semelhantes, mas uma coisa aprendi e por isso tenho ânimo para prosseguir: não há perdedores no Plano de nosso Pai; senão aqueles que se revoltarem abertamente contra Sua sabedoria. E mesmo estes ganham a honra daqueles que enxergam a verdade pelo mesmo ângulo, ainda que de maneira distorcida. No final, cada um é feliz ao seu modo.

Por isso tens que descer à mortalidade ao lado de Miguel. Pois ele jamais questionaria as leis que viesse a receber do Criador.

Uma vez que o Todo-Poderoso lhe dissesse para não comer do fruto proibido, ele jamais provaria do tal fruto e os pais da humanidade viveriam num estado de inocência para sempre, jamais conhecendo o bem ou o mal. E todo o Plano estaria fadado ao fracasso, porquanto não haveria humanidade.

Mas, Ahman é sábio e te escolheu como a primeira mulher, pois certamente pensa que, ainda que te apague a memória de tudo o que aprendeste aqui, Ele não poderá apagar o que te faz ser quem és.

Esta chama interior que te dá o poder de escolha seguirá contigo e te fará questionar tudo o que ouvires de quem quer que seja e, por isso, ousarás e comerás do fruto e convencerás teu companheiro a fazer o mesmo.

E por causa de vossa transgressão, vos tornareis mortais e toda a hoste de seres etéreos de nossa ninhada poderá finalmente ter a oportunidade de receber um corpo físico, cada um nascendo em seu próprio e devido tempo, cada um progredindo a seu próprio e devido modo até atingirem a medida de sua criação, tornando possível que alguns deles ganhem até mesmo o conhecimento que os Deuses possuem.”

“De tudo isto eu sei, Udiel. Mas uma coisa não compreendo. Ahman conhece meu coração. Se Ele considera tão fortes os vínculos de atração, por que Ele me escolheria como companheira de Miguel se sabe que não o amo?”

“Se é ao lado de Samael que habita a tua felicidade, é ao lado de Samael que passarás a eternidade.

Mas não te cabe julgar os tempos e as estações nem as ações Daquele que conhece todos os tempos e estações que já foram ou podem vir a ser na imensidão de universos sem fim. Não enquanto tua mente vê ainda tão pouco à frente de teu próprio nariz.

Agora vai com tua irmã. Aprontai-vos pois as naves não demoram a partir.”

Despedimo-nos e quando voltei a vê-las, já estávamos para entrar nas naves.

Todos nós havíamos sido lavados, ungidos e vestidos para seguirmos para nossa última intervenção. Desta vez, acompanhados por nossos Pais.

Uma única nave levaria os mais proeminentes arcanjos, cada um sendo responsável pelas instruções e chaves de cada uma das dispensações da verdade que seriam conferidas ao Primeiro Homem, bem como querubins, serafins, e arcanjos historiadores.

Eloim, Jeová e Rafael, comandavam a expedição. Asserá e Sofia também seguiam conosco.

À entrada, o Todo-Poderoso pediu que Miguel se despisse diante de todos. Ele o abraçou e beijou e sussurrou em seus ouvidos.

“Miguel, tirando este manto de teus ombros, Eu te destituo do lugar que tão honrosamente ocupaste na Trindade e te dou um novo nome que será conhecido por todos como sinal de tua fidelidade e pelo papel que exercerás no Grande Plano de Felicidade e Salvação pelo qual tão bravamente lutaste. E teu nome será Adão.”

Tirando o manto dos ombros de Adão, colocou-os sobre os ombros de Rafael, que estava de pé ao Seu lado.

“Rafael, despe-te de tuas vestes antigas e recebe este novo manto sobre os teus ombros, e com ele, todos os encargos a ele inerentes para governares ao Meu lado na Trindade até que te dispas destas vestes santas para te vestires de carne como há de fazer o teu irmão, Adão.

Doravante, tua boca é a Minha boca; teus olhos, os Meus olhos; teus ouvidos, os Meus ouvidos; tuas mãos, as Minhas mãos.

És Deus, como Eu, ainda que sejas menor do que Eu, como é também o teu irmão Jeová, até que tu e ele venham a se despir de vosso manto para vestir-vos de mortalidade.”

À semelhança do que fez seu Esposo, Asserá  despiu Ninlil de seu manto sacerdotal, aproximou-se dela e, chorando, sussurrou-lhe ao ouvido.

“Ninlil, Minha filha, tirando este manto de teus ombros, Nós te dispensamos de teus encargos no Conselho de Arcanjos e te damos um novo nome que será conhecido por todos como sinal de tua busca incessante pela felicidade. E teu nome será Lilith.”

Jeová que estava sentado no chão com os outros, pegou duas pedras brancas à sua frente, soprou-lhes o pó e levantou-se diante de todos.

“Adão e Lilith, porque passareis pelo véu do esquecimento, não vos lembrareis dos nomes que vosso Pai vos deu, portanto, estendei a mão em forma de concha e recebei estas pedras brancas que serão para vós como oráculos divinos, lembrando-vos de quem sois, de onde partistes e do que todos nós esperamos de vós: lembranças de vosso Lar eterno que resistirão às intempéries do tempo e vos servirão de testemunhas quando vosso trabalho estiver concluído.”

Jeová aproximou-se de Adão e depositou uma das pedras em sua mão estendida e aberta em forma de concha e depois foi até Lilith e depositou a outra pedra em sua mão estendida do mesmo modo.

Os dois espectros desnudos adentraram a grande nave e dirigiram-se até a câmara onde foram sedados e caíram num sono profundo.

Em todas as nossas viagens para além dos limites de Kolob, fomos instruídos a sempre usar os mantos sacerdotais. Eles nos protegeriam na passagem pelos anéis radioativos além da órbita de Oliblish, que os antigos chamavam de Yehwresh, ou em outras palavras, Aquele-Que-Conhece-O-Próprio-Nome.

Porquanto, aquele gigantesco anel, que como uma violenta cascata circular criava uma gigantesca redoma em torno dos domínios de ordem celestial, produzia uma radiação capaz de atravessar as paredes refratoras da nave e penetrar no âmago de qualquer entidade que não estivesse devidamente protegida. E, como um câncer destrutivo, embotaria qualquer traço de memória ou conhecimento adquirido até que nem mesmo a lembrança da própria identidade lhe restasse — uma ferrugem espiritual que somente pelo conhecimento do Altíssimo poderia ser revertida.

Deste modo, espíritos de graus menores jamais teriam acesso a astros de glória maior, por mais avançadas que se tornassem suas tecnologias.

Pelo mesmo motivo, ainda que Lúcifer e seus anjos conseguissem acesso a nossas naves, jamais poderiam voltar à esfera celestial, pois haviam sido destituídos de seus mantos no momento em que foram lançados no abismo do novo Mundo.

De modo que nem eles haviam experimentado aquela transmutação, pois passaram pelos anéis ainda vestidos com seus mantos sacerdotais e foram somente despidos quando lançados das naves ao abismo daquele sistema vazio.

Assim, pela primeira vez, testemunhamos a corrosão espiritual do véu do esquecimento e entendemos por que nosso Pai fez com que aquele sono profundo descesse sobre o primeiro homem e sua companheira.

Quando a luz púrpura invadiu o interior da nave, seus corpos começaram a tremer e estremecer e um fogo ardente parecia consumir a luz que emanava de seus espectros divinos.

Ora, nossa matéria era a luz de nosso conhecimento, uma luz condensada e tangível, tanto quanto é tangível um corpo de carne e ossos.

Quanto maior nosso progresso dentro daquela Esfera de glória, maior era o brilho de nossos espíritos, chegando a assemelhar-se ao brilho do sol ao meio dia.

Os corpos de Adão e Lilith eram cheios dessa luz celeste, a luz de seu conhecimento. Mas a luz púrpura daquele Véu de Esquecimento parecia arrancar-lhes as entranhas e despedaçar sua essência, como que revirando tudo por dentro até que sua luz se dissipasse e só restasse uma sombra daquilo que eles haviam sido.

“Não temais.” Disse nosso Pai para tranquilizar-nos. “Suas aflições serão por um momento.”

Ainda assim, Ele mesmo virou o rosto e abraçou Sua esposa.

De fato, a passagem pelo véu não demorou, mas assustou-nos o efeito daquela radiação. Assustava ainda mais o fato de que todos nós haveríamos de experimentar aquela angústia, ainda que desacordados.

Eles seguiram adormecidos pelo resto da viagem.

Chegando à Terra, os querubins foram os primeiros a descer da nave. Eles criaram uma barreira ao redor do Éden que impedia a entrada de Heylel e seus anjos no Jardim, pelo menos enquanto nosso Pai estivesse por lá.

Jeová e Rafael levaram seu Pai e sua Mãe para conhecerem o Jardim a fim de mostrar-Lhes a obra de suas mãos. Eloim tocou as folhas das árvores, cheirou as flores, acariciou animais, bebeu da água do Yehuprat, encheu os pulmões do ar temperado daquele pedaço do novo Mundo e, feliz por tudo o que vira e experimentara, abraçou os filhos com orgulho.

“Eis a bela Terra que formastes. Tudo está tão belo e perfeito. No entanto, não há quem cuide dela, e dela tire proveito.

Por isso, apressemo-nos para formar um homem conforme a Nossa imagem e semelhança, macho e fêmea, como são os deuses e deusas que nesta comitiva Nos acompanham.”

“Assim faremos, Eloim.”

No centro do Jardim, próximo ao lugar onde a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a Árvore da Vida haviam sido plantadas, auxiliado por Jeová e Sua Esposa e sob o olhar atento de toda a comitiva de arcanjos, querubins e serafins que haviam seguido conosco, o Grande Arquiteto do Universo colocou o espectro de Adão sentado numa pedra às margens do Eufrates.

O homem ainda estava desacordado e seu rosto repousava sobre o próprio peito.

Asserá e Sofia colocaram a mulher também desacordada da mesma maneira numa pedra ao seu lado.

Quando descera com Jeová ao Jardim, Eloim havia colhido amostras de diferentes porções do solo do novo Mundo, cada uma rica em algum tipo diferente de mineral que transmutaria para fazer do corpo etéreo de Adão, um corpo físico como o Seu: das áreas de lavas adormecidas, o enxofre para estimular as reações magnéticas entre os elementos; do solo úmido e fértil, o azoto para os ácidos que reproduziriam as informações de identidade, herança e variação do novo ser; das rochas ribeirinhas, o cálcio e o fósforo para a formação dos ossos que lhe dariam sustentação; do mármore e da dolomita, o carbono e o magnésio para dar forma e vigor aos tecidos. Estes e outros minerais foram manipulados com cuidado para que do pó da Terra e da água do Eufrates, o homem se erguesse no Jardim como alma vivente.

Tomando um pouco da água do rio, Eloim fez uma mistura com aqueles minerais transmutados e ungiu a cabeça de Adão.

Seu corpo etéreo, ainda afetado pela radiação dos anéis de Oliblish, começou a absorver os elementos daquela mistura que, na corrupção de sua estrutura natural, ganharam nova forma à medida que Jeová e Eloim usavam sua própria radiação para acelerar o processo, passando Suas mãos da cabeça aos pés de Adão e ordenando os elementos que procedessem conforme haviam planejado.

Enquanto Eloim e Jeová faziam tais procedimentos no corpo de Adão, Asserá e Sofia faziam a mesma ordenança no corpo adormecido de Lilith.

E, à medida que os minerais se fixavam às estruturas etéreas já existentes, cresciam os nervos físicos sobre os nervos etéreos de modo que se sobrepunham como um só. E os minerais se calcificaram em ossos físicos que foram cobertos por tecidos, que por sua vez se transmutaram em diversos órgãos, cada um em conformidade com a constituição de órgãos etéreos já existentes, de modo que tudo o que era espiritual se tornou físico. E à imagem e semelhança dos deuses, o homem foi criado.

Asserá e Sofia fizeram o mesmo com a mulher.

No entanto, o corpo de ambos estava ainda desfalecido. Os Deuses colocaram um unguento canforado em suas narinas e sopraram com força, de modo que o cheiro forte do unguento lhes avivou o espírito. Os dois despertaram num choro.

O ar queimando as narinas recém-criadas, os sons estridentes das aves do Paraíso, a pele tocando as folhas secas sobre o solo gelado, o frio intenso causado pela ausência do conhecimento que outrora fora o combustível de sua existência, o ardor das pupilas dilatadas com a luz forte daquele novo Mundo cheio de cores e cheiros inebriantes.

Os dois caíram num choro descontrolado.

Ahman ordenou que trouxessem uma vaca e alguns gansos. Sentando-se ao lado dela, fez-lhe a ordenha e tomou do leite ainda quentinho para alimentar as duas crianças. Enquanto isso, Asserá fez com que os gansos se deitassem confortavelmente ao redor e por sobre os infantes, a fim de mantê-los aquecidos.

Assim começou o último dia da Criação.


2 comentários:

  1. Estou ansioso pelo próximo capítulo e pelo restante da história. Aquilo que não foi revelado, podemos imaginar.Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Trabalhando no próximo capítulo! :) Espero que goste e ajude a divulgar!

      Excluir

Compartilhe esse artigo em suas redes sociais e aproveite este espaço para registrar seus pensamentos sobre esta postagem.